Cantar Brejeiro

Rancho Folclórico da Ribeira de Celavisa (1981)
Cacusso está...por aí! ;-)


Passei de largo para ver se não te via
se me esquecia do teu doce bamboleio
mas por má sorte caminhaste para mim
olhos gulosos e assim
c'o vento a colar teu seio

olha a perninha, a perninha da menina
olha a perninha, a perninha a dar a dar
cabeça não tem juízo
e a perna é que vai pagar

amor de verão que foi no tempo das colheitas
e o teu perfume tinha a naturalidade
de quem descansa dos trabalhos e maleitas
nos derriços mais gostosos
de uma breve mocidade

olha a perninha, a perninha da menina
olha a perninha, a perninha a dar a dar
cabeça não tem juízo
e a perna é que vai pagar

mas da seara cortada fez-se farinha
dessa farinha com fermento fiz o pão
ficou-me ao peito essa trigueira rainha
que me roubou a alegria
ao meu canto e coração

Pedro Barroso









Cuzqo

Cuzco, Perú


Cuzqo
fulgurante pensamiento
anhelan te movimiento
que levanta mi palabra
y escarba mis ojos
en la escarlata del tiempo
para pronunciar tu nombre

Cuzqo
herida pétrea
fogata montana
ciencia descuartizado
polvo cósmico,
raíz humana que trepa
por la historia
escribiendo su verdad
donde el interminable surco
de antorchas y navajas
atravesaron la piedra
hasta romper la tierra
en llantos,gritos,dolor
manchando el cielo azul
con diez mil colores de muerte
para dejar desnudo al tiempo

Cuzqo
puma pétreo
siempre enhiesto
despierta!
camina!
levan tate de tu lecho sagrado
con tus venas abiertas
toma el fuego sagrado
que te hace puro
que te hace bueno,
incendia el silencio
con tu nombre
y toma mi palabra
para lavar tus heridas
ahora que mi cuerpo
se queda ausente de tu verbo
con mis piedras gastadas
al borde del camino
para dejar esta nefasta muerte
de odios y rencores
esta mañana


Roberto Marmanillo

A arte de viver


Habito no halo
dos meus versos
onde incansavelmente
rimo palavras sem rima
e seco lágrimas sem pranto

é a arte de viver...

como lacrar a vida e o amor
sem cantar?
como vencer o tédio e o temor
sem bailar?
eis a razão
porque sonho sem sono
porque voo sem asas
porque vivo sem vida

no avesso dos versos escondo
o tesouro da minha contrariedade
o mistério da minha enfermidade
e o feitiço da minha eternidade


Armando Artur

Eu



Quero escrever versos,
Versos de amor, de ironia,
Quero preencher todos os espaços,
Desta folha vazia.

Quero, ao escrever,
Ser completamente livre,
Lembrar-me do que quis ter,
Mas que nunca tive.

Quero com estas tantas palavras,
Que escrevo sem encontrar fim
Encher além destas folhas brancas,
Os espaços imensos que há em mim.

Lembrar, esquecer
Dormir, acordar,
Desejar morrer,
E depois lamentar.

Senti a presença da solidão,
Ri as lágrimas que não chorei,
Agindo com o coração,
Sempre errei.

Escrevo partes do que sou,
E dedico-tas a ti,
Mas só eu o sei,
Não sairá daqui.

Todas as lágrimas foram enxutas,
Neste pedaço de papel, que agora é um pouco de mim,
As minhas palavras sentidas, doces ou brutas,
Assim como eu chegaram ao fim.


Inês Delgado
(13 anos, Lisboa)

O Canto da Sereia


LuandaPosted by Picasa


A Cidade á Noite

A festa dos reclamos luminosos
é minha.
Não gosto de coisas reais.
Todas as ilusões
me pertencem.
Sou milionário universal
da fantasia.
Gosto de passar pelas montras
e sonhar...

Sonhar sonhando,
sem cobiça,
sem pólvora, sem sangue,
sem ódio,
sem ferir o mundo.


Jorge Macedo
"Irmã Humanidade" (1973)





Son tus perjúmenes mujer


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Son tus perjúmenes mujer
los que me suliveyan (bis)

Tus ojos son de colebrí
¡ay! cómo me aleteyan (bis)

Tus labios pétalos en flor
cómo me soripeyan (bis)

Tus pechos cántaros de miel
cómo reberbereyan (bis)

Tu cuerpo chúcaro mi bien
¡ay! cómo me almareya (bis)

Tus manos llenas de candor
cómo me manosean (bis)


Nicaragua (popular)


Poema do regresso


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Quando eu voltar da terra do exílio e do silêncio,
não me tragam flores.

Tragam-me antes todos os orvalhos,
lágrimas de madrugadas que presenciam dramas.
Tragam-me a fome imensa de amor
e o queixume dos sexos túrgidos na noite constelada.
Tragam-me a noite longa de insônia
com mães chorando de braços vazios de filhos.

Quando eu voltar da terra do exílio e do silêncio,
Não, não me tragam flores...

Tragam-me apenas, isso, sim,
o último desejo dos heróis tombados ao amanhecer
com uma pedra sem asas na mão
e um fio de cólera a esgueirar-se dos olhos.


Jofre Rocha
60 canções de amor e luta

Senta-te aí


21 anos... como o tempo passa! Posted by Picasa


Está na hora de ouvires o teu pai
Puxa para ti essa cadeira
Cada qual é que escolhe aonde vai
Hora-a-hora e durante a vida inteira

Podes ter uma luta que é só tua
Ou então ir e vir com as marés
Se perderes a direcção da Lua
Olha a sombra que tens colada aos pés

Estou cansado.
Aceita o testemunho
Não tenho o teu caminho pra escrever
Tens de ser tu, com o teu próprio punho
Era isto o que te queria dizer

Sou uma metade do que era
Com mais outro tanto de cidade
Vou-me embora que o coração não espera
À procura da mais velha metade


João Monge

Tatuagem


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Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é p'ra te dar coragem
p'ra seguir viagem
Quando a noite vem
E também p'ra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega
Mas não lava

Eu quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo te alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousa frouxa, murcha, farta
Morta de cansaço

Eu quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem
Eu quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, ferro e fogo
Em carne viva

Corações de mãe
Arpões, sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo mas não sentes


Ruy Guerra

Wish you were here


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So, so you think you can tell
Heaven from Hell
Blue skys from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

And did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
And hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish
How I wish you were here
We're just two lost souls
Swimmin' in a fish bowl
Year after year
Running over the same old ground
What have we found?
The same old fears
Wish you were here

Oh, how I wish you were here
How I wish
How I wish you were here
Running over the same old ground
What have we found?
The same old fears
wish you were here



Pink Floyd

Pequeno poema


Jardim Constatino, Lisboa, 1959 Posted by Picasa


Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouquceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...


Sebastião da Gama

Quintal do Cacusso

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Outono em Julho


Brandoa Posted by Picasa


Calor escaldante
Ontem ameaçava despir-se...
Hoje está nua.

Pedaço de África


Damaia, minutos atrás Posted by Picasa


Massaroca de milho assado
Pedaço de África
Numa esquina da Europa...

Odor que nos transporta
No espaço e no tempo...

Mãe preta


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Pele encarquilhada carapinha branca
Gandôla de renda caindo na anca
Embalando o berço do filho do sinhô
Que há pouco tempo a sinhá ganhou
Era assim que mãe preta fazia
criava todo o branco com muita alegria
Porém lá na sanzala o seu pretinho apanhava
Mãe preta mais uma lágrima enxugava
Mãe preta, mãe preta
Enquanto a chibata batia no seu amor
Mãe preta embalava o filho branco do sinhô

Duo Ouro Negro



Luanda


Pôr do Sol no Afrodiziakus, Luanda, 1996 Posted by Picasa


Aqui reside tudo
E todos
Germinam as raízes todas

Aqui está cada um dos braços e dos rostos
Dum só corpo que anda sobre o vento
Navega os céus e toda a geografia
Desde a minha aldeia e do meu povo

Desce o campo refugia-se na cidade
Das ruínas às pontes de margens ansiosas

Tarda o abraço
Demora o dia das horas sucessivas
Sem paragem

No tempo de memórias tristes
Aqui estamos e estaremos
Porque somos
Mais do que pó e húmus
Unida essência dum jardim de vida
Morremos várias vezes no percurso
Mas seremos sempre
Capazes de chegar
à vida

Porque somos todos, somos um
Em cada um
Dos pontos cardeais
Deste país.


Fernando Costa Andrade

Sol


Lightning, da talentosa amiga Célia Silva Posted by Picasa


Sol de uma tarde pura
Íris claras, como teus sonhos
Versos perfeitos e profundos
A tarde do futuro
Aqui e agora
Olhando para ti, mulher desconhecida
Olhando somente
Horas de plenitude para o meu espírito
Por meu amor
Por um nobre amor
Pensamentos derramados
No meu ser
Vírus de sedução
Tarde de verão
Mulher desconhecida
Quem és?
Profeta ou anunciadora de tempestade!
Profeta sim! Talvez!
Anunciadora de tempestade? Talvez! Não
Profeta do astros
Sim! sim!
Mulher desconhecida
Diz-me quem és
Olhando somente!!


Luis Saro

Kaleidoscópio

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Refração
Multicolorida
Mutação constante
Do arco-íris.
Imagens
Que se repartem
Incessantemente,
Que se espalham,
Se estilhaçam
Espandem-se
E retraem-se
Como no meu
Pensamento
Como a paixão
Que nasce e explode
Dentro de mim
Teus olhos
São os reflexos
De luz
Que alimenta
O arco-íris
Do meu
Kaleidoscópio.


Carlos Serrano

Inacreditável...

Não são os 6 dias que mudaram o mundo aqueles que estive daqui afastado…
São dias de demência, de estupefacção e de horror.

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Alberto João Jardim

Não gosta de chineses e de indianos, admira-me que não lhes tenha chamado «monhés»!
Pessoalmente pode pensar o que quiser mas não tem o direito enquanto governante de proferir aquelas palavras.
Poderia ter dito que tinha bebido uns whiskies a mais ou realçar, patrioticamente, o valor do Vinho da Madeira alegando que tinha entornado mais que a conta.
Não pode é o seu pensamento político ser uma afronta á democracia, nem legalmente defender o indefensável que é sobrepor os seus ditames á lei geral do país ou ás políticas traçadas por este, ou outro governo, para a imigração ou para qualquer outro sector.
Nem mesmo a constatação de que a China não é uma democracia, que ofende gravemente os direitos humanos, serve de desculpa!

Parecido com a idiotice descrita só a «opinião» do SEF a manifestar-se, antes de existir lei, contra as alterações á Lei da Nacionalidade. Como é possível que uma componente orgânica da Administração do Estado se queira sobrepor á acção legítima de um qualquer governo?? Presumo venha a ser provável em futuro próximo que o honrado cantoneiro de limpeza imponha a sua vontade ao Presidente da Câmara e se ache isso da maior naturalidade!


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O meu país continua a arder…

Os políticos continuam a assobiar para o ar sem entenderem patavina do que se passa – não quero acreditar que saibam bem demais!
Enquanto se mantiverem as politicas de desertificação do interior, enquanto parecer que a criação de infraestuturas rodoviárias possuem apenas o sentido Interior-Litoral, estaremos lentamente a afundarmo-nos inexoravelmente.
As populações do interior, quando as havia, limpavam as matas, cortavam os matos que serviam de camas aos animais e que posteriormente eram utilizadas como fertilizantes.
Não adianta responsabilizar as populações que não existem…as câmaras que não têm recursos nem capacidade para fazer frente a tão gigantesca tarefa… ou os guardas florestais que deixaram de existir, porque não há incentivos á sua fixação em lugares tão remotos, onde nada existe que se pareça com civilização, onde até as casas a eles destinadas, espalhadas por esse país além, foram vendidas para aliviar as contas do défice.
Depois institui-se oficialmente a chamada época de fogos não porque o risco não seja acrescido mas porque, parece, fica melhor na «fotografia» o enunciar de quantidades de meios gigantescos que custam «milhares de pipas de massa» a todos nós.

Infelizmente a fotomontagem de Marques Mendes, poderia ser outro qualquer, sobre um camelo, parece-me tragicamente premonitória quanto ao desértico destino que estamos a construir para os nossos filhos.


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Londres


As imagens de um horror anunciado. Não há, racionalmente, nenhuma ideia humanista, ou sensata pelo menos, que possa defender semelhante tipo de acções. O que aconteceu aqui, em Madrid, em Istambul, em Bali, em Riade ou em Nova Iorque é horrendo!


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Fonte BBC


Mas tudo é horrendo, verdadeiramente…


É horrendo Bush ter sido reeleito por ter havido ameaça de Bin Laden – ambos sabem que não conseguiriam sobreviver um sem o outro!
É horrendo os americanos saberem onde ele se encontra e afirmarem que apenas as óptimas relações diplomáticas com o país que lhe dá guarida os impedem de o «ir buscar»!
Foi horrendo Saddam Hussein não ter sido destroçado na primeira Guerra do Golfo quando todo o mundo o esperava…
Foi horrendo ver mentiras criarem uma guerra para destruir um bastardo, para não dizer filho da puta (célebre expressão aqui perfeitamente justificada), como se de uma «vendetta» se tratasse…
Foi horrendo verificar o nascimento de uma resistência á ocupação, habilmente utilizada por condições que criaram um alfobre de extremistas e covis imundos de terroristas…
É horrendo verificar que continuam a condenar-se sempre as consequências e muito raramente as causas…
É horrendo verificar que as democracias ocidentais, bem como os mais esclarecidos povos do Islão, não entendam que é agora, exactamente no Iraque, que se joga muito do futuro da democracia… A bem ou a «mal» é ali, agora, que a guerra tem que ser travada e, se antes nada justificava que aquela guerra existisse, agora, não restam dúvidas que tem que ser travada!!
É horrendo pensar que o Iraque possa ser, por mentira americana, por ausência total de iniciativa política da EU e, infelizmente, agora, por cobardia, o cemitério da democracia.

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Imagem da BBC

Curvo-me respeitosamente á memória de tantas vidas já perdidas!

Distância


.. Posted by Picasa


Minha lembrança
é sinfonia,
do teu corpo lindo
vestido de mar.
Minha saudade
da voz que o vento
trazia de longe,
se estavas a cantar.

Gaivota mansa
que o vento levou,
para tão longe
tão longe arrastou.
E o mar vem apagar
indiferente à dor,
meus loucos passos
errantes na areia


Raul Indipwo

Canção do Exílio


Angola, 1996, algures entre Luanda e Benguela Posted by Picasa


Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.


Gonçalves Dias

Xicuembo

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Afazeres profissionais impediram-me de estar no Palácio Galveias e, pela mesma razão, apenas ontem, domingo, comecei a ler Xicuembo, de Carlos Gil.
Foi-me enviado de forma célere pela sua editora, Pé de Página.
Encomendei-o no dia seguinte á sua apresentação e 3 dias depois estava nas minhas mãos.
Pelo caminho e porque o servidor estava com «bug» acabei, com toda a naturalidade, (lol…) por fazer não uma mas três encomendas!!!
Situação resolvida de forma competentíssima pela editora!
Autor e editora de parabéns!

Um livro portentoso…
Um escritor brilhante…
Histórias fantásticas…
Terra fabulosa…

A tarde foi passada longe… muito longe daqui…

Lido em voz alta junto da minha Maria que viveu LM e o Bilene intensamente, uma terra que continua a amar com intensidade, onde casou e onde lhe nasceram 2 filhos.

As palavras de Carlos Gil são por si só um hino de amor áquela terra e áquele povo.
Facilmente nos transportam para longe daqui mas, se como aconteceu, tiver a atenção, explicações adicionais, outros pormenores e histórias complementares então, a sessão de leitura torna-se num momento inesquecível, pelo «teletransporte» proporcionado e pelo facto de ter permitido um milagre – não houve televisão!

“Divertimo-nos. E sabem porquê? Porque abençoadamente não havia televisão, essa praga individualizadora que gera autómatos de comportamento e inibe a convivência.”

Não conhecia Mafalala, Xipamanine, Malhangalene, a Polana, o Xai-Xai, Inhamuçua ou mesmo o Bilene…
Não conheço, verdadeiramente…. Mas esta tarde estive lá!

Estas terras são para mim fisicamente desconhecidas poderiam não o ser se, em 1972, o meu pai em vez de ter sido colocado em Mbanza Congo (Angola), tivesse seguido viagem para Quelimane como estava inicialmente previsto.

Continuarei a ler, deliciado, quer o livro quer o seu magnífico Xicuembo (versão 3.0).

Obrigado, Carlos! Um dia destes haverá um autógrafo no teu Xicuembo porque não tenho livrinho…. Se o tivesse serias o Pélé!!


Angola, 1996, algures entre Luanda e Benguela Posted by Picasa

Perdi um poema


.. Posted by Picasa

perdi um poema que falava de ti
lá enrolava as palavras que faltam aqui

lá falava que habitavas o meu coração
agora não quero menos do que uma infinita paixão

de aí onde estás manda-me um beijo de fogo
incendeia-me a alma desse amor porque rogo

Assim salto para rua feliz e contente
na esperança de um dia estar contigo frente a frente

nesse dia jurar-te-ei amor para sempre
não passará um dia que eu não diga o que o meu coração sente

perdi um poema que falava de paixão
ganhaste um poema-declaração


Constantino Alves

Vai-vem


Luanda á noite Posted by Picasa


Nesta ansiedade que minh'alma tem,
que faz de mim um sonhador fecundo,
- deixei a noite, a treva, deste mundo,
buscando o sol, a luz, além... além...

Achei a luz; mas (pobre vagabundo!)
não tive tempo de gozar o bem.
- Sei lá por que fatídico vai-vem
eu volto ao mesmo escuro, ao mesmo fundo!...

É, sempre, a par da glória a desventura.
O que ora nos alegra, e nos enleva,
depois nos entristece, e nos tortura...

Mais nada nesta vida me seduz.
- Só me custa voltar da luz à treva,
eu que já fui da treva para a luz.


Geraldo Bessa Victor
(Obra poética)

A Manga


Mango Tree Woman, de Jedediah Dougherty Posted by Picasa


Fruta do paraíso
companheira dos deuses
as mãos
tiram-lhe a pele
dúctil
como, se de mantos
se tratasse
surge a carne chegadinha
fio a fio
ao coração
leve
morno
mastigável
o cheiro permanece
para que a encontrem
os meninos
pelo faro


Ana Paula Ribeiro Tavares
(Ritos de Passagem)