30 de Febrero

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Foto de Jorge Casais



Mañana será 30 de Febrero
y tú vendrás a hacerme compañía
y ya te quedarás aquí conmigo
mi querido amigo arsénico.

Después de un corto viaje por la noche
descansaremos junto al abrigo
del sitio donde nace verde el trigo
mi querido amigo arsénico.

Corre, corre por favor
o no tendré valor
para morir amándola
voy al este del Edén
amigio mio ven, para esperarla allí,
mañana será 30 de Febrero
para mi.

Por una simple flor de invernadero
que no quiere creer lo que le digo
mi querido amigo arsénico,
y solo te diré que aún la quiero
que siempre estará aqui conmigo
y tú serás único testigo
mi querido amigo arsénico.

Corre, corre por favor
o no tendré valor
para morir amándola
voy al este del Edén
amigio mio ven, para esperarla allí,
mañana será 30 de Febrero
para mi.


Pablo Abraira

EUA vs Arabes




Um velho árabe muçulmano iraquiano, a viver há mais de 40 anos nos EUA, quer
plantar batatas no seu jardim, mas cavar a terra já é um trabalho demasiado
pesado para ele.
O seu filho único, Ahmed, está a estudar em França, e o velhote envia-lhe a
seguinte mensagem:

"Querido Ahmed: Sinto-me mal porque este ano não vou poder plantar batatas
no jardim. Já estou demasiado velho para cavar a terra. Se tu estivesses
aqui, todos estes problemas desapareceriam. Sei que tu remexerias e
prepararias toda a terra. Beijos do papá."

Poucos dias depois, recebe a seguinte mensagem:

Querido pai: Por favor, não toques na terra desse jardim. Escondi aí umas
coisas. Beijos, Ahmed."

Na madrugada seguinte, aparecem no local a Polícia, agentes do FBI e da CIA,
os S.W.A.T., os Rangers, os Marines, os Steven Seagal's, os Silvester
Stallone's e alguns mais da elite norte-americana, bem como representantes
do Pentágono, da Secretaria de Estado, etc.
Removem toda a terra do jardim à procura de bombas, ou material para as
construir. Porém, não encontram nada e vão-se embora, não sem antes
interrogarem o velhote, que não fazia a mínima ideia do que eles procuravam.
Nesse mesmo dia, o velhote recebe outra mensagem:

"Querido pai, certamente a terra já está pronta para plantar as batatas. Foi
o melhor que pude fazer dadas as circunstâncias. Beijos, Ahmed."

Papagaios Católicos...





Uma senhora chega ao confessionário e diz ao padre:
- Padre, tenho um problema!
- Diz-me minha filha, o que te apoquenta?
- Tenho dois papagaios fêmea, muito bonitas, mas a única coisa que sabem
dizer é "Olá, somos putas. Querem divertir-se um bocado?"

Diz o padre:
- Oh minha filha, isso está muito mal, realmente.
Mas acho que tenho a solução para o teu problema. Também eu tenho dois
papagaios machos aos quais ensinei a ler a Bíblia e a rezar. Vais trazer os
teus animais que juntamos na mesma gaiola com os meus. Aprenderão a rezar, a
ler a Bíblia e decerto deixarão de dizer asneiras e disparates.

No dia seguinte a senhora chega com os pássaros e repara que os do padre
estão concentradíssimos a rezar o terço. Quando colocam as fêmeas na gaiola estas
não esperam e como de costume:
- Olá, somos putas. Querem divertir-se um bocado?"

Um dos papagaios do padre pára de rezar e diz para o outro:
- Irmão, guarda o terço, Deus ouviu as nossas orações. Chegaram as gajas!"

Dor di nh'alma

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Duem tcheu
Alma pertam ta tchora
Bo nha rainha c'ainda onte
Juram bo amor

Pa ba na kel mesmo lugar
Cum prova mam'crebô tcheu
Cai na braços ki ka di meu
Ki ka di meu

Magoam la na fund’ do coraçon
Corpo derretem
Solvê na mar d'ingratidão

M'ta lembra nos primero beijo
Era segredo d'nos paixão
Pa caba'sim di note pa dia
Note pa dia

Hoje pa bô, mim m'ka nada
Um indiferença
Bo ta spiam
Ka t'odjam
Pior ki morte

Ma disilusão ta dué
Ta quema ki nem lume
Ta foga ki nem agua
T'arasa ki nem vente
Nha amor
Nha fantasia


Betù








Ildo Lobo
Dor di Nh'Alma



Espanto
pelo terramoto em Moçambique. Solidariedade e um abraço imenso.

Dor di Nh'alma
por ver partir, mesmo brevemente, o Carlos Gil e o PMS.
Voltarão, estou certo!

Poema





Mar! Mar!
Mar! Mar!

Quem sentiu mar?

Não o mar azul
de caravelas ao largo
e marinheiros valentes

Não o mar de todos os ruídos
de ondas
que estalam na praia

Não o mar salgado
dos pássaros marinhos
de conchas
areias
e algas do mar

Mar!

Raiva-angústia
de revolta contida

Mar!

Siléncio-espuma
de lábios sangrados
e dentes partidos

Mar!
do não-repartido
e do sonho afrontado

Mar!

Quem sentiu mar?



Arménio Vieira

Talvez Sejamos Irmãos

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“Talvez Sejamos Irmãos” – Carta resposta do Chefe Índio
Seattle à proposta de aquisição das terras onde
vivia a sua tribo ao Presidente dos Estados Unidos da
América, Franklin Pierce – 1854.


Os Índios Duwamish habitavam na zona norte do actual estado de Washington, cuja capital Seattle tem o nome do Chefe Índio que proferiu o discurso, conhecido como a Carta do Chefe Índio, que é considerada como um dos mais belos manifestos ecológicos. Após a cedência das terras os índios Duwamish migraram para a reserva Port Madison onde está sepultado o Chefe Seattle.



"O Grande Chefe de Washington comunicou-nos o seu desejo de comprar as nossas terras. O Grande Chefe assegurou-nos também da sua amizade e de quanto nos preza. Isso é muito generoso da sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade.

Porém, vamos considerar a sua oferta, pois sabemos que se o não fizermos, o homem branco virá com armas e tomará as nossas terras.

Mas, como pode comprar ou vender o céu e o calor da terra? Tal idéia é estranha para nós. Se não somos os proprietários da pureza do ar ou do resplendor da água, como podes comprá-los a nós?

Cada torrão desta terra é sagrado para meu povo. Cada folha reluzente de pinheiro, cada praia arenosa, cada clareira e cada zumbido de insecto são sagrados nas tradições e na memória do meu povo. A seiva que corre nas árvores transporta consigo as recordações do homem de pele vermelho. O homem branco esquece a sua terra natal, quando, depois de morto vai vagar por entre as estrelas. Os nossos mortos nunca esquecem a beleza desta terra, pois ela é a mãe do homem de pele vermelha. Somos parte destas terras como elas fazem parte de nós.

As flores perfumadas são nossas irmãs; o veado, o cavalo, a grande águia - são nossos irmãos. As cristas rochosas, as seivas das pradarias, o calor que emana do corpo de um pónei e o próprio homem, todos pertencem à mesma família.

Assim, quando o Grande Chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, ele exige muito de nós. O Grande Chefe manda dizer que nos reservará um lugar em que possamos viver confortavelmente e que será para nós como um pai e que nós seremos seus filhos. Vamos considerar a sua oferta de comprar a nossa terra, embora isso não seja fácil, pois esta terra é sagrada para nós.

A água cintilante dos rios e dos regatos não é apenas água, é o sangue dos nossos antepassados. Se vendermos a nossa terra, terás de te lembrar que ela é sagrada e deverás ensiná-lo aos teus filhos e fazer-lhes saber que cada reflexo na água límpida dos lagos fala do passado e das recordações do meu povo. O murmúrio das águas é a voz do pai de meu pai. Os rios são nossos irmãos, matam-nos a sede, transportam-nos nas canoas e alimentam os nossos filhos. Se vendermos a nossa terra, terás de te lembrar e ensinar aos teus filhos que os rios são nossos e vossos irmãos, e terás de dispensar-lhes a bondade que darias a um irmão.

Nós sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um pedaço de terra vale o mesmo que outro, porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que necessita. A terra não é sua irmã, mais sua inimiga, e depois de a conquistar prossegue o seu caminho. Deixa para trás as sepulturas dos seus antepassados e isso não o importa. Apodera-se das terras dos seus filhos e isso não o inquieta. Ele considera a terra, sua mãe, e o céu, seu irmão, como objectos que podem ser comprados, saqueados ou vendidos como ovelhas ou miçangas cintilantes. Na sua voracidade arruinará a terra e deixará atrás de si apenas um deserto.

Não sei. Nossos caminhos diferem dos vossos. As vossas cidades ferem os olhos do homem de pele vermelha. Não há lugares calmos nas cidades do homem branco. Não há sítios onde se possa ouvir as folhas a desabrochar na primavera ou o zunir das asas dos insectos. O barulho que tudo domina ofende os ouvidos do homem de pele vermelha. Para que serve a vida se um homem não pode escutar o grito solitário do noitibó ou a lengalenga nocturna das rãs à volta de um pântano ? Sou um homem de pele vermelha e não compreendo, talvez porque os homens de pele vermelha são selvagens e ignorantes. O índio prefere o suave sussurro do vento roçando a superfície de uma lagoa e o perfume do ar lavado pela chuva do meio-dia ou carregado do aroma dos pinheiros.

O ar é precioso para o homem de pele vermelha, porque todas as criaturas partilham a mesma aragem: os animais, as árvores, o homem todos respiram o mesmo ar. O homem branco parece indiferente ao ar que respira. Como um moribundo em prolongada agonia, ele é insensível ao ar fétido. Mas se vendermos as nossas terras, deverás recordar que o ar é precioso para nós, que o ar reparte o seu espírito com toda a vida que ele sustenta. O vento que deu o primeiro sopro de vida ao nosso antepassado recebe também o nosso último suspiro. Se vendermos as nossas terras, deverás conservá-la como um lugar reservado e sagrado, onde o próprio homem branco possa saborear o vento perfumado pelas flores da pradaria.

Assim pois, vamos considerar a oferta para comprar a nossa terra. Se decidirmos aceitar, será com uma condição: O homem branco deverá tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo outros costumes. Eu vi milhares de búfalos a apodrecer na pradaria, abandonados pelo homem branco que os abatia de um combóio em movimento. Eu sou um selvagem que não compreende que o cavalo de ferro fumegante possa ser mais importante do que o búfalo que nós, os índios, matamos apenas para o sustento de nossa vida.

O que seria do homem sem os animais? Se todos os animais desaparecessem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo quanto acontece aos animais não tarda a acontecer ao homem. Todas as coisas estão relacionadas entre si.

Deverão ensinar aos vossos filhos que o chão debaixo dos seus pés é feito das cinzas dos nossos antepassados. Ensinem aos vossos filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. Tudo quanto fere a terra fere os filhos da terra. Se os homens cospem no chão é sobre eles próprios que cospem.

Uma coisa sabemos: a terra não pertence ao homem, é o homem que pertence à terra. Disto temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si.

Tudo o que acontece à terra acontece aos filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a teia da vida, ele não passa de um fio da teia. Tudo que ele fizer à trama, a si próprio fará.

Mas nós vamos considerar a vossa oferta e ir para a reserva que destinais ao meu povo. Viveremos à parte e em paz. Que nos importa o lugar onde passarem os o resto dos nossos dias ? Já não serão muitos. Ainda algumas horas, alguns invernos e não restará qualquer dos filhos das grandes tribos que viveram outrora nestas terras, ou que vagueiam ainda nas florestas. Nenhum estará cá para chorar as sepulturas de um povo tão poderoso e tão cheio de esperança como o vosso. Mas porque chorar o fim do meu povo ? As tribos são constituídas por homens e nada mais. E os homens vão e vêm como as vagas do mar.

Nem o próprio homem branco pode escapar ao destino comum. Apesar de tudo talvez sejamos irmãos, veremos. Mas, nós sabemos uma coisa, que o homem branco talvez venha a descobrir um dia, o nosso Deus é o mesmo Deus. Ele é o Deus dos homens e a Sua misericórdia é a mesma para o homem de pele vermelha e para o homem branco. A terra é preciosa aos olhos de Deus e quem ofende a terra cobre o seu criador de desprezo. O homem branco perecerá também e, quem sabe, antes de outras tribos. Continuem a macular o vosso leito e irão sufocar nos vossos desperdícios.

Mas na vossa perdição brilhareis em chamas ofuscantes acendidas pelo poder de Deus que vos conduziu e que, por desígnios só por Ele conhecidos, vos deu poder sobre estas terras e sobre o homem de pele vermelha. Este destino é para nós um mistério. Não o compreendemos quando os búfalos são massacrados, os cavalos selvagens subjugados, os recantos secretos das florestas ficam impregnados do odor de muitos homens e as colinas desfiguradas pelos fios falantes. Onde está a floresta virgem ? Desapareceu. Onde está a águia ? Morreu. Qual o significado de abandonar os póneis e a caça ? É parar de viver e começar a vegetar.

É nestas condições que vamos considerar a oferta da compra das nossas terras. E se aceitarmos será apenas para ficarmos seguros de recebermos a reserva que nos prometeram. Talvez aí possamos acabar os nossos dias e quando o último homem de pele vermelha tiver desaparecido desta terra, e a sua recordação não for mais do que a sombra de uma núvem deslizando na pradaria, estes lugares e estas florestas abrigarão ainda os espíritos do meu povo. Assim se vendermos as nossas terras amai-as como as temos amado e cuidai delas como nós cuidámos. E com toda a vossa força e o vosso poder conservem-na para os teus filhos e amem-na como Deus nos ama a todos.

Sabemos uma coisa: o nosso Deus é o mesmo Deus. Ele ama esta terra. O próprio homem branco não pode fugir ao mesmo destino. Talvez sejamos irmãos, veremos.



Chefe Seattle
Tribo Duwamish

Poema





De onda em onda vou reerguendo o meu castelo
Ao som das ondas vou revivendo novas esperanças
É no balançar da canoa que sinto o ressurgir da vida
É ao ritmo da canoa que eu vou roubando espaço
ao tempo e reconquistando a minha dignidade

Este é o rugir de um escravo liberto do tronco, mas
não do doce e moderno chicote do ocidente.


Macolele Mwane

Changara


Foto de Carlos Loff Fonseca



Engoliram luas as crianças de Changara
Os olhos delas são pássaros tristes sem voo
que no desespero da fome acumulada
comem estrelas como se fossem grãos de milho.
Quando as sementes secaram nos campos
e o sangue secou nas veias dos rios
e a seiva secou nas veias das plantas
e o sol secou os celeiros da aldeia,
serpentes famintas silvam em volta
do peito cindido. Uma toupeira chora
ao frémito dos imbondeiros. Grave,
arde sobre a erva amarga a dor:
Das luas engolidas pelas crianças
quantas tardará a ecoar nos jornais?



Julius Kazembe
in "Vozes poéticas da lusofonia"

E esta??



Inglês:

Three witches watch three Swatch watches.

Which witch watch which Swatch watch ?


Português:

Três bruxas olham para três relógios Swatch.

Que bruxa olha para que relógio Swatch?




A língua portuguesa pode até ser traiçoeira... mas ninguém me fale em complicação!!

SL Benfica com novo reforço



A Kitanda soube, de fonte segura, que José Veiga depois das últimas exibições do SLB negociou com o Dhaka FC a contratação de um jogador fabuloso.
Possante, com belíssimos pés, sem medo de ir ao choque, polivalente, capaz de enfiar o barrete a qualquer árbitro e igualmente superdotado para o basquetebol !!!

Conseguimos descobrir que a inscrição do novo reforço terá sido feita antes de 31 de Janeiro podendo, por isso, vir a defrontar o FC Porto.
A sua chegada a Portugal está prevista para as vésperas daquele importante jogo em voo charter e exclusivo.
A revelação desta contratação deixou já Pinto da Costa de... trombas!

Ei-lo, o novo reforço encarnado quando, na capital do Bangladesh, fazia a sua exibição perante o director da SAD benfiquista.

Oração para uma ética para o novo milénio


Himalaya, Tibet



"Que eu me torne em todos os momentos, agora e sempre,
um protector para os desprotegidos,
um guia para os que perderam o rumo,
um navio para os que têm oceanos a cruzar,
uma ponte para os que têm rios a atravessar,
um santuário para os que estão em perigo,
uma lâmpada para os que não têm luz,
um refúgio para os que não têm abrigo
e um servidor para todos os necessitados."


Dalai Lama









Oliver Shati & Friends
Himalyan Skies

Pensamento do dia




"Depois de escalar um grande morro, descobrimos apenas que há muitos
outros morros para escalar".

Nelson Mandela

Mbanza Congo / São Salvador










Ricardo Lemvo & Makina Loca
São Salvador

Inch'Allah




Este mapa, no subconsciente de toda a comunidade internacional e sobretudo dos árabes, parece ser a razão próxima disto...



Isto, publicado por um direitista e obscuro jornal dinamarquês...




...nada mais é que um pretexto para todos os falcões da guerra esfregarem as mãos de contentes. Alguns desses falcões foram caricaturados no mundo árabe desta forma...



Há que condenar com toda a convicção a violência e defender com a mesma convicção a democracia e a liberdade de imprensa.
´
Nenhum extremismo, de direita ou de esquerda, ocidental ou árabe, pode colocar em questão o direito de publicar livremente, nem os cidadãos livres de todo o mundo podem deixar de a exigir.

As caricaturas, mesmo estas, não são demonstração de xenofobia. Poderá a publicação, sê-lo?

A auto-censura ou o exemplo «magnífico» que aqui fica, são solução? Não, veementemente!




Alguém, que não os artistas, pretendeu soltar demónios sem saber bem se os poderia conter!

Inch'Allah...

Oxalá,
Queira Deus,
haja o bom senso de pensar... e bem!

Se me quiseres conhecer

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Se me quiseres conhecer,

Estuda com olhos de bem ver

Esse pedaço de pau preto

Que um desconhecido irmão maconde

De mãos inspiradas

Talhou e trabalhou em terras distantes lá do norte.


Ah! Essa sou eu:

órbitas vazias no desespero de possuir a vida

boca rasgada em ferida de angustia,

mãos enorme, espalmadas,

erguendo-se em jeito de quem implora e ameaça,

corpo tatuado feridas visíveis e invisíveis

pelos duros chicotes da escravatura...

torturada e magnífica

altiva e mística,

africa da cabeça aos pés,

– Ah, essa sou eu!


Se quiseres compreender-me

Vem debruçar-te sobre a minha alma de africa,

Nos gemidos dos negros no cais

Nos batuques frenéticos do muchopes

Na rebeldia dos machanganas

Na estranha melodia se evolando

Duma canção nativa noite dentro


E nada mais me perguntes,

Se é que me queres conhecer...

Que não sou mais que um búzio de carne

Onde a revolta de africa congelou

Seu grito inchado de esperança.



Noémia de Sousa
In notícias, 07.03.1958, página “Moçambique 58

conformada frustração...






conformada frustração de todas manhãs e épocas

recalcada pobreza mercantil do destino

repercutindo-se por todos compartimentos que habitamos



um trovão ressoa na memória violento como uma bomba

clarões dispersos renovam na infância sucessivos momentos

no fundo do túnel



um cheiro a palha podre na casa

e insectos rodopiando nas proximidades da impaciência



giram girassóis no vácuo do sonho por cima de toda tristeza

de mãos dadas até às raízes

de tantas noites ao relento

garras e lâminas

suportadas como vento


Momed Kadir

El poema y la geografia

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En los países de Occidente, amiga mía,

el poeta nace libre

como los peces en los extensos mares

y canta

en el regazo de los lagos,

en los prados susurrantes

y en los campos de granados.



... Aquí

el poeta nace en un saco de polvo,

canta a reyes de polvo,

a caballos de polvo

y a espadas de polvo.

Es un milagro

que el poeta convierta la noche en día.

Es un milagro

que plantemos flores

entre asedio y asedio.



Nosotros no escribimos

-como el poeta occidental- poesía,

escribimos, amiga mía,

el acta de suicidio.



Nizzar Qabbani
Tradução de María Luisa Prieto

Quem sou eu?





Hoje sou um corpo sem alma
Que vagueia perdidamente pelas esquinas
dos sonhos impossíveis
Sigo à deriva nas asas pesadas
de um triste condor
No céu dos meus dias abstratos descansam
nuvens cor de chumbo
que esfacelam a dor
No espelho do tempo esqueci de
enaltecer as utopias e
segui uma viagem ao meio do nada
No peito carrego um coração seco e
uma vida abstraída de emoções
Tudo é nada
Abri as portas do infinito do meu ser e
encontrei o vazio
Amanhã não sei quem serei
Ou o que serei!
Não importa!
Tudo é mistério
Quem sabe a terra do nunca habitarei
Lá a felicidade invisível abraçarei e
nos braços das vãs ilusões morrerei!


Zena Maciel

I Am Your Mother



I am your Mother, do you not hear my heart beat,
Can you not feel the love I send;
Was not the air you breathed, my scent so sweet,
Is my pain hard for you to comprehend.


Upon my body snow lays soft and white,
Beneath my skin the future sleeps;
My blood flows to nurture and delight,
Into the ground it deeply seeps.


Mountains tall, clouds wreath my crests,
Rolling hills once wooded thick;
Gentle prairies too were once lush with grass,
Where did my bounty go so quick.


Sandy beaches and rock girded shore,
Where ocean waters sweep and crash;
A land of beauty, once so pure,
Marred by man's actions heedless and rash.


All this beauty was yours to behold,
Your duty was to love, cherish and protect;
Feel my anguish, the pain in my soul,
All I asked was your respect.


I am your Mother.


by Wazi Nagi, 'Pine Tree Soul'