Procuro-te


















Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.

Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.

Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.

Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.

Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.

Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te.


Eugénio de Andrade
in "As Palavras Interditas"

Gosto...






















Gosto de falar de Amor como quem fala das coisas simples da Vida...
Gosto de falar de Amor assim, de forma natural...
Não sei fazer versos bonitos, rebuscados, rimas perfeitas, isso eu não sei...
Mas sei falar de Amor com a simplicidade de quem senta à mesa da cozinha para conversar e tomar uma xícara de chá com torradas ou de quem olha pela varanda agradecendo à Natureza pelo pôr-do-sol...
Simples assim... e tão belo, e tão sincero, como as coisas realmente importantes da vida!
Gosto de falar de Amor e das coisas do cotidiano...
Porque é nelas que eu encontro a grandeza e a felicidade que a Vida me proporciona...
Gestos simples, frases simples...
Um beijo, um olhar, um carinho, uma palavra de afeto, uma atenção em um momento inesperado...
Estes sim, Gestos pequenos e, no entanto, Grandes atitudes...

Gosto...
Simplesmente porque é assim que eu Sei de Falar de Amor...



Carmem L Vilanova

Assim foi... assim será













nuvem galáctica que se dissipa no espaço

se condensa

perde a aura difusa

ganha forma

e se oferece para a vida


silhueta que emerge do horizonte

se define

transforma e muda

a essência da paisagem

miragem materializada


multidão indistinta

com vida mas indefinida

de onde rompes resoluta

fénix renascida

dádiva divina


palavras dedilhadas

de um lugar indistinto

palavras que encontraram palavras

grito de revolta e pedido de socorro

solidão e esperança


intenso e idílico encontro

sentenciado por tantâlico suplicio

apenas a marcha do tempo

a verdade e a resistência

á rudeza do caminho

os libertarão do sofrimento

para o amor


assim foi

assim será



Cacusso