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A rentabilidade do inferno em... discurso directo!


























Imagem daqui





Este testemunho, só assim o posso classificar, anónimo, foi publicado em 07Fev2003, cerca de um mês antes da intervenção anglo-americana no Iraque no site da TSF, quando esta emissora permitia os comentários.

Estava inserido numa notícia em que o ministro Nuno Morais Sarmento, com visível enfado, anunciava, enquanto porta-voz do governo de Durão Barroso a "notável" (como se recordam) medida de Paulo Portas que consistiu na criação do "Dia das Forças Armadas" que passar-se-ia a comemorar a cada dia 24 de Junho.
Penso que o autor deste escrito teve já tempo de se arrepender, pelo menos no que diz respeito ao Iraque, ele e muitos, muitos outros...
Todos quantos foram obrigados a pegar em armas e efectivamente lutar, correr risco de vida, ver matar e morrer, lutar, apesar disso, com honra, de ambos os lados da guerra qualquer que tenha sido a motivação, em todos os teatros de operações sentir-se-ão ultrajados, legitimamente ultrajados...
O depoimento deste comentador anónimo é tristemente relevante... por pôr a nú uma certa maneira muito sui generis como uma parcela significativa da população portuguesa encara (e encarou) a guerra e que, infelizmente, por ter tido eco... fez escola.
O recente encerramento da embaixada portuguesa em Bagdade e o «convulsivo choro» de Marques Mendes a esse respeito, fez-me lembrar, também, este comentário pejado de oportunismo, o mesmo que nos fez embarcar na «cházada» da Lajes e que pretendia garantir para as empresas de construção civil uma fatia da reconstrução do infeliz e devastado Iraque.

Deixo-vos com o depoimento:




"Sou militar reformado em marinheiro da Marinha.
A minha safa foi a Guerra Colonial, e depois o 25 de Abril. Parece contraditório, mas não é.
Até chamarem-me para a guerra, não ganhava muito, as dificuldades eram muitas.
Em bom rigor não houve um chamamento, pois a malta até se matava para ir para lá. Ir para Angola para mim significou (por isso é que nos atropelávamos) receber 10 vezes o que cá recebia. Ou seja, ganhava cá 1700 escudos, e fui lá ganhar durante 6 anos cerca de 17.000 escudos. Era um simples marinheiro, mas ganhava lá mais que cá o ministro da marinha, tudo legal, constava do boletim de vencimento.
Eu e a minha mulher, tinhamos uma bela casa lá posta à disposição pelo Serviço, podia ir a toda a hora à cantina. Foram 6 anos de poupança total.
Guerra, nem vê-la. A única que em que combati foi para poder ser chamado para Angola, mudar a minha vida. E como eu, muitos outros. Podem crer que nos matávamos todos para pôr lá os pés ! Todos queríamos o mesmo !
E hoje é a mesma coisa quando há lugares para a Bósnia, Timor, ou outro lado qualquer. Até chovem cunhas !
Combati e vi combater numa terrível guerra: a guerra das cervejas (as cucas), envolvendo brancos, pretos e mestiços lá na cantina do serviço. Boas amizades então se faziam…
Entretanto, deu-se o 25 de Abril. Eu pensava que a mama acabou.
Mas veio o Vasco Gonçalves e aumentou a malta para o dobro, porque não faltou gente a chorar que a guerra era um inferno ( « nem mais um soldado para as colónias » ).
E ainda, como vi tantos colegas a choramingar e a fazer o mesmo, falei com um médico que me arranjou os papéis, e estou desde então dado como deficiente. Até vale bem a pena porque pago muito menos de IRS, e o carro que comprei no ano passado ficou-me muito barato, já que a minha deficiência justificou a isenção de imposto automóvel. Razão tinha esse médico, em dizer-me que só se eu fosse parvo é que não me dava como deficiente das forças armadas.
Lembro-me da frase do Doutor : « não sejas parvo, o Estado logo te agradece ! ». E ao que oiço, existem 400.000 ex-combatentes como eu que fizeram o mesmo. E agora o Paulo Portas ainda quer aumentar os Ex-combatentes, eu pelo sim pelo não já meti os papéis !Com o dinheiro que trouxe de Angola (para lá não levei nenhum) comprei 2 andares a pronto pagamento, e um automóvel novinho em folha, tudo dinheiro na mão. Nunca fiquei a dever nada a ninguém. E por isso nunca fui a um Banco pedir um tostão que fosse. Sempre detestei fazer figuras tristes. Reformei-me com 39 anos de idade, no auge da minha saúde. Os anos de Angola contaram a dobrar para a reforma. Fiquei logo com a reforma, e assistência médica e medicamentos á borla. Tretas ? Nem pensar !
Fui e sou um homem honesto, não devo nada a ninguém. Fiz o que fizeram muitos e muitos colegas do quadro, só que assumo ! Nunca pedi nada a ninguém, limitei-me a cumprir ordens dos meus superiores hierárquicos, como bom militar que sempre fui. Até a história dos papéis da deficiência, foi uma imposição de um médico capitão de fragata. Toda a unidade já tinha o papel, menos eu, não podia ser… Passo hoje o meu tempo numa pequena quinta que tenho perto do Azeitão, entretido na horta e nos jardins.
Mas o melhor tempo que passei foi em Angola. Nunca fui um retornado, porque fui lá destacado para ir ganhar o meu ! E como eu tantos e tantos outros colegas.
Apesar de mais velho, ainda estava capaz, eu e a minha mulher, de ir para o Iraque !"

Mais um tirano morto...

























O ás de espadas juntou-se a Pinochet.

O último não pagou pelos crimes, o primeiro não pagou por todos os que cometeu.

Pinochet teve todo o apoio americano, como se sabe, Saddam Hussein é, só, mais um triste exemplo da política americana. Em comum, o facto de serem ditadores cruéis, criados pelos demiurgos do Pentágono, com a benção de Washington.

Estranho (ou talvez não) que os paladinos da democracia se envolvam com este tipo de escroques...

Saddam foi «inventado» pelos americanos que o ajudaram e a quem foi concedido todo o apoio e garantias (excepto a que reservaram para si - a impunidade perante o TPI) para que cometesse todos os crimes hediondos por que acabou de ser acusado e condenado.

Saddam sacrificou, pelos interesses americanos, contra os ayatolah iranianos centenas de milhares de jovens e, para conter revoltas contra a impopularidade da guerra, com o silêncio (na altura) do amigo americano gaseou curdos e cometeu atrocidades como as de Dujail.

Para o «desinventarem» necessitaram do monstruoso embuste das Armas de Destruição em Massa, de acenarem com o seu amancebamento com Bin Laden e, por fim, brindaram-no com um julgamento que a maioria dos peritos afirma não ter sido justo.

Para variar, terão neste processo criado mais um mártir ao invés de deixarem uma «carta que já estava fora do baralho» apodrecer na cadeia.

A morte de Saddam não resolve nada e pode criar condições para que a situação piore.

A nossa condição de ocidentais e de portadores, orgulhosos, de valores civilizacionais que valorizam e salvaguardam o valor da vida humana obrigam-nos a que não nos não calemos perante esta execução.

Ler mais sobre o assunto aqui, aqui ou aqui.

Sem comentários

Imagem daqui

As pérolas que se guardam!!


IRAQUE
Bush telefonou a Durão Barroso
O presidente norte-americano telefonou, esta quinta-feira, ao primeiro-ministro português. George W. Bush transmitiu a Durão Barroso os últimos desenvolvimentos da crise no Iraque. ( 19:34 / 06Mar )


Sexta-feira, 07/03/2003 às 21:55

AVISO
"QUEM CONVERSA COM O GUARDA-FREIO TORNA-SE MORALMENTE RESPONSÁVEL PELOS ACIDENTES QUE CAUSAR"

(CARRIS, distico antigo existente nos eléctricos)

...faça-se a transposição para a actualidade...seja o guarda-freio BUSH, seja Durão o passageiro inconveniente...TIREM-SE AS DEVIDAS ILAÇÕES!!!!

ADM no Iraque


Encontradas, finalmente!!
.. Posted by Hello

The Faces of 1,000 Soldiers

The Faces of 1,000 Soldiers.


No comments!! Posted by Hello

Lição de história na Kitanda


Do tempo em que a TSF assumia a livre expressão de ideias: http://tsf.sapo.pt/online/internacional/interior.asp?id_artigo=TSF112386 Posted by Hello