As muralhas da Noite
sexta-feira, setembro 09, 2011

A mão ía para as costas da madrugada
As mulheres estendiam as janelas da alegria
onde não se apagavem as alegrias
Entre os dentes do mar acendiam-se braços
Os dias namoravam sob a barca do espelho
Havia uma chuva de barcos enquanto o dia tossia
E da chuva de barcos chegavam colchões,
camas, cadeiras, manadas de estradas perdidas
onde cantavam soldados de capacetes
para pintar no coração da meia-noite
Eram os barcos que guardavam as muralhas
da noite que a mão ouvia nas costas
da madrugada entre os dentes do mar...
João Maimona








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