terça-feira, maio 18, 2010
Cacusso

ela tem uma ave nos contornos de mulher
e me vê com as escleróticas em fuga.
deixa-se ir ao tempo com um corpo de navio
enche a embala com o seu todo.
ela emergiu da “casa inabalável”
e victoriosa depôs o soba.
rendo-me à vassalagem quero-a solta e rica.
certo ou incerto os sonhos errados
tornam-se vivos: como um compêndio de
mil escrituras no amor que gesticulo.
João Tala
terça-feira, dezembro 29, 2009
Cacusso
Foto de Alexander Vassilenko, via "O Jumento"
ela tem uma ave nos contornos de mulher
e me vê com as escleróticas em fuga.
deixa-se ir ao tempo com um corpo de
enche a embala com o seu todo.
ela emergiu da “casa inabalável”
e victoriosa depôs o soba.
rendo-me à vassalagem quero-a solta e rica.
certo ou incerto os sonhos errados
tornam-se vivos: como um compêndio
mil escrituras no amor que gesticulo.
João Tala
quinta-feira, junho 18, 2009
Cacusso

Não é difícil arrumar um poema
que te leve aos poucos para a enorme noite;
ter-me-ás de novo. Boa sorte.
E a lua próxima de ti.
Fogo contigo. Os luares enchem-te o corpo.
Divindades e mãos masculinas abrem-te conchas.
E os frutos prestes a encher a terra.
Não cairás porque o chão aproxima-se de ti;
como fruto ofereces-te à terra.
Prestes a abrir-se o poemário. O pomar.
O pêndulo: as mamas em pertubação.
Repetes o torpor do clímax. Não me ouves?
As mãos acumulam orgasmos contadinhos,
entrego-tos como vinho beberás
tardes tropicais iguais à sobrevivência;
tardes que povoam de emgriaguez um mundo
e o fundo da época. Tardes de brasa
em teu fundo frio.
João Tala
domingo, março 15, 2009
Cacusso

É um compêndio o amor caminho de muitas coisas.
Tem coisas novas e outras tão velhas
como são os ventres de raparigas aos estertores;
como o amor de Neto e os suspiros de Eugénia.
Rimas perdidas – não mais a casa da Rima
onde escolhesse uma embriaguez e matutasse
às cores do
divume. Sobre esta pedra que
não para de pensar porque estou sentado nela
e ela me tem como a um esposo, sobre esta pedra
concluo a noite.
O amor é a nocturnidade é um compêndio solto.
Qualquer que seja a página que rasgue da noite,
o amor sangrará.
Este é longo caminho e metade de mim mesmo.
“Sabes o que é o amor?”
Quem responderá quem fortalece sua própria insónia?
Todo este tempo que amei é uma insónia.
João Tala
domingo, novembro 23, 2008
Cacusso
Foto de "Angola em fotos"
Dos teus medos desliza a serpente nativa
esta se ausenta dos nossos murmúrios
e o seu rasto cega-nos.
Nesse pasto cheguei depois de ti
e já o mundo perdido, amava.
Canções do corpo suspiravam
de atentos tambores urdidos no esquecimento.
Os frutos insaciáveis repartidos em nós
e o hino húmido de palavras que nos excitam
são palavras desafortunadas,
comemo-las e fenecemos.
O paraíso era apenas uma ideia
que ainda nos deixa de bocas aguadas.
Por agora busque-me, contigo moverei
a serpente nativa.
João Tala
terça-feira, maio 13, 2008
Cacusso

É um compêndio o amor. Caminho de muitas coisas.
Tem coisas novas e outras tão velhas
como são os ventres de raparigas aos estertores;
como o amor de Neto e os suspiros de Eugénia.
Rimas perdidas - não mais a casa da rima
onde escolhesse uma embriaguez e matutasse
às cores do divumu. Esta pedra que
não para de pensar porque estou sentado nela
e ela me tem como a um esposo, sobre esta pedra
concluo a noite.
O amor é a nocturnidade é um compêndio solto.
Qualquer que seja a página que rasgue da noite,
o amor sangrará.
Este é o longo caminho e metade de mim mesmo.
- Sabes o que é o amor? -
Quem responderá quem fortalece sua própria insónia?
Todo este tempo que amei é uma insónia.
João Tala
segunda-feira, novembro 12, 2007
Cacusso

Dou aos meus versos a sonolência dos teus gemidos
porque não encontrei outra mulher que me aguardasse
com o pote d’orvalhos viçosos:
manhãs de água se levantam no ímpeto
nutres as peles de meus tambores na humanidade
para não mais esquecer as vogais despertas da erosão
desde o primeiro calvário ao hímen nucleado
que estendias nos meus braços de fome.
João Tala
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Cacusso

Tomei dessa mulher os braços,
a medida das pernas, o
pensamento;
um rosto africano
um busto de rapariga
corpo de líricas
coisa alguma entre
as mãos
ela é húmida e gratuita
faz-me encher o sermão
habita entre as minhas palavras
como a memória que anoitece
e, dos meninos que lhe nascem na língua
das grandes colheitas na nudez espiritual
marca-me a idade do sonho: cresço
e me abismo da história.
sonho a íris a estrela nas suas órbitas
e vivo desse sonho que habita a profundidade
como d’águas que se debruçam
na profundidade
dessa incriação masculina
onde rescrevi os pés.
João Tala