quinta-feira, junho 18, 2009
Cacusso

Os mortos não dormem são quissanjes
de profundos teclados em repouso
Atravessam levemente o rio
da eternidade e a sua voz levita e é o maximbombo
de um certo munhungo extraterrestre
Discam os signos da noite
nas grandes mansões em que sonhamos
Os mortos não dormem caminham
connosco vivendo a vida que esquecemos
José Luís Mendonça
quinta-feira, outubro 30, 2008
Cacusso

-Umbanda wamela okuha.
(O feitiço da boca é o silêncio)
Sentado na Kitanda o tempo é um
cavalo a trote na arquitectura
futurista do meu pensamento
Diria para o Tirso, ó meu santo
este café na baixa e um bagaço
fazem da Kitanda um paraíso
Diria mesmo que no céu há peixes
que também toma café estrangeiros
em busca de uma Sagrada Esperança
diria se o vento não soubesse
que o feitiço da boca é o sinal
de silêncio na pele do tempo
(Tomando café na Kitanda das Letras com o Lopito)
José Luís Mendonça
sábado, setembro 22, 2007
Cacusso

Beijo o teu rosto, Luanda,
malar vigília de pássaros
estrangulados
cheira a crepúsculo e água
teu sexo aberto
ao gume dos astros
ó tambor do sangue
espuma de um
tempo de metal à proa
que mãos
te alijam o som
de asas sob a terra
José Luís Mendonça
domingo, outubro 29, 2006
Cacusso

O movimento da luz aquece
as paredes de vidro do teu coração
deixa-me dizer-te outra vez
o mágico sopro das calemas
de oiro em brasa no ouvido
teia de sol batuque de saliva
de um deus perfeito que constrói
a sinopse de prata do teu útero
à sombra das folhas do tabaco
deixa-me escutar outra vez
de oiro em brasa no ouvido
o teu perfume de jibóia sobre a nuca.
José Luis Mendonça
domingo, outubro 22, 2006
Cacusso

Blusa cor de rosa
sobre o ondular marítimo
da tua pele negra
Blusa cor de aves úberes
em voo alísio
nos olhos profundos da mãe-Terra
Blusa cor de rosa
vela enfunada pela anémona
dos teus seios feiticeiros
onde a minha boca
como uma onda quer
in loco mover-se.
José Luís Mendonça
sábado, janeiro 14, 2006
Cacusso

O movimento da luz aquece
as paredes de vidro do teu coração
deixa-me dizer-te outra vez
o mágico sopro das calemas
de oiro em brasa no ouvido
teia de sol batuque de saliva
de um deus perfeito que constrói
a sinopse de prata do teu útero
à sombra das folhas do tabaco
deixa-me escutar outra vez
de oiro em brasa no ouvido
o teu perfume de jibóia sobre a nuca.
José Luis Mendonça
terça-feira, abril 12, 2005
Cacusso

Feiticeiro, do
Anomalias 
Subsaarianos somos
sujeitos subentendidos
subespécies do submundo
subalimentados somos
surtos de subepidemias
sumariamente submortos
do subdólar somos
subdesenvolvidos assuntos
de um sul subserviente
José Luís Mendonça(Chuva novembrina)Lembrei-me deste poema depois de ter lido
isto no excelente
Pululu.