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os mortos não dormem
























Os mortos não dormem são quissanjes
de profundos teclados em repouso
Atravessam levemente o rio
da eternidade e a sua voz levita e é o maximbombo
de um certo munhungo extraterrestre
Discam os signos da noite
nas grandes mansões em que sonhamos
Os mortos não dormem caminham
connosco vivendo a vida que esquecemos


José Luís Mendonça

O feitiço da boca



















-Umbanda wamela okuha.
(O feitiço da boca é o silêncio)

Sentado na Kitanda o tempo é um
cavalo a trote na arquitectura
futurista do meu pensamento

Diria para o Tirso, ó meu santo
este café na baixa e um bagaço
fazem da Kitanda um paraíso

Diria mesmo que no céu há peixes
que também toma café estrangeiros
em busca de uma Sagrada Esperança

diria se o vento não soubesse
que o feitiço da boca é o sinal
de silêncio na pele do tempo


(Tomando café na Kitanda das Letras com o Lopito)



José Luís Mendonça

De asas sob a terra


















Beijo o teu rosto, Luanda,
malar vigília de pássaros
estrangulados

cheira a crepúsculo e água
teu sexo aberto
ao gume dos astros

ó tambor do sangue
espuma de um
tempo de metal à proa

que mãos
te alijam o som
de asas sob a terra



José Luís Mendonça

O mágico sopro das calemas





















O movimento da luz aquece
as paredes de vidro do teu coração
deixa-me dizer-te outra vez
o mágico sopro das calemas
de oiro em brasa no ouvido
teia de sol batuque de saliva
de um deus perfeito que constrói
a sinopse de prata do teu útero
à sombra das folhas do tabaco
deixa-me escutar outra vez
de oiro em brasa no ouvido
o teu perfume de jibóia sobre a nuca.



José Luis Mendonça

Blusa cor de rosa



























Blusa cor de rosa
sobre o ondular marítimo
da tua pele negra

Blusa cor de aves úberes
em voo alísio
nos olhos profundos da mãe-Terra

Blusa cor de rosa
vela enfunada pela anémona
dos teus seios feiticeiros

onde a minha boca
como uma onda quer
in loco mover-se.



José Luís Mendonça

o mágico sopro das calemas





O movimento da luz aquece
as paredes de vidro do teu coração
deixa-me dizer-te outra vez
o mágico sopro das calemas
de oiro em brasa no ouvido
teia de sol batuque de saliva
de um deus perfeito que constrói
a sinopse de prata do teu útero
à sombra das folhas do tabaco
deixa-me escutar outra vez
de oiro em brasa no ouvido
o teu perfume de jibóia sobre a nuca.


José Luis Mendonça

Subpoesia


Feiticeiro, do Anomalias Posted by Hello


Subsaarianos somos
sujeitos subentendidos
subespécies do submundo

subalimentados somos
surtos de subepidemias
sumariamente submortos

do subdólar somos
subdesenvolvidos assuntos
de um sul subserviente


José Luís Mendonça
(Chuva novembrina)

Lembrei-me deste poema depois de ter lido isto no excelente Pululu.