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Lisboa perto e longe




1972, São Salvador do Congo, nesta altura do ano.
Na rubrica de "Discos Pedidos" a Rádio Voz do Zaire transmitiu a meu pedido esta belíssima canção de José Cid.
Era novo, a saudade do Puto ainda mordia...

"Aqui Portugal, Estado de Angola, de São Salvador transmite a Rádio Voz do Zaire" (Rádio Xifuta, na versão sarcástica dos estudantes da secção do Liceu Salvador Correia de Sá)

Na versão original a interpretação vocal era apenas de José Cid.
Curioso é o facto de esta versão integrar a voz e as violas de Waldemar Bastos, nascido em 1954, justamente em M'Banza Congo, ex-São Salvador do Congo.

Mbanza Congo

São Salvador / M'banza Congo






I celebrate the glorious past of the kingdom of Kongo.
A paradise that thrived in the XV century in the heart of Africa....
I cry for my people who were taken across the big river on a journey of no return....
And I pay homage to the brave warriors who fought to liberate my homeland
São Salvador.



Eu vou celebrando
Através do meu canto
A história gloriosa
Do reino do Kongo

Eu vou celebrando
Através do meu canto
A história romantica
Do reino do Kongo

Era um paraíso
Que próspero no século quinze
Situado em uma região formoza
No coração da Africa

Oh Mbanza Kongo
São Salvador querido
Oh Mbanza Kongo
Es meu paraíso

São Salvador
Kongo dia Ntotila
Eh Mbanza Kongo
Mbanza velela

Hoje presto homenagem
Aos guerreiros valentes
Que lutaram para libertar
A minha terra São Salvador

Que lutaram para libertar
A nossa terra Mbanza Kongo

Pátria querida
Através dos anos
Você passou por tantas tragedias
Seus filhos foram capturados
E vendidos como escravos

Hoje choro
Choro por mi'a gentes
Que foi levada
Para o outro lado do grande río
Em uma viagem sem volta

Separada de sua familia e sua terra
Mas a pezar de tudo
Nosso espirito nunca morreu
Santa Beatriz Kimpa Vita
Escutamos sua voz


Ricardo Lemvo

Apelo de Mbanza Congo

Vamos todos ajudar!

Grande trabalho fizeram e fazem os padres capuchinhos em Mbanza Congo!
Para continuarem a fazer necessitam ajuda.

Vamos a isto!

Grandes professores e grandes homens ali estiveram e ali formaram.
Foram meus professores os Padres Fabiano e Fabio.
Não os esqueci.

M'Banza Congo













A minha memória de Mbanza Congo, em 1972




Mbanza Congo regressou aos títulos de 1ª. página... infelizmente pelas piores razões.
O acidente com um Boeing 737 vitimou seis pessoas.
Apenas um milagre poderá terá impedido que mais mortes ocorressem.
Ainda bem que há... milagres!
A minha solidariedade para com os familiares das vítimas do acidente.
















M'banza Congo é e será sempre um marco fundamental na minha vida.
O acidente trouxe-me á memória características únicas daquela pista, daquela lindíssima cidade e daquele povo portentoso e amigo.

O meu baptismo de voo aconteceu num voo de Luanda para Mbanza Congo, então São Salvador do Congo.























Um «enorme» DC3 da DTA, antecessora da TAAG levantou do Aeroporto Craveiro Lopes, hoje 4 de Fevereiro, escalou Ambriz, Ambrizete, Santo António do Zaire seguindo depois para São Salvador, antes de rumar a maquela do Zombo e regressar finalmente a Luanda.
Uma viagem inesquecível.

Recordo desse tempo as dificuldades que aeronaves de grande porte tinham para ali operar. O avião maior que por ali aterrava era o famoso «Barriga de Ginguba» - o Nord Atlas, militar.
Aviões de escala da DTA não recordo, ali, outro que não fosse o Dakota.

Lembro que a capital da Província do Zaire era, na altura, uma pequena cidade do interior, ameaçada pela guerra que não raramente passava não muito longe dos seus horizontes.

Rodeada de arame farpado por todos os lados, a sua extensão máxima correspondia, grosso modo, ao comprimento da sua pista de aviação - curta e estreita.

A «aerogare» não existia e todo o processo burocrático ligado ás viagens era efectuado numa loja de uma vivenda contígua á pista - a Casa Verde.

A pista do aeroporto tinha, no início da década de 70, características muito especiais. Dividia a cidade em duas, estando de um lado a «cidade branca» e do outro a «cidade negra», a sanzala.

Esta pista era talvez uma das únicas pistas onde de um lado para o outro da cidade circulavam livremente pessoas e veículos. Essa passagem situava-se junto ao CRESSA (Clube Recreativo de São Salvador).

O relato do acidente agora ocorrido recorda-me que um avião com a envergadura do DC3 passava com a ponta das asas sempre muito perto das casas, fossem elas, na altura instalações militares, a Missão Católica, a Catedral de São Salvador... ou as humildes casas de adobes de muitos amigos.
Qualquer incidente nestas circunstâncias pode tornar-se catastrófico.




Não me parecendo, pelos relatos que tenho, que a estrutura urbana á volta da pista se tenha alterado, mesmo que, como se sabe tenha sido melhorada e eliminada a tal passagem, fácil é admitir que uma pequena falha, tenha ela a origem que tiver, ponha em perigo a segurança da aeronave e de toda a zona urbana que ladeia a pista.


Admitir que aeronaves como a que agora sofreu o acidente escalam aquela pista assiduamente, por melhores que hoje sejam as condições, é sem dúvida uma proeza humana dos pilotos da TAAG!

Confesso que, mesmo antes do acidente, se me dissessem para regressar a Mbanza Congo num Boeing 737, o faria de imediato, sem pestanejar. Mas que, até aterrar em segurança, estaria absolutamente espectante quanto á possibilidade do «monstro» conseguir ali pousar, creiam que estaria...


Assisti, ali, a DC3 tentarem a aterragem e terem que abortar o processo, fazendo razante á pista, em aceleração muito próxima do Hospital Provincial, não muito longe do limite da pista, na altura assinalada com metades de bidãos de 200 litros.

A perigosidade daquela pista, fica patente na imagem de um outro acidente ali ocorrido em 1994, provavelmente por motivos idênticos, com um Boeing 727 da TransAfrik.




















Qualquer que seja o avião, quaisquer que sejam os riscos... aí voltarei, estou certo!

Mbanza Congo








Mbanza Congo, um espaço a surgir em breve.

Mbanza Congo


























Mbanza Congo, 2000
Obra de Dília Fraguito, aqui

Mbanza Congo / São Salvador










Ricardo Lemvo & Makina Loca
São Salvador

Raio de clima, o europeu, onde não chove quando faz calor!

Esta exclamação da IO lembra-me a primeira noite que passei em Luanda no regresso a Angola.

Havia sido um dia cheio de emoção... Todas as palavras aqui me parecem inexpressivas para descrever esse regresso.
Um dia feliz que começara na véspera... Um dia de 48 horas!
Cansado e tranquilo adormeci.
A meio da noite, subitamente, um barulho ensurdecedor...
Abri os olhos, vi os raios iluminarem o quarto, a chuva a cair impiedosamente...
«Rebobinei o filme»... perguntei-me onde estava, obtive como resposta Luanda...
Considerei de imediato a situação normal, voltei-me para o outro lado, sorri e voltei a dormir...
Sonhei que estava na varanda de minha casa, 23 anos antes, em Mbanza Congo e assistia, sobre o vale do Rio Lueje, a um dos mais belos e poderosos espectáculos da natureza - uma trovoada em África!
De manhã, ao levantar-me, deparou-se-me isto...
Fabuloso!












São Salvador


Mbanza Congo Posted by Hello


I celebrate the glorious past of the kingdom of Kongo.
A paradise that thrived in the XV century in the heart of Africa....
I cry for my people who were taken across the big river on a journey of no return....
And I pay homage to the brave warriors who fought to liberate my homeland
São Salvador.


Eu vou celebrando
Através do meu canto
A história gloriosa
Do reino do Kongo

Eu vou celebrando
Através do meu canto
A história romantica
Do reino do Kongo

Era um paraíso
Que próspero no século quinze
Situado em uma região formoza
No coração da Africa

Oh Mbanza Kongo
São Salvador querido
Oh Mbanza Kongo
Es meu paraíso

São Salvador
Kongo dia Ntotila
Eh Mbanza Kongo
Mbanza velela

Hoje presto homenagem
Aos guerreiros valentes
Que lutaram para libertar
A minha terra São Salvador

Que lutaram para libertar
A nossa terra Mbanza Kongo

Pátria querida
Através dos anos
Você passou por tantas tragedias
Seus filhos foram capturados
E vendidos como escravos

Hoje choro
Choro por mi'a gentes
Que foi levada
Para o outro lado do grande río
Em uma viagem sem volta

Separada de sua familia e sua terra
Mas a pezar de tudo
Nosso espirito nunca morreu
Santa Beatriz Kimpa Vita
Escutamos sua voz


Ricardo Lemvo






25 de Abril

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25 de Abril de 1974… estava em São Salvador do Congo (hoje Mbanza Congo), dia cinzento que adivinhava já a chegada do cacimbo. Estava a estudar, sozinho, na antiga capital do Reino do Congo, os meus pais e a minha irmã estavam em Ambrizete (hoje Nzeto).
Dia de aulas perfeitamente normal mas, a meio da manhã, começou a sentir-se no ar algum nervosismo.
A maioria dos professores(as) eram ou ex-militares ou esposas de militares e por isso tiveram cedo acesso a algumas notícias «desencontradas» que algo de anormal se passava na metrópole…
Á tarde a notícia corria célere…mas ninguém se arriscava a confirmar nada.
Como à IO, foi da rádio sul africana que foram chegando notícias que confirmavam não apenas o movimento mas a sua vitória.
Intimamente uma imensa alegria…. Uma esperança sem fim que tudo iria melhorar para todos.
Com o golpe de estado iriam embora os receios do antigo senhorio, na longínqua Brandoa, que em surdina vociferava, perante a bonomia do meu pai, contra Salazar… ou acabavam os receios do que pudesse ser dito aquando da visita daquele nosso vizinho, nos Olivais dessa distante Lisboa.
Ficariam longe as noites de Natal em que haveria prevenção rigorosa em vez de haver ceia com bacalhau, como ficariam longe igualmente as recordações de noites que, em vez de passadas a desembrulhar um ou outro livro de presente, as passei «a brincar» com uma G3 na mão, porque de Brazzaville a rádio, em ondas curtas, ameaçava, como sempre, o ataque fulminante a São Salvador, embora ninguém acreditasse nisso.
Assim, em zona de guerra, onde se ouve tudo e mais alguma coisa, não era segredo para ninguém, nem para um puto de 16 anos, que de um modo ou outro algo teria que acontecer.
Há cerca de dois anos que se falava com certo á vontade na possibilidade de Angola se libertar da metrópole, aceder á independência tornando Nova Lisboa (Huambo) sua capital.
Recordo que no dia seguinte, antes da primeira aula, a turma resolveu arranjar um emblema… e desenhá-lo no quadro! Que bela bronca ouviu o Cacusso por isso e sobretudo por ter integrado na sua composição estrelas de 5 pontas…
Recordo, e lamento ter perdido, as primeiras cartas (aerogramas) que troquei com o meu pai, então comandante da Esquadra da PSP em Ambrizete. Eu, eufórico pelos acontecimentos… ele, desconfiado e contundente com os militares afirmando que «nunca fazem nada de jeito, nem a marcar passo…»
Vindo dele e sendo representante de uma estrutura que sempre nutriu, mesmo que em surdina, um ódio de estimação aos militares, por entenderem ser a corporação uma polícia com características cívicas e não militares… não dei importância, mas registei, claro.
Vi, empolgado, emocionado e com «pele de galinha» no ecran do CRESSA (Clube Recreativo de São Salvador) as imagens do primeiro 1º. de Maio que nunca mais ninguém esqueceu.
E tive esperança… por mim, por todos e sobretudo por todos aqueles que me rodeavam, colegas e amigos, porque tornou-se óbvio para todos que a guerra, de um modo ou de outro, teria os dias contados.
Tive esperança. sobretudo por eles… o meu caminho, a curto prazo, já sabia não passar pela continuação em Angola. A comissão do «velhote» estava a terminar e o regresso acabou por acontecer em Setembro de 74.
Todos tínhamos esperança que a emancipação de Angola ocorresse longe de outros exemplos vizinhos.
A madrugada de 25 de Abril serviu para podermos sonhar…
E sonhámos!
E idealizámos!
E construímos!
Por entre sonhos e pesadelos, muito foi realizado…
Houve feridas abertas… incompreensões…
Responsabilidades assumidas e outras alijadas…
Responsabilidades ás consequências e não ás causas…
Houve dores de «crescimento».
Mas... valeu a pena!
Viva o 25 de Abril!

Deixem-me «basar» daqui para fora!

Perante o espectáculo degradante a que somos (já) obrigados, aqui em Portugal, a assistir a cada momento que passa, nada como «emigrar» daqui para fora.
Virtualmente...
Regressar a Mbanza Congo ou a Luanda.
Viver locais e pessoas que podiam, com plena justificação, fazer o discurso do desgraçadinho e da auto-comiseração e que, contudo, lutam a cada segundo que passa pela vida.
Perante as dificuldades inventam soluções novas para problemas cada vez mais dramáticos.
Um dia serão grandes entre os povos...
Nós vamos continuar a debater-nos com a pena que temos de nós.
Não precisamos ter a riqueza de Angola, bastará que venhamos a ter a organização social do mais pequeno e mais rico país da Europa - o Luxemburgo.
O nosso destino de cegos está intimamente ligado áqueles que apenas têm um olho!!
Infelizmente!

Baptismo de voo


DC-3 (Dakota), DTA, Junho de 1972 Posted by Hello

Refeição frugal... 1 vomidrine.
Aeroporto de Luanda para uma viagem inesquecível por ser a primeira e por ser em Angola.
Voo doméstico que nestes aviões proporcionava durante toda a viagem uma imensa montanha russa pelos inúmeros poços de ar.
O primeiro contacto com o ar e com as paisagens fantásticas de África.
Felizmente coube-me a sorte de ter apanhado o voo que para S. Salvador (Mbanza Congo) fazia a rota maior.
Ambriz... Ambrizete (Nzeto)... Santo António do Zaire (Soyo)... e São Salvador, finalmente.
Uma pista curta, avermelhada... com cidade de um lado e outro e onde, ao menor discuido as asas do DC-3 entram dentro da Missão... situação muito bem descrita em Onde a Lua Anda pela amiga Ana que ali esteve há muito pouco tempo.
Voltarei um dia.
Não sei se nas asas de um DC-3... mas voltarei!

Esquecimentos...


Vem esta imagem um pouco a propósito do comentário à Lição de Latim da Kitanda publicado por Loopings.

Remete-me para 22 anos atrás em S. Salvador do Congo (Mbanza Congo). Frequentava a secção local do Liceu Salvador Correia de Sá no 1º. ano do CG dos Liceus (antigo 3º. ano).

O meu pai era, na época, o Chefe da Esquadra local da PSP.

Provenho de família rural do interior norte do país, habituados a poupanças e sacrifícios. No entanto, para a disciplina de desenho foi-me comprado o estilete da foto, um «Ferrari» da matéria se assim se pode dizer...

Foi adquirido em Luanda juntamente com outro «ferrari» igual para um colega de turma - o Joaquim Teixeira. Na turma apenas os dois possuíamos este material.

O que é interessante na história é que, quer o meu pai, quer o pai do Quim utilizavam, ao serviço da Esquadra o nosso material de desenho.

Um dia, o meu «Ferrari» surpreendentemente desapareceu... Vasculhei a casa toda e do estilete, nem sinal!! Fiquei a aguardar que a minha memória me auxiliasse a descobrir o seu paradeiro...

O tempo passava e nada!!

Um dia o meu pai precisou na Esquadra do estilete... Dou-lhe uma tanga e vou a casa do Quim, apressadamente, pedir emprestado o dele para dar ao meu pai...

O tempo foi decorrendo e do estilete nem rasto...
Provavelmente o único estilete da cidade passava da minha mão para a do Quim, dependendo das nossas necessidades e das dos nossos pais.

Até que um dia aconteceu o inevitável... O pai do Quim e o meu precisaram simultaneamente de estiletes...

Bom... estava em casa quando o Land-Rover da Polícia estacionou á porta de casa com o guarda, de Vinhais, que não recordo já o nome, me pediu que o acompanhasse.

Calculam, por certo, o que me aconteceu... Chamado á Esquadra em «carro fardado» pelo próprio pai para dar conta do estilete desaparecido!!!

Fiquei com a humilhação... e a recordação, para todo o sempre, que não adianta tapar o sol com a peneira.

E o estilete??

Provavelmente um mês depois, um dos colegas com quem habitualmente estudava em grupo, um colega africano, fantástico companheiro de nome Simba, apareceu-me á frente, com um objecto esguio...a agradecer-me o empréstimo que lhe tinha feito...
Era o meu «Ferrari»!!

Deitei as mãos á cabeça... sorri com desportivismo!

O Simba demorou tanto a entregar-me o estilete que, lamentavelmente, a tinta da china tinha secado no seu interior e tinha-o inutilizado para todo o sempre...

Não lamento nenhuma das consequências que o meu esquecimento provocou nem o facto de se ter danificado.

E o que tem isto a ver com o «post»?? Tudo - não indiquei, por desconhecimento, o autor...

Espero que os confrades do Loopings... não me levem igualmente á Esquadra!!

ehehehehehhe

Posted by Hello


Igreja de S. Salvador do Congo (Mbanza Congo) Posted by Hello