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Oh, mamy blue





Início dos anos 70.
Todos os dias António Sala colocava esta música no ar.
Cerca das 07:30.
Não saía de casa, nos Olivais, a pé, para percorrer o caminho até á Afonso Domingues sem a ouvir.

Imaginem aqueles dias de Janeiro, solarengos e extremamente frios...
Capa com os livros, como hoje se não usa, debaixo do braço... e o trautear da música.

Talvez venha desta música e deste tempo o gosto por músicas que "enchem o peito", que puxam pelo lado positivo, que empolgam.

Oh, mamy blue!

Hoje recordo-a e tento ganhar novo alento para enfrentar duríssimas batalhas que se perfilaram há muitos, muitos anos no horizonte.

Tal como São Jorge, também hei-de vencer o dragão.
Não precisarei da sua lança, apenas da sua inteligência, da sua coragem e da sua perseverança... e de um "hino" como... Mamy blue

Lisboa perto e longe




1972, São Salvador do Congo, nesta altura do ano.
Na rubrica de "Discos Pedidos" a Rádio Voz do Zaire transmitiu a meu pedido esta belíssima canção de José Cid.
Era novo, a saudade do Puto ainda mordia...

"Aqui Portugal, Estado de Angola, de São Salvador transmite a Rádio Voz do Zaire" (Rádio Xifuta, na versão sarcástica dos estudantes da secção do Liceu Salvador Correia de Sá)

Na versão original a interpretação vocal era apenas de José Cid.
Curioso é o facto de esta versão integrar a voz e as violas de Waldemar Bastos, nascido em 1954, justamente em M'Banza Congo, ex-São Salvador do Congo.

Aprender a ler… e a conhecer o mundo





Não é hábito deter-me sobre questões de actualidade neste espaço mas a questão é suficientemente importante para lhe dedicar umas poucas linhas de perplexidade…
O respeito pelo fenómeno desportivo e pela verdade do que se passa dentro dos vários recintos, qualquer que seja a modalidade aí praticada, leva-me a tecer alguns comentários.

Não posso deixar de recordar o frenesim com que, há muitas décadas atrás, aguardava a chegada a casa do jornaleiro que ia entregar ás segundas, quintas e domingos “A Bola”, ás terças e sábados “o Record” e ás quartas “O Mundo Desportivo” aquele que, francamente, menos gostava.
Quase aprendi a ler com estes jornais… mas se não aprendi de todo a ler nestes jornais ajudaram muito e acima de tudo ajudaram a mostrar-me um mundo muito diferente do cinzento canto lusitano. Foi por aqui que comecei a perceber a existência, nas entrelinhas, da multiplicidade de opções por esse mundo que obstinadamente nos escondiam. Acima de tudo “A Bola” era, na época, leitura obrigatória.

Mais, ao futebol era dada tanta importância que até a “gesta heróica” do Coreia do Norte – Portugal do Mundial de 66 se tornou lição de português. Lia aquilo e parecia estar a ler “Os Lusíadas”.

Muito do que recordarei nos próximos posts e das conclusões que retiro derivam do espírito critico com que me habituei a olhar para tudo na vida, sabendo que quanto mais me aproximar dos objectos… menos vejo.

M'Banza Congo













A minha memória de Mbanza Congo, em 1972




Mbanza Congo regressou aos títulos de 1ª. página... infelizmente pelas piores razões.
O acidente com um Boeing 737 vitimou seis pessoas.
Apenas um milagre poderá terá impedido que mais mortes ocorressem.
Ainda bem que há... milagres!
A minha solidariedade para com os familiares das vítimas do acidente.
















M'banza Congo é e será sempre um marco fundamental na minha vida.
O acidente trouxe-me á memória características únicas daquela pista, daquela lindíssima cidade e daquele povo portentoso e amigo.

O meu baptismo de voo aconteceu num voo de Luanda para Mbanza Congo, então São Salvador do Congo.























Um «enorme» DC3 da DTA, antecessora da TAAG levantou do Aeroporto Craveiro Lopes, hoje 4 de Fevereiro, escalou Ambriz, Ambrizete, Santo António do Zaire seguindo depois para São Salvador, antes de rumar a maquela do Zombo e regressar finalmente a Luanda.
Uma viagem inesquecível.

Recordo desse tempo as dificuldades que aeronaves de grande porte tinham para ali operar. O avião maior que por ali aterrava era o famoso «Barriga de Ginguba» - o Nord Atlas, militar.
Aviões de escala da DTA não recordo, ali, outro que não fosse o Dakota.

Lembro que a capital da Província do Zaire era, na altura, uma pequena cidade do interior, ameaçada pela guerra que não raramente passava não muito longe dos seus horizontes.

Rodeada de arame farpado por todos os lados, a sua extensão máxima correspondia, grosso modo, ao comprimento da sua pista de aviação - curta e estreita.

A «aerogare» não existia e todo o processo burocrático ligado ás viagens era efectuado numa loja de uma vivenda contígua á pista - a Casa Verde.

A pista do aeroporto tinha, no início da década de 70, características muito especiais. Dividia a cidade em duas, estando de um lado a «cidade branca» e do outro a «cidade negra», a sanzala.

Esta pista era talvez uma das únicas pistas onde de um lado para o outro da cidade circulavam livremente pessoas e veículos. Essa passagem situava-se junto ao CRESSA (Clube Recreativo de São Salvador).

O relato do acidente agora ocorrido recorda-me que um avião com a envergadura do DC3 passava com a ponta das asas sempre muito perto das casas, fossem elas, na altura instalações militares, a Missão Católica, a Catedral de São Salvador... ou as humildes casas de adobes de muitos amigos.
Qualquer incidente nestas circunstâncias pode tornar-se catastrófico.




Não me parecendo, pelos relatos que tenho, que a estrutura urbana á volta da pista se tenha alterado, mesmo que, como se sabe tenha sido melhorada e eliminada a tal passagem, fácil é admitir que uma pequena falha, tenha ela a origem que tiver, ponha em perigo a segurança da aeronave e de toda a zona urbana que ladeia a pista.


Admitir que aeronaves como a que agora sofreu o acidente escalam aquela pista assiduamente, por melhores que hoje sejam as condições, é sem dúvida uma proeza humana dos pilotos da TAAG!

Confesso que, mesmo antes do acidente, se me dissessem para regressar a Mbanza Congo num Boeing 737, o faria de imediato, sem pestanejar. Mas que, até aterrar em segurança, estaria absolutamente espectante quanto á possibilidade do «monstro» conseguir ali pousar, creiam que estaria...


Assisti, ali, a DC3 tentarem a aterragem e terem que abortar o processo, fazendo razante á pista, em aceleração muito próxima do Hospital Provincial, não muito longe do limite da pista, na altura assinalada com metades de bidãos de 200 litros.

A perigosidade daquela pista, fica patente na imagem de um outro acidente ali ocorrido em 1994, provavelmente por motivos idênticos, com um Boeing 727 da TransAfrik.




















Qualquer que seja o avião, quaisquer que sejam os riscos... aí voltarei, estou certo!

Mbanza Congo / São Salvador










Ricardo Lemvo & Makina Loca
São Salvador

Raio de clima, o europeu, onde não chove quando faz calor!

Esta exclamação da IO lembra-me a primeira noite que passei em Luanda no regresso a Angola.

Havia sido um dia cheio de emoção... Todas as palavras aqui me parecem inexpressivas para descrever esse regresso.
Um dia feliz que começara na véspera... Um dia de 48 horas!
Cansado e tranquilo adormeci.
A meio da noite, subitamente, um barulho ensurdecedor...
Abri os olhos, vi os raios iluminarem o quarto, a chuva a cair impiedosamente...
«Rebobinei o filme»... perguntei-me onde estava, obtive como resposta Luanda...
Considerei de imediato a situação normal, voltei-me para o outro lado, sorri e voltei a dormir...
Sonhei que estava na varanda de minha casa, 23 anos antes, em Mbanza Congo e assistia, sobre o vale do Rio Lueje, a um dos mais belos e poderosos espectáculos da natureza - uma trovoada em África!
De manhã, ao levantar-me, deparou-se-me isto...
Fabuloso!












Férias... há 40 e tantos anos

Chega a altura de férias…
Sinto, muitos dias antes da partida, a agitação da minha mãe na preparação de tudo quanto era necessário durante o mês que iríamos estar longe…
Vejo nitidamente a agitação e sinto a saudade no seu olhar.
Relembro a exagerada quantidade de coisas que preparava e os risos que isso provocava.
O dia da partida!
O primo Querubim chegou, vagarosamente, pelas ruas térreas e escavacadas da Brandoa, no seu sumptuoso DKW.
Viagem inicial apenas com as luzes do automóvel e a entrada na cidade…
Depois a passagem na Praça de Espanha com todas aquelas luzes, a entrada num mundo diferente…
Recordo, extasiado, as luzes de Lisboa como se tivesse sido transportado para um outro mundo.

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Chegada a Santa Apolónia agitada e fervilhante de actividade…
A entrada no comboio-correio, á meia-noite, completamente apinhado de gente…
A viagem a pé, quase sempre, sentando-me sobre as malas, episodicamente, por troca com a minha irmã.
A paragem em todas as estações e apeadeiros…
Anos depois, pelas várias experiências pessoais e pelo «ensino», saberia sem dificuldade o nome de todas as estações…
Chegada de manhã a Coimbra e a mudança de comboio…na altura em que o comboio para a Lousã passava pelo meio da cidade…

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Manhã alta… cada vez mais perto.
Sabia estar cada vez mais perto… O lento andamento do comboio permitia-me ver que boa parte das pedras entre os carris eram lisas como as que cobriam os caminhos das serranias para onde ia.
Lousã…e nova mudança de transporte.
Desta vez para um autocarro antiquíssimo…

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Bagagens sobre o tejadilho e aí vamos nós curva após curva em direcção a Arganil.
Pelo caminho ficara já parte do farnel que a minha mãe tinha religiosamente preparado e viajava num cesto de vime.
Góis… a ponte romana sobre o Rio Ceira.
A emoção cresce.
Uns quilómetros á frente sabemos estar quase a família toda á espera…
O autocarro gingão bamboleia-se numa curva, á direita vê-se a povoação de Sequeiros… é a seguir.
O meu pai chama a atenção do cobrador que sairemos na paragem seguinte – Sarnôa, junto á Capela da Senhora da Boa Viagem.
Á saída de nova curva….uma pequena recta, dentro do autocarro os sorrisos rasgam-se…lá fora ao longe, entre as mimosas e os pinheiros, vêm-se braços no ar de alegria.
Cumprimentos, abraços, beijos, risos e lágrimas de felicidade pelo reencontro enquanto a bagagem escorrega por uma corda junto ás janelas do autocarro.
Arrumar a bagagem na mula que o meu avô traz.
Foto de recordação e início da última parte da viagem, já a meio da tarde, que nos levará dali até á aldeia de Vale de Asna.

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Por cada aldeia que se passa o mesmo ritual… os abraços, os beijos, a alegria…e os sucessivos e irrecusáveis convites para petiscar qualquer coisa e molhar a garganta.
O alcatrão ficou para trás… terra batida agora até ao fim, sempre a subir.
Estrada só até Linhares, daí por diante será a subida de Martim Pires que nos deixará na fronteira entre Góis e Arganil.
Volta-se a encontrar estrada florestal na Celada das Eiras onde se disfruta de uma paisagem deslumbrante… e onde é obrigatório parar, para petiscarmos todos e recuperar do esforço dispendido na íngreme subida e para, depois do repasto e de mais dois dedos de conversa, começarmos a separação para as várias aldeias… até aos dias seguintes, nos trabalhos do campo, nas convívios familiares ou nas Festas de Santa Catarina ou do Senhor da Amargura.
Finalmente a chegada!

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Retrato de vinte e quatro horas de viagem num país cinzento e tristonho, a meio do ultimo quartel do século vinte, onde se passava de um bairro clandestino para a civilização e daí para um isolamento quase absoluto e um modo de vida quase feudal.

Mas, mesmo assim, com que emoção recordo estes passos…

Que saudade!!

25 de Abril

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25 de Abril de 1974… estava em São Salvador do Congo (hoje Mbanza Congo), dia cinzento que adivinhava já a chegada do cacimbo. Estava a estudar, sozinho, na antiga capital do Reino do Congo, os meus pais e a minha irmã estavam em Ambrizete (hoje Nzeto).
Dia de aulas perfeitamente normal mas, a meio da manhã, começou a sentir-se no ar algum nervosismo.
A maioria dos professores(as) eram ou ex-militares ou esposas de militares e por isso tiveram cedo acesso a algumas notícias «desencontradas» que algo de anormal se passava na metrópole…
Á tarde a notícia corria célere…mas ninguém se arriscava a confirmar nada.
Como à IO, foi da rádio sul africana que foram chegando notícias que confirmavam não apenas o movimento mas a sua vitória.
Intimamente uma imensa alegria…. Uma esperança sem fim que tudo iria melhorar para todos.
Com o golpe de estado iriam embora os receios do antigo senhorio, na longínqua Brandoa, que em surdina vociferava, perante a bonomia do meu pai, contra Salazar… ou acabavam os receios do que pudesse ser dito aquando da visita daquele nosso vizinho, nos Olivais dessa distante Lisboa.
Ficariam longe as noites de Natal em que haveria prevenção rigorosa em vez de haver ceia com bacalhau, como ficariam longe igualmente as recordações de noites que, em vez de passadas a desembrulhar um ou outro livro de presente, as passei «a brincar» com uma G3 na mão, porque de Brazzaville a rádio, em ondas curtas, ameaçava, como sempre, o ataque fulminante a São Salvador, embora ninguém acreditasse nisso.
Assim, em zona de guerra, onde se ouve tudo e mais alguma coisa, não era segredo para ninguém, nem para um puto de 16 anos, que de um modo ou outro algo teria que acontecer.
Há cerca de dois anos que se falava com certo á vontade na possibilidade de Angola se libertar da metrópole, aceder á independência tornando Nova Lisboa (Huambo) sua capital.
Recordo que no dia seguinte, antes da primeira aula, a turma resolveu arranjar um emblema… e desenhá-lo no quadro! Que bela bronca ouviu o Cacusso por isso e sobretudo por ter integrado na sua composição estrelas de 5 pontas…
Recordo, e lamento ter perdido, as primeiras cartas (aerogramas) que troquei com o meu pai, então comandante da Esquadra da PSP em Ambrizete. Eu, eufórico pelos acontecimentos… ele, desconfiado e contundente com os militares afirmando que «nunca fazem nada de jeito, nem a marcar passo…»
Vindo dele e sendo representante de uma estrutura que sempre nutriu, mesmo que em surdina, um ódio de estimação aos militares, por entenderem ser a corporação uma polícia com características cívicas e não militares… não dei importância, mas registei, claro.
Vi, empolgado, emocionado e com «pele de galinha» no ecran do CRESSA (Clube Recreativo de São Salvador) as imagens do primeiro 1º. de Maio que nunca mais ninguém esqueceu.
E tive esperança… por mim, por todos e sobretudo por todos aqueles que me rodeavam, colegas e amigos, porque tornou-se óbvio para todos que a guerra, de um modo ou de outro, teria os dias contados.
Tive esperança. sobretudo por eles… o meu caminho, a curto prazo, já sabia não passar pela continuação em Angola. A comissão do «velhote» estava a terminar e o regresso acabou por acontecer em Setembro de 74.
Todos tínhamos esperança que a emancipação de Angola ocorresse longe de outros exemplos vizinhos.
A madrugada de 25 de Abril serviu para podermos sonhar…
E sonhámos!
E idealizámos!
E construímos!
Por entre sonhos e pesadelos, muito foi realizado…
Houve feridas abertas… incompreensões…
Responsabilidades assumidas e outras alijadas…
Responsabilidades ás consequências e não ás causas…
Houve dores de «crescimento».
Mas... valeu a pena!
Viva o 25 de Abril!

Luanda 1996

Antes de aterrar no Aeroporto 4 de Fevereiro no dia 10 de Abril, há nove anos atrás, tentei recuperar ao máximo tudo quanto recordava de uma cidade espantosa.
Ia comigo a vontade de poder, mesmo que modestamente, contribuir para melhorar a limpeza urbana da cidade.
A minha frieza analítica e profissional e o africanismo, superavam largamente o ruído de fundo constituído por toda a lengalenga da «chapa 5», que o jpt tão bem descreve na sua Ma-Schamba, bem como a ideia estúpida e racista de que «não há pedra sobre pedra».
Luanda, entre a interrupção da Guerra Civil e o seu recomeço era, em 1996, uma cidade que denotava a grandeza que lhe conheci em meados da década de 70 e mostrava abundantemente todas as chagas derivadas dessa mesma guerra e do facto de as infraestruras da cidade, nomeadamente no saneamento, não suportarem mais que as 500.000 pessoas para as quais estavam dimensionadas.
O transporte do aeroporto para o local de acolhimento deu para fazer um primeiro balanço - infraestruras degradadas mas muito longe do cenário caótico que os «profetas da desgraça» sempre traçam.
Relembro desses momentos de reencontro o calor imediato do povo angolano, que já conhecia mas que, no meio de tanta tragédia, julgava ter sido duramente golpeado.
O povo angolano tem um orgulho e uma coragem inacreditáveis.
Recordo a viagem entre a Aeroporto e o local de alojamento e a música que ouvi - Song for Guy, por Elton John. Curioso, porque foram desta melodia os últimos acordes musicais que ouvi em Luanda quando, quatro mese e meio depois, parti.
Tive a felicidade de ficar instalado num «aldeamento» para cooperantes na Estrada de Catete, município de Kilamba-Kiaxi, muito perto já de Viana.
Poderá ser paradoxal dizer isso de um local em que estavamos guardados por «armários», de óculos espelhados, portadores de AK-47.
Tenho, para mim, que estando em contacto directo com o povo e tendo a percepção, por via organizacional das questões tecnicas e profissionais, podia ter uma visão mais perto da realidade do que teria se acaso ficasse, principescamente, instalado nalguma unidade hoteleira.
Verifiquei, na visita efectuada á cidade, nesse primeiro dia que, a limpeza urbana era bastante má mas havia ainda assim uma diferença - a «cidade de alcatrão» apesar de má, estava melhor que as áreas limítrofes, os musseques e os bairros populares.
Fiquei a saber que a minha missão era colaborar nos aspectos organizativos e operacionais da limpeza, no que diz respeito á «cidade de alcatrão».
Verdadeiramente pouco... mas verdade, também, que não havia nem meios, nem tempo para efectuar tudo o que deveria ser realizado.
Os documentos que ficam são aspectos desse trabalho.


.. Posted by Hello

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Sei que muitas alterações ocorreram. A limpeza deixou de estar a cargo da ELISAL. Sei que há muitas melhoria... no centro da cidade. Sei que muito está feito mas há uma imensidão de coisas por fazer. Sei que nos musseques continua quase tudo, invariavelmente, na mesma.

Melhores dias virão.
Sei que Luanda não era uma cidade suja e voltará a ostentar, para o bem dos seus habitantes, um ambiente mais limpo e saudável.

Esta «conversa» toda foi-me «sugerida» pelo post da amiga IO no seu laurentino e espantoso Chuinga pelas diferenças entre Maputo e Luanda.
Tinha que defender aminha «dama»!

Voltarei a Luanda e conhecerei Maputo e igualmente o, dizem, lindíssimo Bilene de quem a minha Maria «morre» de saudades.

Baptismo de voo


DC-3 (Dakota), DTA, Junho de 1972 Posted by Hello

Refeição frugal... 1 vomidrine.
Aeroporto de Luanda para uma viagem inesquecível por ser a primeira e por ser em Angola.
Voo doméstico que nestes aviões proporcionava durante toda a viagem uma imensa montanha russa pelos inúmeros poços de ar.
O primeiro contacto com o ar e com as paisagens fantásticas de África.
Felizmente coube-me a sorte de ter apanhado o voo que para S. Salvador (Mbanza Congo) fazia a rota maior.
Ambriz... Ambrizete (Nzeto)... Santo António do Zaire (Soyo)... e São Salvador, finalmente.
Uma pista curta, avermelhada... com cidade de um lado e outro e onde, ao menor discuido as asas do DC-3 entram dentro da Missão... situação muito bem descrita em Onde a Lua Anda pela amiga Ana que ali esteve há muito pouco tempo.
Voltarei um dia.
Não sei se nas asas de um DC-3... mas voltarei!

Pôr do sol na Ilha


Praia do Afrodiziakus, Julho 1996 Posted by Hello


Raízes Posted by Hello

Raízes e pedaços de memória II


.. Posted by Hello

Esquecimentos...


Vem esta imagem um pouco a propósito do comentário à Lição de Latim da Kitanda publicado por Loopings.

Remete-me para 22 anos atrás em S. Salvador do Congo (Mbanza Congo). Frequentava a secção local do Liceu Salvador Correia de Sá no 1º. ano do CG dos Liceus (antigo 3º. ano).

O meu pai era, na época, o Chefe da Esquadra local da PSP.

Provenho de família rural do interior norte do país, habituados a poupanças e sacrifícios. No entanto, para a disciplina de desenho foi-me comprado o estilete da foto, um «Ferrari» da matéria se assim se pode dizer...

Foi adquirido em Luanda juntamente com outro «ferrari» igual para um colega de turma - o Joaquim Teixeira. Na turma apenas os dois possuíamos este material.

O que é interessante na história é que, quer o meu pai, quer o pai do Quim utilizavam, ao serviço da Esquadra o nosso material de desenho.

Um dia, o meu «Ferrari» surpreendentemente desapareceu... Vasculhei a casa toda e do estilete, nem sinal!! Fiquei a aguardar que a minha memória me auxiliasse a descobrir o seu paradeiro...

O tempo passava e nada!!

Um dia o meu pai precisou na Esquadra do estilete... Dou-lhe uma tanga e vou a casa do Quim, apressadamente, pedir emprestado o dele para dar ao meu pai...

O tempo foi decorrendo e do estilete nem rasto...
Provavelmente o único estilete da cidade passava da minha mão para a do Quim, dependendo das nossas necessidades e das dos nossos pais.

Até que um dia aconteceu o inevitável... O pai do Quim e o meu precisaram simultaneamente de estiletes...

Bom... estava em casa quando o Land-Rover da Polícia estacionou á porta de casa com o guarda, de Vinhais, que não recordo já o nome, me pediu que o acompanhasse.

Calculam, por certo, o que me aconteceu... Chamado á Esquadra em «carro fardado» pelo próprio pai para dar conta do estilete desaparecido!!!

Fiquei com a humilhação... e a recordação, para todo o sempre, que não adianta tapar o sol com a peneira.

E o estilete??

Provavelmente um mês depois, um dos colegas com quem habitualmente estudava em grupo, um colega africano, fantástico companheiro de nome Simba, apareceu-me á frente, com um objecto esguio...a agradecer-me o empréstimo que lhe tinha feito...
Era o meu «Ferrari»!!

Deitei as mãos á cabeça... sorri com desportivismo!

O Simba demorou tanto a entregar-me o estilete que, lamentavelmente, a tinta da china tinha secado no seu interior e tinha-o inutilizado para todo o sempre...

Não lamento nenhuma das consequências que o meu esquecimento provocou nem o facto de se ter danificado.

E o que tem isto a ver com o «post»?? Tudo - não indiquei, por desconhecimento, o autor...

Espero que os confrades do Loopings... não me levem igualmente á Esquadra!!

ehehehehehhe

Posted by Hello


Montes da Lua (Luanda) - "Mar da Tranquilidade" Posted by Hello


Igreja de S. Salvador do Congo (Mbanza Congo) Posted by Hello


Lugares e gentes inesquecíveis... Quantos, lugares e homens, terão sobrevivido? Que amigos me restam aí? «Caixas», Secção do Liceu salvador Correia de Sá, 1972 - 74 Posted by Hello

Nuvens sobre Africa


.. Posted by Hello

Pôr do sol em Cabo Ledo


Fantástico!! Posted by Hello

Inesquecível


As sublimes cores de um pôr do sol africano
(Luanda - Ilha do Cabo - Praia do Afrodiziakus - 1996) Posted by Hello