Rua da Maianga


Maianga, Luanda Posted by Hello


Rua da Maianga
que traz o nome de um qualquer missionário
mas para nos somente
a rua da Maianga

Rua da Maianga às duas horas da tarde
lembrança das minhas idas para a escola
e depois para o liceu
Rua da Maianga dos meus surdos rancores
que sentiste os meus passos alterados
e os ardores da minha mocidade
e a ânsia dos meus choros desabalados!

Rua da Maiaga às seis horas e meia
apito do comboio estremecendo os muros
Rua antiga de pedra incerta que
feriu meus pezitos de criança
e onde depois o alcatrão veio lembrar
velocidades aos carros
e foi luto na minha infãncia passada!

(Nené foi levado pró hospital
meus olhos encontraram Nene morto
meu companheiro de infância de olhos vivos
seu corpo morto numa pedra fria!)

Rua da Maianga a qualquer hora do dia
as mesmas caras nos muros
(As caras da minha infância
nos muros inacabados!)
as mocas nas janelas fingindo costurar
a velha gorda faladeira
e a pequena moeda na mão do menino
e a goiaba chamando dos cestos
à porta das casas!
(Tão parecido comigo esse menino!)

Rua da Maianga a qualquer hora
o liso alcatrão e as suas casas
as eternas mocas de muro
Rua da Maianga me lembrando
meu passado inutilmente belo
inutilmente cheio de saudade!

Mário António

Conclusão


Luanda Posted by Hello


Para Maluda


E, no entanto, Luanda comove,
Luanda sobressalta
— Mulher que acorda extremunhada
quando menos espera
e desleixada penteia no espelho
maravilhado da baía
restos de sonho
entremeados pelo quotidiano
de longínquos páramos lembrados
pelo capricho de quem não tem dono.

Ruy Cinatti

("Os poemas do itinerário angolano", Cadernos Capricórnio, 1974, Angola/África)

Novas tecnologias


(carregar na imagem para ver o texto - por email) Posted by Hello

Primeiro dia de aulas


.. Posted by Hello

No primeiro dia de aulas numa escola secundária dos E.U.A. a professora apresenta aos alunos um novo colega, Sakiro Suzuki, do Japão.
A aula começa e a professora pergunta:
"Vamos ver quem conhece a história. Quem disse:
'Dê-me a liberdade ou a morte'?
Silêncio total na sala.
Apenas Suzuki levanta a mão:
"Patrick Henry em 1775 em Filadélfia".
"Muito bem, Suzuki.
E quem disse: 'O estado é o povo, e o povo não pode afundar-se'?"
Suzuki levanta-se: "Abraham Lincoln em 1863 em Washington".
A professora olha os alunos e diz:
"Não têm vergonha? Suzuki é japonês e sabe mais sobre a história americana que vocês!"
Então, ouve-se uma voz baixinha, lá ao fundo:
"Vai levar no cu, japonês de merda!"
"Quem foi?", grita a professora.
Suzuki levanta a mão e sem esperar, responde:
"General McArthur em 1942 em Guadalcanal, e Lee Iacocca em 1982 na Assembleia Geral da Chrysler".
A turma fica super silenciosa, apenas ouve-se do fundo da sala:
"Acho que vou vomitar".
A professora grita:
"Quem foi?"
E Suzuki responde:
"George Bush senior ao primeiro-ministro Tanaka durante um almoço, em Tokio, em 1991". Um dos alunos levanta-se e grita:
"Chupa-me o ....!"
E a professora irritada: "Acabou-se! Quem foi agora?"
E Suzuki, sem hesitações:
"Bill Clinton à Mónica Lewinsky, no Sala Oval da Casa Branca, em Washington, em 1997."
E outro aluno se levanta e grita:
"Suzuki é um pedaço de merda!"
E Suzuki responde:
"Valentino Rossi no Grande Prémio de Moto no Rio de Janeiro em 2002".
A turma fica histérica, a professora desmaia, a porta abre-se e entra o director que diz:
"Que grande Merda, nunca vi uma confusão destas."
Suzuki:
"Jorge Sampaio ao Santana Lopes, na apresentação do orçamento de Estado, em Lisboa, em 2004".

(por email)

Os amores que quero (e os que não quero)


.. Posted by Hello


Não quero mais saber se vais cumprir
Ou renegar,
As promessas que leio em teu olhar.

Também não quero mais compreender
Ou desvendar,
Os segredos que moram em teus silêncios.

Sei que há verbos de amor que conjugamos
Ou calamos
E bravuras de amor que não ousamos.

Mas sei também que o amor pede firmeza
E clareza
Em todos os tempos e modos que conjuga.

Não quero mais o amor de compromisso
Tão omisso
Nas liberdades que sempre anuncia.

Também não quero o amor instituído
Do marido,
Vítima inerme da monogamis.

Eu quero o amor sinfônico dos grilos,
Que mobilizam orquestras estridentes
Para encantar e amar suas nubentes.

Quero o amor triunfal dos pirilampos
Que iluminam o seu mundo e suas vidas,
Para atrair as suas preferidas.

Eu quero o amor trivial dos namorados
Liberto ou não, secreto, proibido,
Talvez proscrito ou amaldiçoado
Pelas forças que regem, ou que oprimem
As travessuras líricas do homem.

Eu quero amar, como a palavra indica,
Com a mais completa naturalidade.
Eu quero, enfim, viver, inteiramente,
Aquilo que o amor significa.

Luiz Bello

A homenagem


Imagem daqui Posted by Hello

"A massa de um corpo é uma medida do seu conteúdo de energia"

"Quando não há nada de especial para ocupar meus pensamentos, gosto de reconstruir teoremas de física e matemática que já são de meu conhecimento. Não há qualquer propósito nisso, senão o da mera gratificação de ocupar meu cérebro raciocinando."

Albert Einstein


Centenário da publicação da Teoria da Relatividade
Cinquentenário da morte de Albert Einstein

Eu


ngc3603 Posted by Hello


Dois mistérios repousam em minha mente,
Unidos no episódio de uma vida,
Ela própria um mistério
Em sua origem.

Olho o céu estrelado sobre mim
E Kant me assegura que sou dois:
Fragmento animado de algum astro
E centelha perdida de algum deus.

Quem me fez, decidiu que, além de ser,
Eu tivesse a virtude da razão,
Guardando dentro de mim as leis morais

À espera do dia em que meu corpo
Ficará no planeta de onde é
E a razão voltará para o Infinito.

Luiz Bello

O TEU CORPO DE TERRA E MARESIA


Foto daqui Posted by Hello


O teu corpo de terra e maresia
onde o meu barco se desencalha
e abre velas e caminhos livres

o teu corpo de terra e maresia
onde a minha proa anuncia
segredos na esteira branca

o teu corpo de terra e maresia
onde a minha bandeira de sonhos
no mais fundo se revela

o teu corpo de terra e maresia
onde o meu barco de novo se prepara
para novas e longas viagens

em busca de um dia justo, limpo e pleno,
(assim seja!).

Armando Artur

Sonho de Liberdade


.. Posted by Hello


de todas as pradarias
Senhor
dirigida a Vós,
uma súplica,
uma prece,
ecoará como um grito,
E o meu relincho
Relincharei.
erguendo as patas para o céu.
pararei à beira de abismos,
não cairei nas profundezas;
Por vossa providência
especialmente para mim.
sentir o Sol nascer,
cheirar os verdes, amarelos e vermelhos;
as brisas da Primavera!
aspirar pelas narinas frementes
aquecer-me com o frio,
por essa vasta imensidão;
Deixa o meu espírito partir de madrugada
salpicada de malmequeres e de papoilas também.
correndo à desfilada pela pradaria,
Oh, Senhor! Deixai-me ser como cavalo branco


Sonho de Liberdade


Manuel Martins Gaspar Tomé

P.S. do autor : Este poema, começa pelo...fim - que é onde se encontra o título. É assim, dois poemas, num só

Confiança


Mausoléu de Agostinho Neto, Luanda, 1996 Posted by Hello


O oceano separou-se de mim
enquanto me fui esquecendo nos séculos
e eis-me presente
reunindo em mim o espaço
condensando o tempo.

Na minha história
existe o paradoxo do homem disperso

Enquanto o sorriso brilhava
no canto de dor
e as mãos construíam mundos maravilhosos

john foi linchado
o irmão chicoteado nas costas nuas
a mulher amordaçada
e o filho continuou ignorante

E do drama intenso
duma vida imensa e útil
resultou a certeza

As minhas mãos colocaram pedras
nos alicerces do mundo
mereço o meu pedaço de chão.

Agostinho Neto

Talvez


.. Posted by Hello

Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,E desde então, sou porque tu és

E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...

Pablo Neruda

Dia de Chuva no Mato


... Posted by Hello



"Chove
E a trovoada
é um batuque incessante,
uma estranha batucada.

Os raios são setas de fogo
que misteriosamente, em tom de guerra,
espíritos do mal lançam da Altura
para incendiar a Terra.

O vento
Ora violento, ora brando,
o vento é o cazumbi dos cazumbis
- o deus do mar, do rio e da floresta-
que vai cantando e dançando, em tragicómica festa,
o seu coro de mil vozes,
os seus bailados febris.

As nuvens negras são virgens tontas,
quais almas do outro mundo, errando como sonâmbulas
pelo céu negro e profundo...

E a chuva, constante e forte,
é o pranto (parece eterno)
dos deuses negros que a Morte
sacrificou no Inferno.

Geraldo Bessa Victor

Pegue um sorriso


.. Posted by Hello

Pegue um sorriso
e doe-o a quem jamais o teve...
Pegue um raio de sol
e faça-o voar lá onde reina a noite...
Pegue uma lágrima
e ponha no rosto de quem jamais chorou...
Pegue a coragem
e ponha-a no ânimo de quem não sabe lutar...
Descubra a vida
e narre-a a quem não sabe entendê-la...
Pegue a esperança
e viva na sua luz...
Pegue a bondade
e doe-a a quem não sabe doar...
Descubra o amor
e faça-o conhecer o mundo...

Mahatma Gandhi

Quiproquó


Imagem daqui Posted by Hello

Há uma torneira sempre a dar horas
há um relógio a pingar no lavabos
há um candelabro que morde na isca
há um descalabro de peixe no tecto

Há um boticário pronto para a guerra
há um soldado vendendo remédios
há um veneno (tão mau) que não mata
há um antídoto para o suicído de um poeta

Senhor, Senhor, que digo eu (?)
que ando vestido pelo avesso
e furto chapéu e roubo sapato
se sigo descalço e vou descoberto.

Arménio Vieira

Poema para a Negra


Imagem daqui Posted by Hello

Deixa que os outros cantem o teu corpo
que dizem feiticeiro e sedutor,
e, na volúpia vã do pitoresco,
entoem madrigais á tua dor.

Deixa que os outros cantem teus requebros
nos passos de massemba e quilapanga,
e teus olhos onde há noites de luar,
e teus beiços que têm sabor de manga.

Deixa que os outros cantem os teus usos
como aspectos formais da tua graça,
nessa conquista fácil do exotismo
que dizem descobrir na nossa raça.

Deixa que os outros cantem o teu corpo,
na captação atônita do viço
e fiquem sempre, toda a vida, a olhar
um muro de mistério e de feitiço...

Deixa que os outros cantem o teu corpo
- que eu canto do mais fundo do teu ser,
ó minha amada, eu canto a própria África,
que se fez carne e alma em ti, mulher!

Geraldo Bessa Victor
(Obra poética)

Noite


Cazenga, 1996 Posted by Hello


Eu vivo
nos bairros escuros do mundo
sem luz nem vida.

Vou pelas ruas
às apalpadelas
encostado aos meus informes sonhos
tropeçando na escravidão
ao meu desejo de ser.

São bairros de escravos
mundos de miséria
bairros escuros.

Onde as vontades se diluíram
e os homens se confundiram
com as coisas.

Ando aos trambolhões
pelas ruas sem luz
desconhecidas
pejadas de mística e terror
de braço dado com fantasmas.

Também a noite é escura.


Agostinho Neto

Coração Polar


.. Posted by Hello



1.

Não sei de que cor são os navios
quando naufragam no meio dos teus braços
sei que há um corpo nunca encontrado algures no mar
e que esse corpo vivo é o teu corpo imaterial
a tua promessa nos mastros de todos os veleiros
a ilha perfumada das tuas pernas
o teu ventre de conchas e corais
a gruta onde me esperas
com teus lábios de espuma e de salsugem
os teus naufrágios
e a grande equação do vento e da viagem
onde o acaso floresce com seus espelhos
seus indícios de rosa e descoberta.
Não sei de que cor é essa linha
onde se cruza a lua e a mastreação
mas sei que em cada rua há uma esquina
uma abertura entre a rotina e a maravilha
há uma hora de fogo para o azul
a hora em que te encontro e não te encontro
há um ângulo ao contrário
uma geometria mágica onde tudo pode ser possível
há um mar imaginário aberto em cada página
não me venham dizer que nunca mais
as rotas nascem do desejo
e eu quero o cruzeiro do sul das tuas mãos
quero o teu nome escrito nas marés
nesta cidade onde no sítio mais absurdo
num sentido proibido ou num semáforo
todos os poentes me dizem quem tu és.

2.

Ouvi dizer que há um veleiro que saiu do quadro
é ele que vem talvez na nuvem perigosa
esse veleiro desaparecido que somos todos nós.
Da minha janela vejo-o passar no vento sul
outras vezes sentado olhando o ângulo mágico
sinto a sua presença logarítmica
vem num alexandrino de Cesário Verde
traz a ferragem e a maresia
traz o teu corpo irrepetível
o teu ventre subitamente perpendicular
à recta do horizonte e dos presságios
ou simplesmente a outra margem
o enigma cintilante a florir no cedro em frente
qual é esse país pergunto eu
qual é esse país onde tudo existe e não existe
qual é esse país de onde chega este perfume
este sabor a alga e despedida
esta lágrima só de o pensar e de o sentir.

Não é apenas um lugar físico algures no mapa
é talvez o adjectivo ocidental
o verbo ocidentir
o advérbio ocidentalmente
quem sabe se o substantivo ocidentimento.
Está na palma da mão no nervo no destino
e também no teu corpo aberto ao vento do nordeste
é talvez o teu rosto alegre e triste - esse país
que existe e não
existe.

Eu não sei de que cor são os navios
sei que por vezes
no mais recôndito recanto
no simples agitar de uma cortina
numa corrente de ar
num ritmo
há um brilho súbito de estrela e bússola
uma agulha magnética no pulso
um mar por dentro um mar de dentro um mar
no pensamento.


Manuel Alegre
(Lisboa, 5 e 6.1.98)

(Senhora das Tempestades, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1998)

Oh! Liberdade!


Timor Lorosae Posted by Hello



Se eu pudesse
pelas frias manhãs
acordar tiritando
fustigado pela ventania
que me abre a cortina do céu
e ver, do cimo dos meus montes,
o quadro roxo
de um perturbado nascer do sol
a leste de Timor

Se eu pudesse
pelos tórridos sóis
cavalgar embevecido
de encontro a mim mesmo
nas serenas planícies do capim
e sentir o cheiro de animais
bebendo das nascentes
que murmurariam no ar
lendas de Timor

Se eu pudesse
pelas tardes de calma
sentir o cansaço
da natureza sensual
espreguiçando-se no seu suor
e ouvir contar as canseiras
sob os risos
das crianças nuas e descalças
de todo o Timor

Se eu pudesse
ao entardecer das ondas
caminhar pela areia
entregue a mim mesmo
no enlevo molhado da brisa
e tocar a imensidão do mar
num sopro da alma
que permita meditar o futuro
da ilha de Timor

Se eu pudesse
ao cantar dos grilos
falar para a lua
pelas janelas da noite
e contar-lhe romances do povo
a união inviolável dos corpos
para criar filhos
e ensinar-lhes a crescer e a amar
a Pátria Timor!


Xanana Gusmão
(Mar Meu/My Sea of Timor, Porto, Granito, 1998)

Perdido


.. Posted by Hello

Um Alentejano queria livrar-se dum gato.
Levou-o até uma esquina distante e voltou para a casa.Quando chegou a casa, o gato já lá estava.
Levou-o novamente, agora para mais longe.
No regresso encontrou o gato novamente em casa.Fez isso mais umas três vezes e o gato voltava Sempre para casa.
Furioso pensou:"Vou lixar este gato!"Pôs-lhe uma venda nos olhos, amarrou-o dentro de um saco e colocou-o na mala do carro. Subiu à serra mais distante, entrou e saiu de diversas estradas, deu mil voltas... e acabou por soltar o gato no meio do mato.
Passados uns dois dias, o alentejano liga para casa:
- Tá, Maria, o gato já chegou?
- Sim...- Ainda bem, deixa-me falar com ele porque eu estou perdido...

Uma grande lição

Isso aconteceu num vôo da BRITISH AIRWAYS
entre JOHANNESBURG e LONDRES.
Uma senhora branca, de uns cinqüenta anos, senta-se
ao lado de um negro.
Visivelmente perturbada, ela chama a hospedeira.
- Qual o problema?Pergunta a aeromoça.
- Mas você não esta a ver?Responde a senhora. Colocou-me ao lado de um negro. Eu não consigo ficar ao lado destes nojentos. Dê-me outro lugar.
- Por favor senhora, acalma-se, diz a hospedeira.
- Quase todos os lugares deste voo estão ocupados. Vou ver se há algum lugar disponível.
A hospedeira afasta-se e volta alguns minutos depois.
- Minha senhora, como eu suspeitava, não há lugar vago na classe económica. Eu conversei com o comandante e confirmou-me que não há mais lugares na executiva. Entretanto ainda temos um lugar na primeira classe.
Antes que a senhora pudesse fazer qualquer comentário, a hospedeira continuou:
- É totalmente inusitado a companhia conceder um lugar de primeira classe a alguém da classe económica, mas, dadas as circunstâncias, o comandante considerou que seria escandaloso alguém ser obrigado a sentar ao lado de uma pessoa tão execrável.
E, dirigindo-se ao negro, a hospedeira completou:
- Portanto senhor, se for de sua vontade, pegue seus pertences que o lugar da primeira classe esta à sua espera.
Todos os passageiros em redor que, chocados, acompanhavam a cena, levantaram-se e aplaudiram.

(recebido por email)

Meditar


.. Posted by Hello

"A vida é uma peça de teatro
que não permite ensaios.
Por isso, cante, chore, dance,
ria e viva intensamente,
antes que a cortina se feche
e a peça termine sem aplausos".

Charlie Chaplin

Seres especiais



Tem sempre presente
que a pele se enruga
que o cabelo se torna branco
que os dias se convertem em anos
mas o mais importante não muda!


Tua força interior e tuas convicções
não têm idade.

Teu espírito é o espanador
de qualquer teia de aranha.

Atrás de cada linha de chegada
há uma de partida.

Atrás de cada trunfo
há outro desafio.

Enquanto estiveres vivo
sente-te vivo.

Se sentes saudades do que fazias
torna a fazê-lo.

Não vivas de fotografias amareladas.
Continua apesar de todos esperarem que abandones.

Não deixes que se enferruje
o ferro que há em ti.
Faz com que em lugar de pena
te respeitem.

Quando pelos anos não consigas correr...trota.
Quando não possas trotar...caminha.
Quando não possas caminhar...usa bengala.

Mas nunca te detenhas!



Madre Teresa de Calcutá Posted by Hello


Estabilidade.... instabilidade


... Posted by Hello

De um lado 202 anos de governo, uma infinidade de atentados aos direitos humanos á justiça e á vida; do outro 28 anos, com alguns erros quer de governo quer de «casting».

A diferença faz-se no resto porque os erros de 202 anos são infinitamente mais graves!
Que a «instabilidade» se mantenha!

O nosso problema como povo não é o de estabilidade política (ainda bem que não houve!), é de rumo!
Defina-se com clareza o rumo, corrijam-se as injustiças, os desmandos, as ilegalidades e o «chico-espertismo» e voltaremos a ser grandes entre os povos.
Se o nosso destino colectivo está ligado á Europa, de onde «saímos» em 1415 e onde não nos sentimos nada confortáveis, ou na cooperação com outros povos, nomeadamente em África, é algo que urge definir.
Mas é aqui, sem sombra de dúvidas, que se joga o destino de Portugal enquanto país.

Encostei-me


1972, Infante D. Henrique Posted by Hello

Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos,
E o meu destino apareceu-me na alma como um precipício.
A minha vida passada misturou-se com a futura,
E houve no meio um ruído do salão de fumo,
Onde, aos meus ouvidos, acabara a partida de xadrez.

Ah, balouçado
Na sensação das ondas,
Ah, embalado
Na idéia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã,
De pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas,
De não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali,
Em cima da cadeira como um livro que a sueca ali deixasse.

Ah, afundado
Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono,
Irrequieto tão sossegadamente,
Tão análogo de repente à criança que fui outrora
Quando brincava na quinta e não sabia álgebra,
Nem as outras álgebras com x e y's de sentimento.

Ah, todo eu anseio
Por esse momento sem importância nenhuma
Na minha vida,
Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos
Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma,
Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender
E havia luar e mar e a solidão, ó Álvaro.


Álvaro de Campos

O GUARDADOR DE REBANHOS


1969, algures nas serranias de Góis Posted by Hello

Sou um guardador de rebanhos
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.


Alberto Caeiro

Canção


.. Posted by Hello

Não te fies do tempo nem da eternidade,
que as nuvens me puxam pelos vestidos,
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!
Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
ó lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te escuto!
Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo...
apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te digo...


Cecília Meireles