Regresso eterno


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Altos silêncios da noite e os olhos perdidos,
Submersos na escuridão das árvores
Como na alma o rumor de um regato,
Insistente e melódico,
Serpeando entre pedras o fulgor de uma ideia,
Quase emoção;
E folhas que caem e distraem
O sentido interior
Na natureza calma e definida
Pela vivência dum corpo em cuja essência
A terra inteira vibra
E a noite de estrelas premedita. A noite! Se fosse noite. . .
Mas os meus passos soam e não param,
Mesmo parados pelo pensamento,
Pelo terror que não acaba e perverte os sentidos
A esquina do acaso;
Outros mundos se somem,
Outros no ar luzes refletem sem origem.
É por eles que os meus passos não param.
E é por eles que o mistério se incendeia.
Tudo é tangível, luminoso e vago
Na orla que se afasta e a ilha dobra
Em balas de precário sonho...
Tudo é possível porque à vida dura
E a noite se desfaz
Em altos silêncios puros.
Mas nada impede o renascer da imagem,
A infância perdida, reavida,
Nuns olhos vagabundos debruçados,
Junto a um regato que sem cessar murmura.

Ruy Cinatti

Esta campanha eleitoral está... execrável!


Sem palavras... piorou depois da fase dos narizes de palhaçoPosted by Hello

Casinhas pequenas/abrigando


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casinhas pequenas
abrigando
histórias das histórias da história
se fazendo
e inda outras
casinhas pequenas
abrigando
famílias das famílias da família
se fazendo
e inda outras
histórias das histórias da história
e inda outras
famílias das famílias da família
e inda outras
se emaranhando
em um novelo
que
cresce cresce cresce
em casinhas pequenas


Arlindo Barbeitos

Mon cher Pays L'Afrique


Monique Bessomo Posted by Hello


Mon cher Pays l'Afrique
De Tunis au Cap
De Gambie en Somalie
Je suis dans mon pays

L'appartenance à toi
M'est attribuée par tes voisines
Alors que chez toi:
"Je suis Camerounaise"!

Pour ta voisine l'Europe:
Je suis Africaine
Pour ta voisine l'Asie:
Je suis Africaine
Pour ta transvoisine l'Amérique:
Je suis Africaine

Cette identité globale
M'honore et j'en suis fière
Vive mon Pays l'Afrique !


Monique Bessomo, 1998

Fly with the Eagles


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I strech out my arms and fly with the eagles
I hunt with the bear
I run with the deer
I swim with the fish
and yet I still am a man

I sing with the wind
I plant the soil
I watch the flame
I listen to the brook
and yet I still am a man

When I will rest
My bones will lay on the soil
my flesh will flow with the river
my spirit will fly with the wind
and yet I am still a man


Ronald L Conrad

Que outro nome


Maj of Cape Town (Lovers)


Que rio se pode
abrir na língua acesa
para o capim crepitando
baixo. Que palavra
por ele nasce

e corre corre a lua
e outra lua sem que regresse
ao corpo. Que outro nome
te demos
vestida e no escuro desposada.

Liberdade.

Que tempo de
ocultar o nome sabíamos
perder e nem

de moscardo zumbias: Ngola

nosso pouco maruvo eras
no terreiro anunciada.

Liberdade.

Quem das copas pronuncia
os teus lábios na terra? Nzambi
neles tivesse
mordiscado leve.

Liberdade.


David Mestre

A mulher que passa


Frank Lee (Woman walking) Posted by Hello


Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!

Oh! Como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pêlos são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontravas se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!

No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa
Meu Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!

Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como cortiça
E tem raízes como a fumaça.



Vinicius de Moraes

Batuque


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Marimbas, ngomas, zabumbas,
guizos, quissanges, chigufos...
Batuque doido – loucura
regada pelos marufos...

Bailados sensuais, ardentes;
perturbante orquestração;
canções sentidas, dolentes,
que brotam do coração.

E aquela negra, que dança
mais esbelta e mais torcida,
é mesmo a imagem do Sonho
fazendo bailar a vida!

O batuque me atordoa.
E eu me encanto e me confundo
Nesta loucura que voa
e soa longe do mundo...

E sinto dentro da alma
este batuque sem fim!
Eu sinto bem o batuque
a gritar dentro de mim!


Geraldo Bessa Victor

Apelo a favor de Amina Lawal


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Mensagem

No fim de contas aprovaram a lapidação de Amina
O tribunal Supremo da Nigéria ratificou a sentença de morte por
lapidação de AMINA; adiando apenas a lapidação por dois meses para lhe
permitir a amamentação da criança.
Terminado este tempo enterrá-la-ão até ao pescoço e matá-la-ão à
pedrada, a não ser que uma avalanche de protestos não consiga dissuadir as
autoridades nigerianas.
Amnesty International pede o teu apoio através da tua assinatura nas
suas páginas web.
Mediante uma campanha como esta salvou-se no passado uma outra mulher,
Safiya, que estava na mesma situação. Parece que para AMINA receberam
pouquíssimas assinaturas.
Contacta imediatamente:

http://www.es.amnesty.org/nigeria/index2.php

Não penses que não serve para nada. Salvou a vida de Safiya!

Faz circular esta mensagem entre as pessoas sensíveis a esta horrível
ameaça de morte.
Fá-lo imediatamente.
Eu já o fiz.

(Recebido por email)

Aspiração


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Ainda o meu canto dolente
e a minha tristeza
no Congo, na Geórgia, no Amazonas

Ainda
o meu sonho de batuque em noites de luar

ainda os meus braços
ainda os meus olhos
ainda os meus gritos

Ainda o dorso vergastado
o coração abandonado
a alma entregue à fé
ainda a dúvida

E sobre os meus cantos
os meus sonhos
os meus olhos
os meus gritos
sobre o meu mundo isolado
o tempo parado

Ainda o meu espírito
ainda o quissange
a marimba
a viola
o saxofone
ainda os meus ritmos de ritual orgíaco

Ainda a minha vida
oferecida à Vida
ainda o meu desejo

Ainda o meu sonho
o meu grito
o meu braço
a sustentar o meu Querer

E nas sanzalas
nas casas
no subúrbios das cidades
para lá das linhas
nos recantos escuros das casas ricas
onde os negros murmuram: ainda

O meu desejo
transformado em força
inspirando as consciências desesperadas.

Agostinho Neto

Cheguei há 47 anos...


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Paletes de anos, resmas de velas, nada de desespero, pelo contrário!!

Pensamento do dia:
"Não existe maior loucura no mundo do que um homem entrar em desespero" - Miguel Cervantes (1547-1616)

Daqui

O sol nasce a oriente


Malangatana, Uma dor pode ser o nascer de uma alegriaPosted by Hello

(de um quadro de Malangatana)

Povo, de ti canto o movimento
teu nome, canção feita de fronteiras
lua nova, javite ou lança
tua hora, quissange em trança

Do longo longe do tempoar
de minha flecha, meu lamento
minha bandeira de outro vento
aurora urdida nos lábios de Zumbi

De ti guardo o gesto
as conversas leves das árvores
a fala sabia das aves
o dialecto novo do silêncio
e as pedras, as palavras do medo
os olhos falantes da mata
quando a onça posta a sua arte
nos fita, guardada em sua mágoa.

De ti amo a denuncia felina
das tuas mãos quebradas ao presente
a dança prometida do sol
nascer um dia a Oriente


David Mestre

Pensamento do dia


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Alturas de Machu Pichu


Machu Pichu, quadro de Tracy Zuber Posted by Hello

XII

Sube a nacer conmigo, hermano.
Dame la mano desde la profunda
zona de tu dolor diseminado.
No volverás del fondo de las rocas.
No volverás del tiempo
subterráneo.
No volverá tu voz endurecida.
No volverán tus ojos taladrados.
Mírame desde el fondo de la tierra,
labrador, tejedor, pastor callado:
domador de guanacos tutelares:
albañil del andamio desafiado:
aguador de las lágrimas andinas:
joyero de los dedos machacados:
agricultor temblando en la semilla:
alfarero en tu greda derramado:
traed la copa de esta nueva vida
vuestros viejos dolores enterrados.
Mostradme vuestra sangre y
vuestro surco,
decidme: aquí fui castigado,
porque la joya no brilló o la tierra
no entregó a tiempo
la piedra o el grano:
señaladme la piedra en que caísteis
y la madera en que os crucificaron,
encendedme los viejos pedernales,
las viejas lámparas,
los látigos pegados
a través de los siglos en las llagas
y las hachas de brillo ensangretado.
Yo vengo a hablar por
vuestra boca muerta.
A través de la tierra juntad todos
los silenciosos labios derramados
y desde el fondo habladme
tosa esta larga noche
como si yo estuviera
con vosotros anclado,
contadme todo, cadena a cadena,
eslabón a eslabón, y paso a paso,
afilad los cuchillos que guardasteis
ponedlos en mi pecho y en mi mano,
como un río de rayos amarillos,
como un río de tigres enterrados,
y dejadme llorar, horas, días, años,
edades ciegas, siglos estelares.

Dadme el silencio,
el agua, la esperanza.

Dadme la lucha, el hierro,
los volcanes.

Apagdme los cuerpos como imanes.

Acudid a mis venas y a mi boca.

Hablad por mis palabras
y mi sangre.

Pablo Neruda

Lágrima de preta


Quadro de John Will Davis Posted by Hello


Encontrei uma preta
Que estava a chorar,
Pedi-lhe uma lágrima
Para a analisar.
Recolhi a lágrima
Com todo o cuidado
Num tubo de ensaio
Bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
Do outro e de frente:
Tinha um ar de gota
Muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
As bases, os sais,
As drogas usadas
Em casos que tais.
Ensaiei a frio,
Experimentei ao lume,
De todas as vezes
Deu-me o que é costume:
Nem sinais de negro,
Nem vestígios de ódio,
Água (quase tudo)
E cloreto de sódio.


António Gedeão


O Feitiço do Batuque


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Sinto o som do batuque nos meus ossos,
o ritmo do batuque no meu sangue.
É a voz da marimba e do quissange,
que vibra e plange dentro de minh'alma,
- e meus sonhos, já mortos, já destroços,
ressuscitam, povoando a noite calma.

Tenho na minha voz ardente o grito
desses gritos febris das batucadas,
nas noites em que o fogo das queimadas
parece caminhar para o infinito...
E meus versos são feitos desse canto,
que o vento vai cantando, em riso e pranto,
quanto o batuque avança desflorando
o silêncio de virgens madrugadas.

Músicos negros, colossos,
e negras bailarinas, sensuais,
tocam e dançam, cantando,
agitando meus ímpetos carnais.
O batuque ressoa-se nos ossos,
seu ritmo louco no meu sangue vibra,
vibra-me nas entranhas, fibra a fibra,
sinto em mim o batuque penetrando
- e já sou possuído de magia!

A batucada tem feitiço eterno.
O batuque de dor e de alegria,
que sinto no meu ser, dentro de mim,
nunca mais terá fim,
nem mesmo alem do Céu e além do Inferno!


Geraldo Bessa Victor

60 anos depois da libertação


Auschwitz Posted by Hello

Para que todos recordem que, onde se queimarem livros queimar-se-ão homens!
A intolerância e todos os fundamentalismos políticos e religiosos conduzem sempre a estes caminhos.
Honra áqueles que tombaram no combate pela liberdade e daqueles que, sem defesa possível, morreram deixando-nos cravadas na memória imagens e testemunhos que jamais deveremos esquecer.

Dificuldade de governar


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1

Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.

2

E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

3

Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.

4

Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?

Bertold Brecht

Como Ulisses te busco e desespero




Como Ulisses te busco e desespero
como Ulisses confio e desconfio
e como para o mar se vai um rio
para ti vou. Só não me canta Homero.

Mas como Ulisses passo mil perigos
escuto a sereia e a custo me sustenho
e embora tenha tudo nada tenho
que em te não tendo tudo são castigos.

Só não me canta Homero. Mas como
Ulisses vou com meu canto como um barco
ouvindo o teu chamar -- Pátria Sereia
Penélope que não te rendes -- tu

que esperas a tecer um tempo ideia
que de novo o teu povo empunhe o arco
como Ulisses por ti nesta Odisseia.

Manuel Alegre

Quando surges na noite...


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Quando surges na noite, quando avanças
porque o som do batuque por ti chama,
teu corpo negro é chama que me inflama,
quando surges na noite, quando danças...

Quando danças, cantando as esperanças
e os desesperos todos de quem ama,
teu corpo negro é fogo que derrama
febre nas almas que repousam mansas.

Tu vens dançando (tudo em mim se agita)
e vens cantando (tudo em mim já grita),
quando surges em noite de queimada...

Depois, somos os dois, no mesmo abraço,
num batuque só nosso, num compasso
mais febril do que toda a batucada!

Geraldo Bessa Victor

Regresso


Foto daqui Posted by Hello

Bandeiras sem cores
Tremulam ao vento...

Passa o camião
onde vozes cantam,
São homens que voltam.

E o sonoro canto
vai longe...longe,
às cubatas sós
onde mães esperam.

Bandeiras desejos
Tremulam ao vento...

E as vozes deixam
na esteira dura
com o pó da estrada
cantos de renúncia.

E tremulando sempre
Bandeiras sem cores
Agitam desejos.

Nas sanzalas
Nascem vagidos novos!

Arnaldo Santos

Rua da Maianga


Maianga, Luanda Posted by Hello


Rua da Maianga
que traz o nome de um qualquer missionário
mas para nos somente
a rua da Maianga

Rua da Maianga às duas horas da tarde
lembrança das minhas idas para a escola
e depois para o liceu
Rua da Maianga dos meus surdos rancores
que sentiste os meus passos alterados
e os ardores da minha mocidade
e a ânsia dos meus choros desabalados!

Rua da Maiaga às seis horas e meia
apito do comboio estremecendo os muros
Rua antiga de pedra incerta que
feriu meus pezitos de criança
e onde depois o alcatrão veio lembrar
velocidades aos carros
e foi luto na minha infãncia passada!

(Nené foi levado pró hospital
meus olhos encontraram Nene morto
meu companheiro de infância de olhos vivos
seu corpo morto numa pedra fria!)

Rua da Maianga a qualquer hora do dia
as mesmas caras nos muros
(As caras da minha infância
nos muros inacabados!)
as mocas nas janelas fingindo costurar
a velha gorda faladeira
e a pequena moeda na mão do menino
e a goiaba chamando dos cestos
à porta das casas!
(Tão parecido comigo esse menino!)

Rua da Maianga a qualquer hora
o liso alcatrão e as suas casas
as eternas mocas de muro
Rua da Maianga me lembrando
meu passado inutilmente belo
inutilmente cheio de saudade!

Mário António

Conclusão


Luanda Posted by Hello


Para Maluda


E, no entanto, Luanda comove,
Luanda sobressalta
— Mulher que acorda extremunhada
quando menos espera
e desleixada penteia no espelho
maravilhado da baía
restos de sonho
entremeados pelo quotidiano
de longínquos páramos lembrados
pelo capricho de quem não tem dono.

Ruy Cinatti

("Os poemas do itinerário angolano", Cadernos Capricórnio, 1974, Angola/África)

Novas tecnologias


(carregar na imagem para ver o texto - por email) Posted by Hello

Primeiro dia de aulas


.. Posted by Hello

No primeiro dia de aulas numa escola secundária dos E.U.A. a professora apresenta aos alunos um novo colega, Sakiro Suzuki, do Japão.
A aula começa e a professora pergunta:
"Vamos ver quem conhece a história. Quem disse:
'Dê-me a liberdade ou a morte'?
Silêncio total na sala.
Apenas Suzuki levanta a mão:
"Patrick Henry em 1775 em Filadélfia".
"Muito bem, Suzuki.
E quem disse: 'O estado é o povo, e o povo não pode afundar-se'?"
Suzuki levanta-se: "Abraham Lincoln em 1863 em Washington".
A professora olha os alunos e diz:
"Não têm vergonha? Suzuki é japonês e sabe mais sobre a história americana que vocês!"
Então, ouve-se uma voz baixinha, lá ao fundo:
"Vai levar no cu, japonês de merda!"
"Quem foi?", grita a professora.
Suzuki levanta a mão e sem esperar, responde:
"General McArthur em 1942 em Guadalcanal, e Lee Iacocca em 1982 na Assembleia Geral da Chrysler".
A turma fica super silenciosa, apenas ouve-se do fundo da sala:
"Acho que vou vomitar".
A professora grita:
"Quem foi?"
E Suzuki responde:
"George Bush senior ao primeiro-ministro Tanaka durante um almoço, em Tokio, em 1991". Um dos alunos levanta-se e grita:
"Chupa-me o ....!"
E a professora irritada: "Acabou-se! Quem foi agora?"
E Suzuki, sem hesitações:
"Bill Clinton à Mónica Lewinsky, no Sala Oval da Casa Branca, em Washington, em 1997."
E outro aluno se levanta e grita:
"Suzuki é um pedaço de merda!"
E Suzuki responde:
"Valentino Rossi no Grande Prémio de Moto no Rio de Janeiro em 2002".
A turma fica histérica, a professora desmaia, a porta abre-se e entra o director que diz:
"Que grande Merda, nunca vi uma confusão destas."
Suzuki:
"Jorge Sampaio ao Santana Lopes, na apresentação do orçamento de Estado, em Lisboa, em 2004".

(por email)

Os amores que quero (e os que não quero)


.. Posted by Hello


Não quero mais saber se vais cumprir
Ou renegar,
As promessas que leio em teu olhar.

Também não quero mais compreender
Ou desvendar,
Os segredos que moram em teus silêncios.

Sei que há verbos de amor que conjugamos
Ou calamos
E bravuras de amor que não ousamos.

Mas sei também que o amor pede firmeza
E clareza
Em todos os tempos e modos que conjuga.

Não quero mais o amor de compromisso
Tão omisso
Nas liberdades que sempre anuncia.

Também não quero o amor instituído
Do marido,
Vítima inerme da monogamis.

Eu quero o amor sinfônico dos grilos,
Que mobilizam orquestras estridentes
Para encantar e amar suas nubentes.

Quero o amor triunfal dos pirilampos
Que iluminam o seu mundo e suas vidas,
Para atrair as suas preferidas.

Eu quero o amor trivial dos namorados
Liberto ou não, secreto, proibido,
Talvez proscrito ou amaldiçoado
Pelas forças que regem, ou que oprimem
As travessuras líricas do homem.

Eu quero amar, como a palavra indica,
Com a mais completa naturalidade.
Eu quero, enfim, viver, inteiramente,
Aquilo que o amor significa.

Luiz Bello