Dor di nh'alma

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Duem tcheu
Alma pertam ta tchora
Bo nha rainha c'ainda onte
Juram bo amor

Pa ba na kel mesmo lugar
Cum prova mam'crebô tcheu
Cai na braços ki ka di meu
Ki ka di meu

Magoam la na fund’ do coraçon
Corpo derretem
Solvê na mar d'ingratidão

M'ta lembra nos primero beijo
Era segredo d'nos paixão
Pa caba'sim di note pa dia
Note pa dia

Hoje pa bô, mim m'ka nada
Um indiferença
Bo ta spiam
Ka t'odjam
Pior ki morte

Ma disilusão ta dué
Ta quema ki nem lume
Ta foga ki nem agua
T'arasa ki nem vente
Nha amor
Nha fantasia


Betù








Ildo Lobo
Dor di Nh'Alma



Espanto
pelo terramoto em Moçambique. Solidariedade e um abraço imenso.

Dor di Nh'alma
por ver partir, mesmo brevemente, o Carlos Gil e o PMS.
Voltarão, estou certo!

Poema





Mar! Mar!
Mar! Mar!

Quem sentiu mar?

Não o mar azul
de caravelas ao largo
e marinheiros valentes

Não o mar de todos os ruídos
de ondas
que estalam na praia

Não o mar salgado
dos pássaros marinhos
de conchas
areias
e algas do mar

Mar!

Raiva-angústia
de revolta contida

Mar!

Siléncio-espuma
de lábios sangrados
e dentes partidos

Mar!
do não-repartido
e do sonho afrontado

Mar!

Quem sentiu mar?



Arménio Vieira

Talvez Sejamos Irmãos

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“Talvez Sejamos Irmãos” – Carta resposta do Chefe Índio
Seattle à proposta de aquisição das terras onde
vivia a sua tribo ao Presidente dos Estados Unidos da
América, Franklin Pierce – 1854.


Os Índios Duwamish habitavam na zona norte do actual estado de Washington, cuja capital Seattle tem o nome do Chefe Índio que proferiu o discurso, conhecido como a Carta do Chefe Índio, que é considerada como um dos mais belos manifestos ecológicos. Após a cedência das terras os índios Duwamish migraram para a reserva Port Madison onde está sepultado o Chefe Seattle.



"O Grande Chefe de Washington comunicou-nos o seu desejo de comprar as nossas terras. O Grande Chefe assegurou-nos também da sua amizade e de quanto nos preza. Isso é muito generoso da sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade.

Porém, vamos considerar a sua oferta, pois sabemos que se o não fizermos, o homem branco virá com armas e tomará as nossas terras.

Mas, como pode comprar ou vender o céu e o calor da terra? Tal idéia é estranha para nós. Se não somos os proprietários da pureza do ar ou do resplendor da água, como podes comprá-los a nós?

Cada torrão desta terra é sagrado para meu povo. Cada folha reluzente de pinheiro, cada praia arenosa, cada clareira e cada zumbido de insecto são sagrados nas tradições e na memória do meu povo. A seiva que corre nas árvores transporta consigo as recordações do homem de pele vermelho. O homem branco esquece a sua terra natal, quando, depois de morto vai vagar por entre as estrelas. Os nossos mortos nunca esquecem a beleza desta terra, pois ela é a mãe do homem de pele vermelha. Somos parte destas terras como elas fazem parte de nós.

As flores perfumadas são nossas irmãs; o veado, o cavalo, a grande águia - são nossos irmãos. As cristas rochosas, as seivas das pradarias, o calor que emana do corpo de um pónei e o próprio homem, todos pertencem à mesma família.

Assim, quando o Grande Chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, ele exige muito de nós. O Grande Chefe manda dizer que nos reservará um lugar em que possamos viver confortavelmente e que será para nós como um pai e que nós seremos seus filhos. Vamos considerar a sua oferta de comprar a nossa terra, embora isso não seja fácil, pois esta terra é sagrada para nós.

A água cintilante dos rios e dos regatos não é apenas água, é o sangue dos nossos antepassados. Se vendermos a nossa terra, terás de te lembrar que ela é sagrada e deverás ensiná-lo aos teus filhos e fazer-lhes saber que cada reflexo na água límpida dos lagos fala do passado e das recordações do meu povo. O murmúrio das águas é a voz do pai de meu pai. Os rios são nossos irmãos, matam-nos a sede, transportam-nos nas canoas e alimentam os nossos filhos. Se vendermos a nossa terra, terás de te lembrar e ensinar aos teus filhos que os rios são nossos e vossos irmãos, e terás de dispensar-lhes a bondade que darias a um irmão.

Nós sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um pedaço de terra vale o mesmo que outro, porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que necessita. A terra não é sua irmã, mais sua inimiga, e depois de a conquistar prossegue o seu caminho. Deixa para trás as sepulturas dos seus antepassados e isso não o importa. Apodera-se das terras dos seus filhos e isso não o inquieta. Ele considera a terra, sua mãe, e o céu, seu irmão, como objectos que podem ser comprados, saqueados ou vendidos como ovelhas ou miçangas cintilantes. Na sua voracidade arruinará a terra e deixará atrás de si apenas um deserto.

Não sei. Nossos caminhos diferem dos vossos. As vossas cidades ferem os olhos do homem de pele vermelha. Não há lugares calmos nas cidades do homem branco. Não há sítios onde se possa ouvir as folhas a desabrochar na primavera ou o zunir das asas dos insectos. O barulho que tudo domina ofende os ouvidos do homem de pele vermelha. Para que serve a vida se um homem não pode escutar o grito solitário do noitibó ou a lengalenga nocturna das rãs à volta de um pântano ? Sou um homem de pele vermelha e não compreendo, talvez porque os homens de pele vermelha são selvagens e ignorantes. O índio prefere o suave sussurro do vento roçando a superfície de uma lagoa e o perfume do ar lavado pela chuva do meio-dia ou carregado do aroma dos pinheiros.

O ar é precioso para o homem de pele vermelha, porque todas as criaturas partilham a mesma aragem: os animais, as árvores, o homem todos respiram o mesmo ar. O homem branco parece indiferente ao ar que respira. Como um moribundo em prolongada agonia, ele é insensível ao ar fétido. Mas se vendermos as nossas terras, deverás recordar que o ar é precioso para nós, que o ar reparte o seu espírito com toda a vida que ele sustenta. O vento que deu o primeiro sopro de vida ao nosso antepassado recebe também o nosso último suspiro. Se vendermos as nossas terras, deverás conservá-la como um lugar reservado e sagrado, onde o próprio homem branco possa saborear o vento perfumado pelas flores da pradaria.

Assim pois, vamos considerar a oferta para comprar a nossa terra. Se decidirmos aceitar, será com uma condição: O homem branco deverá tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo outros costumes. Eu vi milhares de búfalos a apodrecer na pradaria, abandonados pelo homem branco que os abatia de um combóio em movimento. Eu sou um selvagem que não compreende que o cavalo de ferro fumegante possa ser mais importante do que o búfalo que nós, os índios, matamos apenas para o sustento de nossa vida.

O que seria do homem sem os animais? Se todos os animais desaparecessem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo quanto acontece aos animais não tarda a acontecer ao homem. Todas as coisas estão relacionadas entre si.

Deverão ensinar aos vossos filhos que o chão debaixo dos seus pés é feito das cinzas dos nossos antepassados. Ensinem aos vossos filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. Tudo quanto fere a terra fere os filhos da terra. Se os homens cospem no chão é sobre eles próprios que cospem.

Uma coisa sabemos: a terra não pertence ao homem, é o homem que pertence à terra. Disto temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si.

Tudo o que acontece à terra acontece aos filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a teia da vida, ele não passa de um fio da teia. Tudo que ele fizer à trama, a si próprio fará.

Mas nós vamos considerar a vossa oferta e ir para a reserva que destinais ao meu povo. Viveremos à parte e em paz. Que nos importa o lugar onde passarem os o resto dos nossos dias ? Já não serão muitos. Ainda algumas horas, alguns invernos e não restará qualquer dos filhos das grandes tribos que viveram outrora nestas terras, ou que vagueiam ainda nas florestas. Nenhum estará cá para chorar as sepulturas de um povo tão poderoso e tão cheio de esperança como o vosso. Mas porque chorar o fim do meu povo ? As tribos são constituídas por homens e nada mais. E os homens vão e vêm como as vagas do mar.

Nem o próprio homem branco pode escapar ao destino comum. Apesar de tudo talvez sejamos irmãos, veremos. Mas, nós sabemos uma coisa, que o homem branco talvez venha a descobrir um dia, o nosso Deus é o mesmo Deus. Ele é o Deus dos homens e a Sua misericórdia é a mesma para o homem de pele vermelha e para o homem branco. A terra é preciosa aos olhos de Deus e quem ofende a terra cobre o seu criador de desprezo. O homem branco perecerá também e, quem sabe, antes de outras tribos. Continuem a macular o vosso leito e irão sufocar nos vossos desperdícios.

Mas na vossa perdição brilhareis em chamas ofuscantes acendidas pelo poder de Deus que vos conduziu e que, por desígnios só por Ele conhecidos, vos deu poder sobre estas terras e sobre o homem de pele vermelha. Este destino é para nós um mistério. Não o compreendemos quando os búfalos são massacrados, os cavalos selvagens subjugados, os recantos secretos das florestas ficam impregnados do odor de muitos homens e as colinas desfiguradas pelos fios falantes. Onde está a floresta virgem ? Desapareceu. Onde está a águia ? Morreu. Qual o significado de abandonar os póneis e a caça ? É parar de viver e começar a vegetar.

É nestas condições que vamos considerar a oferta da compra das nossas terras. E se aceitarmos será apenas para ficarmos seguros de recebermos a reserva que nos prometeram. Talvez aí possamos acabar os nossos dias e quando o último homem de pele vermelha tiver desaparecido desta terra, e a sua recordação não for mais do que a sombra de uma núvem deslizando na pradaria, estes lugares e estas florestas abrigarão ainda os espíritos do meu povo. Assim se vendermos as nossas terras amai-as como as temos amado e cuidai delas como nós cuidámos. E com toda a vossa força e o vosso poder conservem-na para os teus filhos e amem-na como Deus nos ama a todos.

Sabemos uma coisa: o nosso Deus é o mesmo Deus. Ele ama esta terra. O próprio homem branco não pode fugir ao mesmo destino. Talvez sejamos irmãos, veremos.



Chefe Seattle
Tribo Duwamish

Poema





De onda em onda vou reerguendo o meu castelo
Ao som das ondas vou revivendo novas esperanças
É no balançar da canoa que sinto o ressurgir da vida
É ao ritmo da canoa que eu vou roubando espaço
ao tempo e reconquistando a minha dignidade

Este é o rugir de um escravo liberto do tronco, mas
não do doce e moderno chicote do ocidente.


Macolele Mwane

Changara


Foto de Carlos Loff Fonseca



Engoliram luas as crianças de Changara
Os olhos delas são pássaros tristes sem voo
que no desespero da fome acumulada
comem estrelas como se fossem grãos de milho.
Quando as sementes secaram nos campos
e o sangue secou nas veias dos rios
e a seiva secou nas veias das plantas
e o sol secou os celeiros da aldeia,
serpentes famintas silvam em volta
do peito cindido. Uma toupeira chora
ao frémito dos imbondeiros. Grave,
arde sobre a erva amarga a dor:
Das luas engolidas pelas crianças
quantas tardará a ecoar nos jornais?



Julius Kazembe
in "Vozes poéticas da lusofonia"

E esta??



Inglês:

Three witches watch three Swatch watches.

Which witch watch which Swatch watch ?


Português:

Três bruxas olham para três relógios Swatch.

Que bruxa olha para que relógio Swatch?




A língua portuguesa pode até ser traiçoeira... mas ninguém me fale em complicação!!

SL Benfica com novo reforço



A Kitanda soube, de fonte segura, que José Veiga depois das últimas exibições do SLB negociou com o Dhaka FC a contratação de um jogador fabuloso.
Possante, com belíssimos pés, sem medo de ir ao choque, polivalente, capaz de enfiar o barrete a qualquer árbitro e igualmente superdotado para o basquetebol !!!

Conseguimos descobrir que a inscrição do novo reforço terá sido feita antes de 31 de Janeiro podendo, por isso, vir a defrontar o FC Porto.
A sua chegada a Portugal está prevista para as vésperas daquele importante jogo em voo charter e exclusivo.
A revelação desta contratação deixou já Pinto da Costa de... trombas!

Ei-lo, o novo reforço encarnado quando, na capital do Bangladesh, fazia a sua exibição perante o director da SAD benfiquista.

Oração para uma ética para o novo milénio


Himalaya, Tibet



"Que eu me torne em todos os momentos, agora e sempre,
um protector para os desprotegidos,
um guia para os que perderam o rumo,
um navio para os que têm oceanos a cruzar,
uma ponte para os que têm rios a atravessar,
um santuário para os que estão em perigo,
uma lâmpada para os que não têm luz,
um refúgio para os que não têm abrigo
e um servidor para todos os necessitados."


Dalai Lama









Oliver Shati & Friends
Himalyan Skies

Pensamento do dia




"Depois de escalar um grande morro, descobrimos apenas que há muitos
outros morros para escalar".

Nelson Mandela

Mbanza Congo / São Salvador










Ricardo Lemvo & Makina Loca
São Salvador

Inch'Allah




Este mapa, no subconsciente de toda a comunidade internacional e sobretudo dos árabes, parece ser a razão próxima disto...



Isto, publicado por um direitista e obscuro jornal dinamarquês...




...nada mais é que um pretexto para todos os falcões da guerra esfregarem as mãos de contentes. Alguns desses falcões foram caricaturados no mundo árabe desta forma...



Há que condenar com toda a convicção a violência e defender com a mesma convicção a democracia e a liberdade de imprensa.
´
Nenhum extremismo, de direita ou de esquerda, ocidental ou árabe, pode colocar em questão o direito de publicar livremente, nem os cidadãos livres de todo o mundo podem deixar de a exigir.

As caricaturas, mesmo estas, não são demonstração de xenofobia. Poderá a publicação, sê-lo?

A auto-censura ou o exemplo «magnífico» que aqui fica, são solução? Não, veementemente!




Alguém, que não os artistas, pretendeu soltar demónios sem saber bem se os poderia conter!

Inch'Allah...

Oxalá,
Queira Deus,
haja o bom senso de pensar... e bem!

Se me quiseres conhecer

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Se me quiseres conhecer,

Estuda com olhos de bem ver

Esse pedaço de pau preto

Que um desconhecido irmão maconde

De mãos inspiradas

Talhou e trabalhou em terras distantes lá do norte.


Ah! Essa sou eu:

órbitas vazias no desespero de possuir a vida

boca rasgada em ferida de angustia,

mãos enorme, espalmadas,

erguendo-se em jeito de quem implora e ameaça,

corpo tatuado feridas visíveis e invisíveis

pelos duros chicotes da escravatura...

torturada e magnífica

altiva e mística,

africa da cabeça aos pés,

– Ah, essa sou eu!


Se quiseres compreender-me

Vem debruçar-te sobre a minha alma de africa,

Nos gemidos dos negros no cais

Nos batuques frenéticos do muchopes

Na rebeldia dos machanganas

Na estranha melodia se evolando

Duma canção nativa noite dentro


E nada mais me perguntes,

Se é que me queres conhecer...

Que não sou mais que um búzio de carne

Onde a revolta de africa congelou

Seu grito inchado de esperança.



Noémia de Sousa
In notícias, 07.03.1958, página “Moçambique 58

conformada frustração...






conformada frustração de todas manhãs e épocas

recalcada pobreza mercantil do destino

repercutindo-se por todos compartimentos que habitamos



um trovão ressoa na memória violento como uma bomba

clarões dispersos renovam na infância sucessivos momentos

no fundo do túnel



um cheiro a palha podre na casa

e insectos rodopiando nas proximidades da impaciência



giram girassóis no vácuo do sonho por cima de toda tristeza

de mãos dadas até às raízes

de tantas noites ao relento

garras e lâminas

suportadas como vento


Momed Kadir

El poema y la geografia

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En los países de Occidente, amiga mía,

el poeta nace libre

como los peces en los extensos mares

y canta

en el regazo de los lagos,

en los prados susurrantes

y en los campos de granados.



... Aquí

el poeta nace en un saco de polvo,

canta a reyes de polvo,

a caballos de polvo

y a espadas de polvo.

Es un milagro

que el poeta convierta la noche en día.

Es un milagro

que plantemos flores

entre asedio y asedio.



Nosotros no escribimos

-como el poeta occidental- poesía,

escribimos, amiga mía,

el acta de suicidio.



Nizzar Qabbani
Tradução de María Luisa Prieto

Quem sou eu?





Hoje sou um corpo sem alma
Que vagueia perdidamente pelas esquinas
dos sonhos impossíveis
Sigo à deriva nas asas pesadas
de um triste condor
No céu dos meus dias abstratos descansam
nuvens cor de chumbo
que esfacelam a dor
No espelho do tempo esqueci de
enaltecer as utopias e
segui uma viagem ao meio do nada
No peito carrego um coração seco e
uma vida abstraída de emoções
Tudo é nada
Abri as portas do infinito do meu ser e
encontrei o vazio
Amanhã não sei quem serei
Ou o que serei!
Não importa!
Tudo é mistério
Quem sabe a terra do nunca habitarei
Lá a felicidade invisível abraçarei e
nos braços das vãs ilusões morrerei!


Zena Maciel

I Am Your Mother



I am your Mother, do you not hear my heart beat,
Can you not feel the love I send;
Was not the air you breathed, my scent so sweet,
Is my pain hard for you to comprehend.


Upon my body snow lays soft and white,
Beneath my skin the future sleeps;
My blood flows to nurture and delight,
Into the ground it deeply seeps.


Mountains tall, clouds wreath my crests,
Rolling hills once wooded thick;
Gentle prairies too were once lush with grass,
Where did my bounty go so quick.


Sandy beaches and rock girded shore,
Where ocean waters sweep and crash;
A land of beauty, once so pure,
Marred by man's actions heedless and rash.


All this beauty was yours to behold,
Your duty was to love, cherish and protect;
Feel my anguish, the pain in my soul,
All I asked was your respect.


I am your Mother.


by Wazi Nagi, 'Pine Tree Soul'

Sonho de Liberdade




de todas as pradarias
Senhor
dirigida a Vós,
uma súplica,
uma prece,
ecoará como um grito,
E o meu relincho
Relincharei.
erguendo as patas para o céu.
pararei à beira de abismos,
não cairei nas profundezas;
Por vossa providência
especialmente para mim.
sentir o Sol nascer,
cheirar os verdes, amarelos e vermelhos;
as brisas da Primavera!
aspirar pelas narinas frementes
aquecer-me com o frio,
por essa vasta imensidão;
Deixa o meu espírito partir de madrugada
salpicada de malmequeres e de papoilas também.
correndo à desfilada pela pradaria,
Oh, Senhor! Deixai-me ser como cavalo branco


Sonho de Liberdade (*)




Manuel Martins Gaspar Tomé



(*) Este poema lê-se quer de baixo para cima, onde se encontra o título,
quer de cima para baixo

Peço desculpa pela violência, a poesia segue dentro de momentos...


Que ninguém esqueça!





O rosto da mentira...


Diálogo á moda de Cavaco.

Faro - onde um porteiro foi despedido por ter cumprido as suas obrigações.


Protesto estudantil = Geração rasca!

Buzinão



Resultados práticos...




Canção de arroz





À música de Kitaro
“A Child Without a Father”


monumento de pranto
movimento lento

sonho que sinto
tanto espanto
à sombra deste canto
sem tempo

água é ungüento
enquanto um córrego
desce em labirintos
e cala o colo santo

o grito do arroz
novamente se iguala
ao sol nos altos montes
que se escondem
em sobressalto
para o parto
de um outro momento...

assim seja,
posto que a vida de Deus
é muito mais
que a ferida de uma bala!



João de Abreu Borges









Kitaro
A Child Without A Father

Ser Escravo





A África é o meu país
Nasci escravo
Meu lar foi um porão de um navio negreiro
Muito tarde conheci a luz do sol
Meu mundo foi a senzala
Meus dias foram tão negros
quanto a minha pele
De piche meu coração foi impregnado
Sempre vivi à sombra do meu senhor
Como escravo jamais pude sonhar
Dá vida só conheci um triste canto:
"Pau, pão e pano"
Do meu feitor perdi o medo
Porque a morte já não temia
Viver ou morrer tanto fazia
Da senzala corri e um quilombo abracei
Nos batuques dos tambores a felicidade
beijei
Nas rodas de capoeiras as dores da alma soltei
Zumbi eu procurei...procurei....procurei
Nas esquinas do tempo eu o encontrei
Aos seus pés me curvei e chorei
A minha Carta de Alforria eu lhe implorei
Mais como resposta eu escutei:
Escravo nasceste e escravo morrerás.


Zena Maciel
Sal da Vida

o mágico sopro das calemas





O movimento da luz aquece
as paredes de vidro do teu coração
deixa-me dizer-te outra vez
o mágico sopro das calemas
de oiro em brasa no ouvido
teia de sol batuque de saliva
de um deus perfeito que constrói
a sinopse de prata do teu útero
à sombra das folhas do tabaco
deixa-me escutar outra vez
de oiro em brasa no ouvido
o teu perfume de jibóia sobre a nuca.


José Luis Mendonça

Pensamento do dia

Palavras do exilado





as árvores já perderam a folhagem
as águas endureceram nos riachos
e pássaros pequenos de peito encarniçado
disputam vorazmente invisíveis migalhas
esta é a estação da máxima nudez
o clima em que se engendra o regressar
do solitário e do meticuloso
animais rapidíssimos de pelo pardacento
esgaravatam transidos soltando breves guinchos
de longe a longe venenosas bagas brilham
eu levanto-me cedo todas as manhãs
e vou fazendo registos destas coisas
enquanto aguardo notícias do meu sul



Luís Amorim de Sousa
Ultramarino

Ronda





Na dança dos dias
meus dedos bailaram...
Na dança dos dias
meus dedos contaram
contaram, bailando
cantigas sombrias...

Na dança dos dias
meus dedos cansaram...

Na dança dos meses
meus olhos choraram
Na dança dos meses
meus olhos secaram
secaram, chorando
por ti, quantas vezes!

Na dança dos meses
meus olhos cansaram...

Na dança do tempo,
quem não se cansou?!

Oh! dança dos dias
oh! dança dos meses
oh! dança do tempo
no tempo voando...

Dizei-me, dizei-me,
até quando? até quando?


Alda Lara

Purificação da ilha






Entrega-me o teu destino de fim de semana
Rasgado sobre os círculos do mungolongolo
Erguido sobre o fogo não extinto das masuíca
Sobre o quitelembe dos corpos saciados

Entrega-me o ventre branco das tuas praias
Onde a gestação dos passos se interrompe
E os rituais de iniciação apodrecem

Entrega-me o quissocossoco dos teus nascimentos
E o conteúdo das tuas mortes desfeito em terra

Vamos dar-te o fogo do sol antigo!
Libertar o teu nome de sal dos cristais desnaturados
O teu corpo violado no exotismo das palmeiras
Que abafam o lamento das sereias
Vamos cingir-te com panos de lemba
E expor os novos crâneos que renascem
Ao vento rijo das calemas

Vamos fazer das tuas mortes vida ausente
Vamos dar-te o fogo do sol antigo!



Arnaldo Santos

Mãos




Mãos que moldaram em terracota a beleza e a serenidade do Ifé.
Mãos que na cera polida encontram o orgulho perdido do Benin.
Mãos que do negro madeiro extraíram a chama das estatuetas olhos de vidro
e pintaram na porta das palhotas ritmos sinuosos de vida plena:
plena de sol incendiando em espasmos as estepes do sem-fim
e nas savanas acaricia e dá flores às gramíneas da fome.
Mãos cheias e dadas às labaredas da posse total da Terra,
mãos que a queimam e a rasgam na sede de chuva
para que dela nasça o inhame alargando os quadris das mulheres
adoçando os queixumes dos ventres dilatados das crianças
o inhame e a matabala, a matabala e o inhame.


Mãos negras e musicais (carinhos de mulher parida) tirando da pauta da Terra
o oiro da bananeira e o vermelho sensual do andim.
Mãos estrelas olhos nocturnos e caminhantes no quente deserto.
Mãos correndo com o harmatan nuvens de gafanhotos livres
criando nos rios da Guiné veredas verdes de ansiedades.
Mãos que à beira-do-mar-deserto abriram Kano à atracção dos camelos da aventura
e também Tombuctu e Sokoto, Sokoto e Zária
e outras cidades ainda pasmadas de solenes emires de mil e mais noites!


Mãos, mãos negras que em vós estou pensando.


Mãos Zimbabwe ao largo do Indico das pandas velas
Mãos Mali do sono dos historiadores da civilização
Mãos Songhai episódio bolorento dos Tombos
Mãos Ghana de escravos e oiro só agora falados
Mãos Congo tingindo de sangue as mãos limpas das virgens
Mãos Abissínias levantadas a Deus nos altos planaltos:
Mãos de África, minha bela adormecida, agora acordada pelo relógio das balas!


Mãos, mãos negras que em vós estou sentindo!


Mãos pretas e sábias que nem inventaram a escrita nem a rosa-dos-ventos
mas que da terra, da árvore, da água e da música das nuvens
beberam as palavras dos corás, dos quissanges e das timbilas que o mesmo é
dizer palavras telegrafadas e recebidas de coração em coração.
Mãos que da terra, da árvore, da água e do coração tantã
criastes religião e arte, religião e amor.


Mãos, mãos pretas que em vós estou chorando!



Francisco José Tenreiro

Batata africana





Sinto a garganta
muito quente
não consigo
engolir
esse produto
disseram-me
que tenho
doença da lua
e o médico
de família
diz que
consegue
tratar tudo
mas os outros
que lá foram
não voltaram
e o curandeiro
disse que melhoraram
mas ninguém sabe
se morreram ou não
no entanto o ocidente
aplaude
diz que há melhorias
na verdade
diminui-se
a pobreza
quando morrem
os pobres
essa é a nossa lógica
infelizmente
assim acontece!


Domingos Pedro

Viage

Foto de Mike Danzenbaker



Para habitar as planícies da ausência
e escalar os montes de tempo
que não vives

eis a secreta viagem
duma ave imaginária
em busca do instante
onde tudo recomeça


Armando Artur

Haidi nós!!



aqui para todos os gostos... mas este está espantoso!!
Vale bem a visita.

Feliz Ano Novo




"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante, vai ser diferente."


Carlos Drummond de Andrade


Feliz Ano Novo!