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Assim foi... assim será













nuvem galáctica que se dissipa no espaço

se condensa

perde a aura difusa

ganha forma

e se oferece para a vida


silhueta que emerge do horizonte

se define

transforma e muda

a essência da paisagem

miragem materializada


multidão indistinta

com vida mas indefinida

de onde rompes resoluta

fénix renascida

dádiva divina


palavras dedilhadas

de um lugar indistinto

palavras que encontraram palavras

grito de revolta e pedido de socorro

solidão e esperança


intenso e idílico encontro

sentenciado por tantâlico suplicio

apenas a marcha do tempo

a verdade e a resistência

á rudeza do caminho

os libertarão do sofrimento

para o amor


assim foi

assim será



Cacusso

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Meditemos





"(...) Quando morreu a consciência do povo, falou-se em autoridade do governo e lealdade dos cidadãos."


Lao-tsé



Não morreu...ainda.

Todos os dias
seja como fôr
o veneno que a ilude é inoculado,
misturando e confundindo realidades.

Ventos do deserto
transportarão gritos...
mil vezes aumentados.
Imagens irreais.

Uns dirão que o vento empurra
el-rey Dom Sebastião
e que a voziaria outra coisa não é
que a alegria da libertação.

Outros oráculos predirão
serem de sofrimento os gritos... que mais não são que o vento,
de redenção e de futuro as imagens... que outra coisa não são que miragens.

Miragens e uivos do vento,
eis tudo o que nos é oferecido.

No dia em que o povo
aceite a morte da sua consciência,
abraçará bovinamente
a dádiva dos falsos salvadores,
dos monstros lamacentos,
que se pretendem fazer passar
por gloriosas fénix renascidas,
cândidas e impolutas virgens.

Não há vento que sempre dure,
nem miragem que não acabe.

Nenhum povo deixará que lhe matem a consciência.

Aquele que o fez, arrependeu-se!



Cacusso

Há dez anos



















Amanheceu quente
cinzenta
e triste.

Triste
Como todas
as manhãs de cacimbo

Triste
Como todas
as manhãs de partida

Muito diferente
de uma outra
quente
e luminosa
á hora da chegada

O horizonte
chamou por mim
Um olhar
Pensamentos em vórtice
corpo em chamas.
Queimada na savana

E estava ali
Ainda

A Estrada de Catete
o pulsar da cidade
passaram por mim
com uma estranha
calma
silêncio

O bulício
de todos os dias
partira
para onde?

Tudo parecia mover-se
em silêncio...

Silêncio quebrado
pelos acordes
de A song for guy

Os mesmos acordes
doces
belíssimos
empolgantes
do momento da chegada...

Há dez anos
Foi assim

Tenho
os acordes
preparados
para o regresso

Depois...
deitá-los-ei fora
esquecê-los-ei.

Não voltarei
a partir embalado
por eles.



Cacusso


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Cacusso


Montagem feita com este brinquedo, descoberto aqui.
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Quintal do Cacusso

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Outono em Julho


Brandoa Posted by Picasa


Calor escaldante
Ontem ameaçava despir-se...
Hoje está nua.

Pedaço de África


Damaia, minutos atrás Posted by Picasa


Massaroca de milho assado
Pedaço de África
Numa esquina da Europa...

Odor que nos transporta
No espaço e no tempo...

No mundo das crianças


A minha Ana Cristina navegando no mundo de sonhos Posted by Hello

Há

Riso contagiante,
Correria sem destino,
Pássaro ao vento,
Experiência de voo,
Dúvida e êxtase,
Felicidade!

E também

Meninos sem pais,
Choro de desespero e
Gritos de coragem.
Exploração vil,
Abandono criminoso e
Medo!

Há

Sonho palpável,
Esperança sem limite,
Horizonte de saber,
Sangue em fúria,
Vontade de mudança,
Irreverência!

E também

Meninos com armas,
Livros sem meninos.
Brinquedos abandonados,
Ilusões desfeitas.
Vastas barrigas cheias
De fome!


Um dia as crianças tomarão nas suas mãos
o mundo que é deles,
que nós lhes tomámos por empréstimo.

Será esse o início de um mundo novo
Que não soubemos, de todo, construir!

Eu, quando for grande,
quero continuar a ser criança
para que o sonho não morra!



Cacusso
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Reflexões temporais


.. Posted by Hello

A escuridão reinava,
densa e impenetrável.
Continha em si a força destruidora,
a explosão, a energia criadora e a luz.

Emergiu o reino do tempo.

Ao momento de trevas, de ordem,
de unificação sucedeu o caos,
a luz, a necessidade de complemento,
a criação... e o tempo.

Tempo, luz, criação, complemento...quanto mais, melhor!

Que venha o tempo e levante questões...
Que traga sofrimento e dúvida...
Que venha o tempo e a luz...
Partilhemos a luz,
saberemos então o valor do amor!

Perder-se-á o tempo se dele não se fizer luz.
O tempo é o momento, a luz...
As matizes caleidoscópicas da luz
são a memória do tempo,
do meu tempo.



Cacusso


"Fala-me de tempo, Poeta.
Do teu tempo..."

"Nos tempos em que o tempo é só instante
Tão intenso e penetrante
Que o poderia chamar, por maldade
De pura felicidade."


Agradeço á Margens e ao António San a inspiração :-) :-P
destes pensamentos.
Fantásticas e luminosas, porque intemporais, são as suas palavras.

Obrigado!
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Avós


Zé e Alexandrina, do Vale de Asna. Posted by Hello

Em foto publicada pelo Correio da Manhã na edição de 21-3-82 e que ilustrava o sétimo artigo sobre a Regionalização - Como ligar o poder central às Regiões Administrativas.

Saudade.
Honra á sua memória.

Férias... há 40 e tantos anos

Chega a altura de férias…
Sinto, muitos dias antes da partida, a agitação da minha mãe na preparação de tudo quanto era necessário durante o mês que iríamos estar longe…
Vejo nitidamente a agitação e sinto a saudade no seu olhar.
Relembro a exagerada quantidade de coisas que preparava e os risos que isso provocava.
O dia da partida!
O primo Querubim chegou, vagarosamente, pelas ruas térreas e escavacadas da Brandoa, no seu sumptuoso DKW.
Viagem inicial apenas com as luzes do automóvel e a entrada na cidade…
Depois a passagem na Praça de Espanha com todas aquelas luzes, a entrada num mundo diferente…
Recordo, extasiado, as luzes de Lisboa como se tivesse sido transportado para um outro mundo.

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Chegada a Santa Apolónia agitada e fervilhante de actividade…
A entrada no comboio-correio, á meia-noite, completamente apinhado de gente…
A viagem a pé, quase sempre, sentando-me sobre as malas, episodicamente, por troca com a minha irmã.
A paragem em todas as estações e apeadeiros…
Anos depois, pelas várias experiências pessoais e pelo «ensino», saberia sem dificuldade o nome de todas as estações…
Chegada de manhã a Coimbra e a mudança de comboio…na altura em que o comboio para a Lousã passava pelo meio da cidade…

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Manhã alta… cada vez mais perto.
Sabia estar cada vez mais perto… O lento andamento do comboio permitia-me ver que boa parte das pedras entre os carris eram lisas como as que cobriam os caminhos das serranias para onde ia.
Lousã…e nova mudança de transporte.
Desta vez para um autocarro antiquíssimo…

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Bagagens sobre o tejadilho e aí vamos nós curva após curva em direcção a Arganil.
Pelo caminho ficara já parte do farnel que a minha mãe tinha religiosamente preparado e viajava num cesto de vime.
Góis… a ponte romana sobre o Rio Ceira.
A emoção cresce.
Uns quilómetros á frente sabemos estar quase a família toda á espera…
O autocarro gingão bamboleia-se numa curva, á direita vê-se a povoação de Sequeiros… é a seguir.
O meu pai chama a atenção do cobrador que sairemos na paragem seguinte – Sarnôa, junto á Capela da Senhora da Boa Viagem.
Á saída de nova curva….uma pequena recta, dentro do autocarro os sorrisos rasgam-se…lá fora ao longe, entre as mimosas e os pinheiros, vêm-se braços no ar de alegria.
Cumprimentos, abraços, beijos, risos e lágrimas de felicidade pelo reencontro enquanto a bagagem escorrega por uma corda junto ás janelas do autocarro.
Arrumar a bagagem na mula que o meu avô traz.
Foto de recordação e início da última parte da viagem, já a meio da tarde, que nos levará dali até á aldeia de Vale de Asna.

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Por cada aldeia que se passa o mesmo ritual… os abraços, os beijos, a alegria…e os sucessivos e irrecusáveis convites para petiscar qualquer coisa e molhar a garganta.
O alcatrão ficou para trás… terra batida agora até ao fim, sempre a subir.
Estrada só até Linhares, daí por diante será a subida de Martim Pires que nos deixará na fronteira entre Góis e Arganil.
Volta-se a encontrar estrada florestal na Celada das Eiras onde se disfruta de uma paisagem deslumbrante… e onde é obrigatório parar, para petiscarmos todos e recuperar do esforço dispendido na íngreme subida e para, depois do repasto e de mais dois dedos de conversa, começarmos a separação para as várias aldeias… até aos dias seguintes, nos trabalhos do campo, nas convívios familiares ou nas Festas de Santa Catarina ou do Senhor da Amargura.
Finalmente a chegada!

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Retrato de vinte e quatro horas de viagem num país cinzento e tristonho, a meio do ultimo quartel do século vinte, onde se passava de um bairro clandestino para a civilização e daí para um isolamento quase absoluto e um modo de vida quase feudal.

Mas, mesmo assim, com que emoção recordo estes passos…

Que saudade!!

Curiosidade


Cacusso Posted by Hello

Hieroglificamente escrito, aqui

Cheguei há 47 anos...


.. Posted by Hello

Paletes de anos, resmas de velas, nada de desespero, pelo contrário!!

Pensamento do dia:
"Não existe maior loucura no mundo do que um homem entrar em desespero" - Miguel Cervantes (1547-1616)

Daqui

Estabilidade.... instabilidade


... Posted by Hello

De um lado 202 anos de governo, uma infinidade de atentados aos direitos humanos á justiça e á vida; do outro 28 anos, com alguns erros quer de governo quer de «casting».

A diferença faz-se no resto porque os erros de 202 anos são infinitamente mais graves!
Que a «instabilidade» se mantenha!

O nosso problema como povo não é o de estabilidade política (ainda bem que não houve!), é de rumo!
Defina-se com clareza o rumo, corrijam-se as injustiças, os desmandos, as ilegalidades e o «chico-espertismo» e voltaremos a ser grandes entre os povos.
Se o nosso destino colectivo está ligado á Europa, de onde «saímos» em 1415 e onde não nos sentimos nada confortáveis, ou na cooperação com outros povos, nomeadamente em África, é algo que urge definir.
Mas é aqui, sem sombra de dúvidas, que se joga o destino de Portugal enquanto país.

Imagens que marcam


.. Posted by Hello

Inolvidável...



Quem alguma vez sentiu a imensidão de África
soube o que é a mais completa liberdade.

Quem sentiu o seu calor
e reconheceu o seu encanto...
jamais a esquecerá!

A terra é imagem das suas gentes...
Inesquecível!
Jamais se esquecerá!

Mama Africa
Berço da humanidade



Cacusso
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Bilhete de identidade


Cacusso

É originário da República do Congo, África. Tem grande capacidade de comer as plantas aquáticas que se estavam a tornar nocivas. É exclusivamente herbívoro e recomendado para criação (aquacultura) em áreas de dimensões médias. Os especialistas não recomendam a sua disseminação em áreas de grandes dimensões como as albufeiras de barragens. Isso porque se multiplica demais e, em pouco tempo, não é possível introduzir outras espécies. É um peixe muito parecido com o acará comum. Prefere temperaturas da água entre 21 e 35º C e só se reproduz nessa faixa. Começa a reproduzir-se com 15 cm de comprimento, geralmente antes de um ano de idade. São monógamos. Raramente ultrapassam os 40 cm de comprimento e 1,5 kg de peso. Posted by Hello