"Algumas coisas morrem com a luz. Se você puxar para fora da terra as raízes de uma árvore, elas morrerão. Elas necessitam da escuridão, elas vivem na escuridão, na escuridão está a vida delas. Assim como as raízes, o sofrimento também vive na escuridão. Exponha os seus sofrimentos e você descobrirá, eles morreram. Se você continuar escondendo-os dentro de si, eles irão permanecer seus companheiros constantes por muitas vidas. A infelicidade tem que ser expressada."
Lisboa chora dentro de Lisboa Lisboa tem palácios sentinelas. E fecham-se janelas quando voa nas praças de Lisboa - branca e rota a blusa de seu povo - essa gaivota.
Lisboa tem casernas catedrais museus cadeias donos muito velhos palavras de joelhos tribunais. Parada sobre o cais olhando as águas Lisboa é triste assim cheia de mágoas.
Lisboa tem o sol crucificado nas armas que em Lisboa estão voltadas contra as mãos desarmadas - povo armado de vento revoltado violas astros - meu povo que ninguém verá de rastos.
Lisboa tem o Tejo tem veleiros e dentro das prisões tem velas rios dentro das mãos navios prisioneiros ai olhos marinheiros - mar aberto - com Lisboa tão longe em Lisboa tão perto.
Lisba é uma palavra dolorosa Lisboa são seis letras proibidas seis gaivotas feridas rosa a rosa Lisboa a desditosa desfolhada palavra por palavra espada a espada.
Lisboa tem um cravo em cada mão tem camisas que abril desabotoa mas em maio Lisboa é uma canção onde há versos que são cravos vermelhos Lisboa que ninguem verá de joelhos.
Lisboa a desditosa a violada a exilada dentro de Lisboa. E há um braço que voa há uma espada. E há uma madrugada azul e triste Lisboa que não morre e que resiste.
Há momentos na vida de um Homem Em que sabe que acordou diferente E que já não é o mesmo para ele, Mesmo que o seja para toda a gente...
Há momentos na vida de um Homem Onde só pode entrar uma Mulher Aquela que lhe trouxer A flor do sexo Desenhada a vermelho no ventre E nada lhe perguntar...
Há momentos na vida de um Homem Onde só pode entrar uma mulher Aquela que lhe trouxer, Num abraço total, A ilusão da vida inteira... E, depois, partir Com a esperança de vida que ele semeou...
Há momentos na vida de um Homem Onde só pode entrar uma Mulher Para todo o Mundo se resumir À flor vermelha Como um bocado de sol Que desponta numa telha!
De medo e diabo trazes o corpo envenenado enquanto a mente balbucia incoerências Por trás do véu de instintos espicaças a carne O desejo sob uma resma de salmos Em nome de que virtude contra quem levantarás a cruz Um púlpito A carne Uma cruz Ao mistério da criação a humanidade
Início dos anos 70. Todos os dias António Sala colocava esta música no ar. Cerca das 07:30. Não saía de casa, nos Olivais, a pé, para percorrer o caminho até á Afonso Domingues sem a ouvir.
Imaginem aqueles dias de Janeiro, solarengos e extremamente frios... Capa com os livros, como hoje se não usa, debaixo do braço... e o trautear da música.
Talvez venha desta música e deste tempo o gosto por músicas que "enchem o peito", que puxam pelo lado positivo, que empolgam.
Oh, mamy blue!
Hoje recordo-a e tento ganhar novo alento para enfrentar duríssimas batalhas que se perfilaram há muitos, muitos anos no horizonte.
Tal como São Jorge, também hei-de vencer o dragão. Não precisarei da sua lança, apenas da sua inteligência, da sua coragem e da sua perseverança... e de um "hino" como... Mamy blue
"Ninguém nasce a odiar outra pessoa pela cor da sua pele, pela sua origem, ou ainda pela sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar"
(Churchill's famous speech) We shall go on till the end, we shall fight on the seas and oceans. We shall defend our island, whatever the cost may be. We shall **never** surrender
History recalls, how great the fall can be While everybody's sleeping The boat's put out to sea Born on the wings of time It seems the answers were so easy to find
Too late the prophets cry The island's sinking, let's take to the sky Called the man a fool Stripped him off his pride Everyone was laughing Up untill the day he died
Ooh though the wound went deep Still he's calling us out of our sleep My friends, we're not alone He waits in silence to lead us all home
So you tell me that you find it hard to grow Well I know, I know, I know And you tell me that you've many seeds to sow Well I know, I know, I know
(distant choir sings 'Jerusalem' almost inaudibly) And was the Holy Lamb of God on England's pleasant pastures seen? And did the Countenance Divine, Shine forth upon our clouded hills?
Dreamer
Can you hear what I'm saying Can you see the parts that I'm playing: Holy Man, Rocker Man, Come on Queenie, Joker Man, Spider Man, Blue Eyed Meanie So you found your solution What would be your last contribution? Live it up and rip it up and why so lazy? Give it out and dish it out and let's go crazy, yeah
Quando a fitei extasiado, Suas mãos pálidas, mimosas, Escolhiam frutas bem cheirosas Num recanto calmo do mercado.
E por mero acaso, (eu sei!, Senhora minha desconhecida, Ai! só por mero acaso...) Vossos olhos belos, Plácidos e meigos, Negros, fulgurantes, Sobre mim poisaram, – P’ra logo se afastarem Indiferentes, distantes...
Ao compor na rede A gostosa fruta, Um pouco vos baixastes E o decote largo Do vestido azul Afastou-se lento Como onda branda De cansado mar...
Tinha a pele clara como qualquer daquelas mulheres que eu conheci nas longas noites invernais da Europa.
Mas o olhar ai o olhar trazia o sofrimento das noites Africanas.
Nunca mais pude esquecer aquela rapariga branca de Malange que tinha os olhos lindos como as cores dos bagos de um cacho de dendém.
Nunca mais ai, nunca mais dancei assim e nunca mais a vi dançar assim tão loucamente alucinadamente a rapariguinha branca de Malange que tinha o corpo esguio o ritmo no bailar esse ritmo de uma qualquer mulata das minhas longas noites Africanas.
Nunca mais dancei assim tão desvairadamente apaixonadamente os lábios num murmúrio a boca num perjúrio seus seios no meu peito amachucadamente aqueles cabelos negros roçando a minha face os cílios desse olhar com gotas de luar que tinha as ambições o claro escuro dos bagos de um cacho de dendém.
Nunca mais ai, nunca mais dancei assim tão loucamente apaixonadamente...
André Zeferino Puati, natural de Cabinda/Angola, activista de Direitos Humanos, um chefe de Escuteiros católicos e trabalhador da Chevron, foi condenado neste dia 10 de Junho, em Cabinda, a 3 anos de prisão. A acusação divulgada na altura, para a sua detenção, depois de uma busca a sua casa, foi a de ter em sua posse notícias retiradas da Internet sobre a situação em Cabinda e um livro sobre a História de Cabinda, publicado em Portugal em 2008, e intitulado "O Problema de Cabinda Exposto e Assumido à Luz da Verdade e da Justiça", cujo autor é o advogado Francisco Luemba, detido também posteriormente com a mesma acusação.
Qualquer cidadão livre fica estarrecido com uma notícia com este conteúdo. Fico-me por aqui. Deixo aos leitores os pensamentos e os comentários que "isto" merece.
Na tristeza de meus olhos Pousaram suaves os teus. Nos meus lábios secos de tabaco Roçaram suaves os teus. Mulher! Nem sabes a força que deste A este desespero calado De rebentar as amarras De um dongo numa praia de pesadelos Varado.
A Delta Cafés solicitou uma reunião com o Papa no Vaticano.
Após receber a bênção do mesmo, o representante cochichou: - Vossa Santidade, nós temos uma oferta.
A Delta está disposta a doar 50 milhões de EURs à Igreja, se Vossa Santidade mudar a frase da oração Pai-Nosso, de "o pão-nosso de cada dia nos dai hoje" para "o café nosso de cada dia nos dai hoje".
O Papa responde: - Isso é impossível. A oração é a palavra do Senhor e não pode ser mudada.
- Bem, diz o homem, nós já prevíamos sua relutância e, por isso, nós aumentamos a oferta para 100 milhões de EURs. Tudo o que pedimos é que se mude a frase de pão para café.
Novamente o Papa responde: - Isso, meu filho, é impossível. A prece é a palavra de Deus e não pode ser mudada.
Finalmente, o homem da Delta diz: - Vossa Santidade, nós da Delta respeitamos Vossa fé, mas nós temos uma oferta final: doaremos 500 milhões de EURs para a Igreja Católica, simplesmente se a frase "o pão-nosso de cada dia" for mudada para "o café nosso de cada dia". Por favor, pense nisso.
E o homem retirou-se.
No dia seguinte, o Papa convoca o Colégio dos Cardeais e diz:
- Tenho 2 notícias para dar: uma má e a outra boa. A boa notícia é que a Igreja vai receber uma doação de 500 milhões EURs.
- E a má notícia, Santidade? - pergunta um dos cardeais.
Responde o Papa: -Vamos rescindir o contrato com a Panrico ...
ela tem uma ave nos contornos de mulher e me vê com as escleróticas em fuga. deixa-se ir ao tempo com um corpo de navio enche a embala com o seu todo. ela emergiu da “casa inabalável” e victoriosa depôs o soba. rendo-me à vassalagem quero-a solta e rica. certo ou incerto os sonhos errados tornam-se vivos: como um compêndio de mil escrituras no amor que gesticulo.
Não me perguntes por que te amo pergunta-me antes, por que não te amaria e eu te responderei: — Não te amaria, se não houvesse em ti este sol por despertar, esta sede por matar, e esta interminável doçura que te habita.
Eu já te amava e te adorava antes mesmo da invenção da palavra.
Creio que não sabes, mas tu és esta chama fria esperando ser encarnada na alma...És este sentir que constrói mundos e move corações...
Não me perguntes por que te amo pergunta-me sim, o quanto te amo e eu te responderei: — Não existe palavra tão intensa em que caibas completamente, pois tu és este vazio ainda por preencher, o qual não se basta nunca...
Sabes, por vezes um simples olhar teu desperta um lento fogo em mim que sem demora enche-me de atrasos e logo sei o quanto estás distante... Mas não te preocupes que em meu olhar ainda reluzem as tuas pegadas denunciando-te sob o horizonte...
Ontem me pediste de forma dócil para jamais te falar. Hoje Me pedes com riso nos lábios para te olvidar. Que me pedirás quando o sol estiver a fazer Kassuada? Amanhã já vazio e só serei eu capaz de falar ao mundo Que afinal nunca estive presente Fui a mais singela ficção numa curta história E a minha existência foi uma descabida imaginação?
ONTEM: Se não existisse a poesia serias tu musa-poesia de todos os tempos de todos os poetas mendigos e irmãos do AMOR.
2.º
HOJE: Voltei do além com marcas frescas da pureza. O teu sorriso me acenou. Agora, não sei se o mais puro é a fonte de pureza que te dá origem ou o estado de pureza que do além trago.
3.º
AMANHÃ: Quando se inaugurar a cidade da poesia teu nome escrito com beijos de alecrim estará com bandeira ao vento saudando os casais felizes à entrada da cidade.
Tua voz desliza como um pássaro aberto na lâmina do dia ilha que se levanta e voa a partir do Sol lamento gritado da floresta por sua gazela perdida choro grande do vento nas montanhas ao nascimento de um escravo mais na história do vale
Tua voz vem de dentro da cidade de todas as ruas bairros e leitos da cidade onde houver um calor de pernas contar o silêncio das horas guardadas a soco no sarilho dos ventres com um jazzman a assobiar na escuridão dos pares a memória ácida do chicote nos porões do Mundo
David Mestre in «Subscrito a Giz - 60 poemas escolhidos»
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro. Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço. Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral. 'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa... Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial!
Quero deixar aqui publicamente um gesto de solidariedade de coragem por aquilo que o jornalista António Aly Silva tem feito pelo seu país e por aquilo que considero ser a verdadeira missão de informar. Mesmo com o risco da própria vida! Honestamente já esperava que um dia o alerta para o perigo que a sua vida poderia correr soasse... António Aly Silva nunca deixou de estar nos locais mais perigosos e de exercer a nobre missão de informar. Ao longo dos anos que levo de acompanhar o seu blog, sem o conhecer, sem um qualquer contacto, habituei-me ao seu verbo duro, á sua coragem intelectual e, seguramente, física.
Abraço de solidariedade e o desejo que a Guiné-Bissau ultrapasse rápidamente e de forma segura mais este momento difícil da sua história.
Continuarei a estar atento e a seguir o Ditadura do Consenso. Coragem! Todos quantos amam a liberdade e, por consequência, a lei e a responsabilidade social e política... travarão a sua luta. Estou consigo! Bravo!
dizes que me querias sentir africana, dizes e pensas que não o sou, só porque não uso capulana, porque não falo changana, porque não uso missiri nem missangas, deixa-me rir... mas quem é que te disse?! Só porque ando de "Levis, Gucci ou Diesel", não o sou... será? Será que o meu sentir passa pela indumentária? Ou que o serei pelo sangue que me corre nas veias, negro, árabe, indiano, essa mistura exótica, que me faz filha de um continente em tantos onde todos se misturam, e que me trazem essa profundidade, mais forte que a indumentária ou a fala, e sabes porquê? Porque visto, falo, respiro, sinto e cheiro a África, afinal o que tu saberás? O que tu sabes? Deixa-me rir... deixa-me rir...