Este parte, aquele parte e todos, todos se vão Galiza ficas sem homens que possam cortar teu pão Tens em troca órfãos e órfãs tens campos de solidão tens mães que não têm filhos filhos que não têm pai Coração que tens e sofre longas ausências mortais viúvas de vivos mortos que ninguém consolará
Com mãos se faz a paz se faz a guerra. Com mãos tudo se faz e se desfaz. Com mãos se faz o poema - e são de terra. Com mãos se faz a guerra - e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra. Não são de pedras estas casas, mas de mãos. E estão no fruto e na palavra as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no tempo como farpas as mãos que vês nas coisas transformadas. Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor, cada cidade. Ninguém pode vencer estas espadas: nas tuas mãos começa a liberdade.
Encontrei uma preta Que estava a chorar, Pedi-lhe uma lágrima Para a analisar. Recolhi a lágrima Com todo o cuidado Num tubo de ensaio Bem esterilizado. Olhei-a de um lado, Do outro e de frente: Tinha um ar de gota Muito transparente. Mandei vir os ácidos, As bases, os sais, As drogas usadas Em casos que tais. Ensaiei a frio, Experimentei ao lume, De todas as vezes Deu-me o que é costume: Nem sinais de negro, Nem vestígios de ódio, Água (quase tudo) E cloreto de sódio.