sexta-feira, outubro 03, 2008
Cacusso

Foto de Sergey Ozerov, via "O Jumento"
dá-me os cheiros
mais íntimos
xxxxxxxxque teu corpo oferece
dá-me a leveza
mais urgente
que acalenta os sonhos
xxxxxxxtua alma
dá-me este recanto
xxxxxsol
mais quente
xxxxxxxxbrota do teu sorrir
xxxxxxxxxxxxxxxxxtons maduros mangas
Dá-me o que palpita em nós
xxxxxx- parece escaparque
xxxxxxos nossos sentidos
cruzam num igual desmaiar
xxxxxxdar-te-ei
a explosão colorida das nuvens
estas mãos
xxxxdiamantes
xxxxbrilho oculto
Esperar-te-ei
xxxxxxxxxxxbeijo longo que imita a mwamba
xxrosa viçosa com as cores de Maio
xxxxxxxxxxxmúsica quente tambores de África
xxxxxxxxxxxeste coração
inchado da saborosas rimas.
António Azzevas
quinta-feira, maio 29, 2008
Cacusso

Esta mulher
Retém o mar em seu olhar
Quando quer.
Esta mulher desconhece
Que eu adoro
Os cozinhados que ela me oferece.
Ela simplesmente desaparece
E sozinha
Na cozinha
Trabalha e s‘atrapalha na batalha
De m‘oferecer comida boa:
- Quiabos quentes com gimbôa
ginguinga em artística trança
um trago de walende
e cacussos do Kwanza!
À noite
Lhe ponho conversa
Lúdica
Mas ela reage na inversa
E pudica
Rejeita nudez somente de nós os dois
E se refugia nas dobras dos lençóis.
Acordo com o canto do galo
Vou saindo pró salo
Jejum d‘amor não feito
E raiva
De a deixar assim no leito.
Isto não é vida
E vai acabar em briga…
Mas, os meus poemas, Mingas?
Os meus temas d‘amor e desespero?
Caramba fala deles
Me critica
Me xinga se é coisa reles.
Ah…
Esta mulher
Retém o mar no olhar
Quando quer.
António Azzevas