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Mila

















Foto de Sergey Ozerov, via "O Jumento"




dá-me os cheiros
mais íntimos
xxxxxxxxque teu corpo oferece

dá-me a leveza
mais urgente
que acalenta os sonhos
xxxxxxxtua alma

dá-me este recanto xxxxxsol
mais quente
xxxxxxxxbrota do teu sorrir
xxxxxxxxxxxxxxxxxtons maduros mangas

Dá-me o que palpita em nós
xxxxxx- parece escaparque
xxxxxxos nossos sentidos
cruzam num igual desmaiar

xxxxxxdar-te-ei
a explosão colorida das nuvens

estas mãos xxxxdiamantes xxxxbrilho oculto

Esperar-te-ei
xxxxxxxxxxxbeijo longo que imita a mwamba
xxrosa viçosa com as cores de Maio
xxxxxxxxxxxmúsica quente tambores de África
xxxxxxxxxxxeste coração
inchado da saborosas rimas.





António Azzevas

Canção para a Minga



















Esta mulher
Retém o mar em seu olhar
Quando quer.

Esta mulher desconhece
Que eu adoro
Os cozinhados que ela me oferece.

Ela simplesmente desaparece
E sozinha

Na cozinha
Trabalha e s‘atrapalha na batalha
De m‘oferecer comida boa:

- Quiabos quentes com gimbôa
ginguinga em artística trança
um trago de walende
e cacussos do Kwanza!

À noite
Lhe ponho conversa
Lúdica
Mas ela reage na inversa
E pudica
Rejeita nudez somente de nós os dois
E se refugia nas dobras dos lençóis.

Acordo com o canto do galo
Vou saindo pró salo
Jejum d‘amor não feito
E raiva
De a deixar assim no leito.
Isto não é vida
E vai acabar em briga…

Mas, os meus poemas, Mingas?
Os meus temas d‘amor e desespero?
Caramba fala deles
Me critica
Me xinga se é coisa reles.

Ah…
Esta mulher
Retém o mar no olhar
Quando quer.



António Azzevas