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Requiem...



















A propósito da entrevista a Jorge Miranda, hoje, na TSF, de Cavaco e da questão do seu discurso encriptado:


"Os ilustres confrades que aqui postaram a sua opinião quase seguramente não ouviram nem metade da entrevista!
Reagem salivando ao estímulo do título que a TSF colocou a encimar e que reputa como o mais importante ou, mais provavelmente, pretende seja a mensagem a rejeitar e objecto das óbvias críticas!
Tudo o que disse merece reflexão... foi esclarecedor, incisivo e não deixou de dizer o que pensa relativamente á actual situação política.
Curiosamente coincidente, com argumentação tecnica, constitucional e política, áquela que é a opinião mais veiculada neste momento.
Uma vez que ninguém ouviu... todos desataram a desancar o homem!!
Só mesmo em Portugal!!

Sobre o discurso... tem toda a razão. Aumentou a instabilidade mas, que diabo, alguém esperaria outra coisa??
O PM podia até nem ser Sócrates, mas é o PS que governa, logo...
Isto não é teoria da conspiração!!

Fevereiro de 2002, site da TSF (http://www.tsf.pt/PaginaInicial/portugal/Interior.aspx?content_id=760007), palavras de Cavaco (penso que não estão no site da presidência):

"Depois de ter elogiado as capacidades governativas de Durão Barroso, Cavaco Silva pediu ajuda de de Deus para que o PSD ganhe as próximas eleições, já que «não há mais margem de manobra para falhanços».
O antigo primeiro-ministro Cavaco Silva, considerou hoje (domingo) que «o PSD é novamente a esperança dos portugueses», porque o próximo Governo «não pode voltar a falhar».
Cavaco Silva acentuou que «não há mais margem de manobra para falhanços. Por isso, é preciso a mudança e a mudança é chamar o PSD à governação».
«Felizmente para a nossa democracia que temos um partido, o PSD, preparado para assumir responsabilidades de governação de Portugal. O PS, como grande partido que é da nossa democracia, deve ser remetido para a tarefa nobre da oposição», defendeu o social democrata.
Depois de ter feito rasgados elogios a José Manuel Durão Barroso, Cavaco Silva terminou com um pedido a Deus.
«Que Deus o ajude para que possamos dizer: Viva Portugal!», frisou o antigo chefe de Governo, conseguindo um forte aplauso dos militantes e simpatizantes presentes no Coliseu dos Recreios, em Lisboa."

Nem Deus, nem Durão Barroso... fizeram milagres! E, afinal, apesar de não haver margem de manobra para falhanços... falhou!!

Mas, para se perceber de quem se fala, a justificação para tantos lideres queimados... leiam com atenção. Uma vez mais site da TSF (http://www.tsf.pt/PaginaInicial/portugal/Interior.aspx?content_id=770852), Fevereiro de 2005:

"Leonor Beleza definiu, esta sexta-feira, o que seria para ela o cenário ideal: Cavaco Silva na presidência da República e Manuela Ferreira Leite na liderança do PSD.

Leonor Belez defende Ferreira Leite para liderança do PSD e Cavaco Silva para a presidência da República

Na primeira intervenção depois dos resultados eleitorais de domingo, Leonor Beleza definiu o que seria para ela o cenário ideal: Cavaco Silva na presidência da República e Manuela Ferreira Leite na presidência do PSD.
As declarações da ainda vice-presidente da Assembleia da República foram feitas, esta noite, na SIC Notícias.
«Há uma pessoa que eu gostava de ver na liderança do partido, e que eu gostava muito que se candidatasse a líder do partido, porque acho que ela corresponde a este perfil: (tem a) capacidade de condicionar que não se cometam erros em matérias fulcrais e, simultaneamente, fazer tudo para que o partido coloque o professor Cavaco Silva em Belém. Essa pessoa é a doutora Manuela Ferreira Leite», disse.
Leonor Beleza admitiu porém estar «convencida» que Ferreira Leite «não tem muita vontade nem interesse» em se candidatar à liderança do PSD."

Yo no credo en brujas, pero que las hay, hay!!!

Estamos, acreditem, entregues á bicharada!!
Cavaco conspira porque tem que vingar o que Soares lhe fez (a vida negra a demonstração de todos os erros), o que Sampaio "fez" a Santana Lopes.
A procissão ainda nem ao adro chegou!
Contrariamente ao que diz, o seu interesse está no poder, no partido e muito pouco em Portugal!
Para o conseguir não tem o mais pequeno prurido em, encapotadamente, ter o apoio do PCP e do BE, sobretudo do primeiro.
O que não é espantoso! A paz social que considera imprescindível (mas não o diz) só é possível com o apoio do PCP e do "empenhamento patriótico" das suas estruturas sindicais.
Para esse objectivo o PS... é negligenciável... não interessa e até é "conveniente" o afastamento!
Veremos, no próximo governo de iniciativa presidencial - porque não vai haver eleições!! - estas coisas espantosas!

Tem a sua visão, que rejeitou na famosa declaração á PIDE, e não vai parar!
Mas ninguém, minimamente atento, esperaria outra coisa!

O aventureirismo paga-se... e vamos voltar a pagar!
Ninguém se queixe... o bom senso e a memória são coisa que não abunda por aí...

Pela minha parte vou remeter-me ao silêncio... e á observação divertida do que vai acontecer!
A minha ficha já deve estar bastante completa... e, como tantos interesseiros neste país, também tenho a minha vidinha para tratar.
A participação tem limites e riscos... que não vou correr!

Há muito que perdemos a consciência, vagueamos alcoolizados por lugar nenhum, contentes com o facto de nos termos permitido deixar de pensar pela nossa cabeça!!"

"(...) Quando morreu a consciência do povo, falou-se em autoridade do governo e lealdade dos cidadãos."
(Lao-tsé)

Aldeia da Coelha
















Screenshot do filme em Visão



«Na Aldeia da Coelha, Cavaco Silva tem por vizinhos Oliveira Costa e Fernando Fantasia, homens-fortes da SLN. Um loteamento que nasceu à sombra de muitas empresas e off-shores. A escritura do lote do Presidente da República não se encontra no Registo Predial de Albufeira. O próprio não se recorda em que cartório a assinou. Um dos promotores da urbanização, velho amigo e colaborador de Cavaco, diz que a propriedade foi adquirida "através de um permuta com um construtor civil".» [Visão]

Convém visitar a Visão
Convém ler este texto em "O Jumento"

Convém averiguar a origem de tantos lapsos de memória de Cavaco Silva.
Convém tirar conclusões.

Todos tratam da sua vidinha... deixando para os outros os sacrifícios.
Mesmo que se fale dos mais desprotegidos, dos idosos, das crianças em risco ou da repartição equitativa de sacrifícios.

Desabafos...


















Quanto mais acompanho a campanha eleitoral para a Presidência da República (e já agora a postura, motivação e obra dos candidatos)... mais vontade tenho de ver uma Monarquia Constitucional em Portugal.

Apenas esta figura (rei) poderá unir de novo o país em volta de um ideal e acabar de vez com as ameaças institucionais.
Os segundos mandatos dos Presidentes da República têm sido, sem excepção, de um golpismo, partidarismo e sectarismo sem limites.

Todos os poderes facticos convergem no sentido de criar condições para nova sessão de golpes.

Avalie-se!!

A manhosa explicação do... mísero professor!




Se anda por aí um certo senhor a quem teimosamente pretendiam que o nariz crescesse, quer abrisse a boca ou estivesse calado... o que dizer desta pérola??

Cartoons... apropriados











"Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros"

O artigo que publicarei em seguida, respigado de "O Jumento", obrigou-me a recuar largos anos até ao momento em que Francisco Louçã e seus "compagnons de route" chamavam a atenção dos media pela forma "subversiva" como efectuavam campanha eleitoral.
A provocação e algumas verdades incisivas tornaram-se populares porque os media disso fizeram eco considerando o cinzentismo de todos os outros intervenientes.
Era necessário dar um toque colorido á campanha e nada como o PSR para o fazer.

No entanto este toque colorido é válido apenas se o objectivo fôr coincidente.
Quando o alvo não é o mesmo ou é inconveniente... naturalmente, como todos os jornalistas bem sabem fazer, ridicularizam, mesmo que de forma subliminar.
Óbvio!

A liberdade de expressão, a igualdade de tratamento e, acima de tudo, a ausência de comentários "jornalisticos" antes, durante ou após os clips noticiosos devem constituir uma obrigação e um dever deontológico a seguir.

Marcelo Rebelo de Sousa é comentador, pode por isso dizer o que lhe aprouver.
José Alberto Carvalho, Clara de Sousa ou outros... devem abster-se de comentários.
Compete-lhes dar a notícia e esperar que o telespectador use a sua própria inteligência para formar uma opinião.

Honra a José Manuel Coelho, pela sua coragem e trajecto pessoal e político e a Catarina Carvalho que soube, exemplarmente, separar o trigo do joio.


«Venho falar-vos do candidato presidencial que devia estar a ser o centro das atenções: José Manuel Coelho. Por mais nenhuma razão - nem política, nem ideológica, nem pelas próprias regras da campanha - do que por critérios meramente jornalísticos, José Manuel Coelho é o candidato perfeito, pelo menos para jornalistas que ainda não se esqueceram que uma das sua principais funções é satisfazer a curiosidade do público. Um desconhecido, um homem do povo, estucador de profissão, ardina nas horas vagas, que se candidata a presidente, um deputado madeirense de um partido ultraperiférico que resolve saltar para o panorama nacional (coisa que o próprio Jardim nunca teve coragem de fazer), um ex-comunista que se 'aggiornou' e não tem medo de dizer que o regime que defendeu matou muitos milhões (coisa que o Partido Comunista Português nunca concedeu), um homem que fala sem as habituais papas que a concorrência coloca nas línguas dos candidatos que pretendem, ainda, fazer carreira na política nacional.
José Manuel Coelho seria sempre um candidato de estouro. Mas é-o ainda mais nestas eleições já decididas. Aposto que, desta vez, o povo português perdoaria aos meios de Comunicação Social alguns devaneios não enquadráveis nas regras de uma cobertura eleitoral equitativa, mas que lhes levaria ao conhecimento algo para pensar. E, até, sorrir. E estamos todos tão necessitados disso.
Papagueamos sobre a ausência de interesse da política e dos políticos, culpamo-nos pela falta de relação entre o povo e a classe dirigente, e quando irrompe um homem que não podia ser mais autêntico, até na sua honestidade de dizer que não está aqui para ganhar, o que lhe fazemos? Ignoramo-lo? Não. Pior que isso. Tratamo-lo como se fosse um candidato sério, igual aos outros.
Jornalistas com créditos firmados como entrevistadores, como Judite de Sousa ou Henrique Garcia, fazem-lhe perguntas tão sérias como as dos outros candidatos, como se José Manuel Coelho precisasse do escrutínio democrático de qualquer candidato que tenha possibilidades de chegar a presidente. Nas duas entrevistas que deu, à RTP e TVI, pretenderam fazê-lo cair em contradições ou em soudbytes políticos. Quem precisa de soudbytes quando tem aquele slogan de campanha? Reportagens sobre reportagens descrevem as suas acções de campanha sem a mínima ironia...
José Manuel Coelho é o único fenómeno interessante destas eleições e a mim, que conjugo a dupla condição de jornalista e público, o que me interessa é a sua história, a história de um homem do povo que foi do PCP numa pequena ilha (antes e depois do 25 de Abril), que era o maior vendedor do "Avante" em Portugal, foi à União Soviética em 1981 a convite do "Pravda" e não gostou do que viu, um estucador com consciência política, com espírito crítico suficiente para ser anti-Jardim na hegemónica ilha da Madeira, e que, sabendo que será sempre minoritário, opta pela loucura como forma de oposição, uma loucura tão grande que o leva até à candidatura nacional à Presidência da República. Deste homem, não quero mais opiniões. Os factos chegam-me. Ou terá o sistema político e o seu espelho, o jornalístico, já esquecido de que matéria é feita a vida real? »


Por Catarina Carvalho in [JN]

Questões...














É próprio de um estado de direito que sejam o sistema judicial e a imprensa a utilizar actos criminosos??

A minha perplexidade, o meu espanto...

Terei sido dos poucos que que não comprou o pasquim.

Até consigo perceber que alguns escribas façam fretes (vimo-lo nas escutas de Pinto da Costa - outro crime!).
Até consigo perceber que os patrões dos media façam coro, exerçam pressão com todo o seu poder económico, político e mediático sobre a sociedade em geral...
Até consigo perceber que a maior parte dos jornalistas tenham uma vida para viver, uma família para governar e filhos para educar...
Mas não consigo perceber onde é que raio andam as virgem impolutas, os grandes senadores dos media, os tais que serão capazes de sacrificar a vida pela verdade, pela notícia, pela liberdade de imprensa...

Por onde andam??

Conseguirão meter as mãos entre as pernas, encontrar algo e erguer a voz??
Ou serão como os machões que em casa, perante a indignação das esposas apenas sabem dizer - Sim, querida!!

Parece ser este último, o caso...

Ninguém está acima da lei, nem o primeiro-ministro, nem o presidente da república.
Ninguém.
Mas ninguém pode, de forma incólume e impune, tratar a democracia e o estado de direito desta forma.

Não é espantoso que um sindicato - Sindicato dos Magistrados do Ministério Público - tão representativo na nossa democracia (excepto talvez para Cavaco Silva) como a Associação dos Adeptos de Futebol peça a demissão de toda a gente...

Espantoso é que deveriam começar por exigir a si próprios e a todos os que diz representar o fim do regabofe.
Espantoso que todos se calem...
Espantoso que as únicas palavras de Cavaco Silva tenham sido de "defesa da liberdade de imprensa"... como se tudo o que se vê e ouve seja questão de somenos importância, como se o liberalismo fosse capaz, por si próprio, de auto-regular a questão.

Cavaco fez, aqui e noutros passos da sua actuação, tendo jurado defender a constituição e todo o edifício que esta sustenta, o papel de Pilatos.
Cínicamente lavou as mãos como se o assunto o transcendesse, como se não lhe dissesse respeito ou não se passasse no país de que é presidente da república.

A propósito da liberdade de imprensa, da posse dos meios de comunicação, da sua utilização para os fins mais inacreditáveis e inconfessáveis, faz-me ferver o sangue nas veias e gritar:

"- Mas esta merda já chegou á Venezuela, é??"

Espero ansiosamente a ressurreição, dos estúdios de Belém, de algum "reality-show" ao estilo das "Conversas em Família".

Contra os profetas da desgraça




















"Portugal está á beira do abismo" expressão tantas vezes ouvida e vista impressa tem sido, felizmente, desmentida o mesmo número de vezes.
De cada vez que enfrentámos o desafio fomos capazes de mostrar que a visão do abismo outra coisa não era que alucinação.
Se tivessemos baqueado na nossa caminhada colectiva enquanto povo ou acredita piamente em tudo quanto nos quiseram vender, há muito que não seriamos outra coisa que essa "famosa" jangada de pedra.

O caracter de um povo não se constrói, felizmente, em opiniões negativas ou em atitudes desmobilizadoras.
Sempre soubemos, nos momentos de crise, discernir e escolher o que é positivo e audaz como designio colectivo.
Nem sempre escolhemos o caminho mais fácil, o mais organizado, aquele que melhores alicerces criou e melhor futuro criou para gerações sucessivas de portugueses...
Ouvimos espíritos críticos que, nos momentos em que a euforia colectiva não permite ver mais que a evidência, nos chamaram á realidade e nos obrigaram a reflectir.
Muitas vezes, porém, avaliámos mal esses personagens e, onde pensavamos haver crítica e chamada á razão... houve medo, provincianismo, imobilismo e desistência.
É verdade que os danos causados por estes foram sempre muito superiores áqueles que os optimistas, entusiastas e sonhadores causaram.
Habituamo-nos a ouvir personagens como a que Camões imortalizou como o "Velho do Restelo" mas, demasiadas vezes, fomos enganados por palavras que julgávamos avisadas... e não o eram.
Ulisses colocou cera nos ouvidos dos seus marinheiros para não ouvirem as sereias.

Estamos, de novo, colocados na encruzilhada dos caminhos da história.
Um daqueles momentos em que temos que reflectir e decidir.
Não podemos continuar a adiar o futuro.
Muito se joga nestes dias que, por certo, irão determinar muito do percurso que viermos a fazer.
Todos somos responsáveis pelo que existe, de mau ou de bom.
Ninguém pode afirmar que não pisou o chão desta caravela.
Ninguém pode dizer que nunca enjoou a viagem.

Estamos a navegar á vista da costa porque o(s) homem(ns) do leme não tem sabedoria e arrojo para mais.
Não tem sabedoria, arrojo e, em vez de se rodear por homens integros, com voz, capazes de dizer não... e justificar, entende ser o melhor rodear-se de cortesãos, arautos e profetas da desgraça.

Creio ter chegado o momento de colocar tudo em questão.
Deixarmos de olhar para os sapatos, levantar a cabeça e olharmos o horizonte.
Temos, através de todos os poderes constituídos, formais e informais, sido condicionados a pensar de forma politicamente correcta e cordata.
Dessa forma os lobos, que bebem antes de nós no curso do rio, continuarão a afirmar que a água suja se não provém de nós, foram os nossos pais a sujá-la.
Cordeirinhos, continuaremos a temer e a ser o seu repasto...tomando sempre como verdades eternas as suas manipuladoras palavras.

Creio que é chegado o momento de repensar Portugal.

Estranho povo este, que não se governa, nem se deixa governar…


















Postulados

1 – O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente (Lord Acton);
2 – Quem parte e reparte e fica com a pior parte, ou é tolo ou não tem arte (provérbio popular);
3 – Quem domina o passado domina o futuro; quem domina o presente domina o passado (George Orwell, 1984);
4 – É tarde para a economia, quando a bolsa está vazia (provérbio popular);
5 – Não há guerra de mais aparato do que muitas mãos no mesmo prato (provérbio popular);


Ingenuidades

1 – A imprensa, em democracia, é completamente livre;
2 – Em democracia, todas as teorias conspirativas não são outra coisa que imaginação e delírio;
3 – Não há qualquer influência de organizações secretas no exercício do poder;
4 – O poder político determina o poder económico;
5 - Todos os agentes políticos, sem excepção, actuam sempre como parte da solução e não do problema e promovem, sem margem para dúvida, o interesse nacional;


Promessas nunca cumpridas

1 – O rico ceder voluntariamente parte do seu pecúlio ao pobre;
2 – O Estado ser o regulador e o garante eficaz do bem-estar dos seus cidadãos;
3 – O poder ser cedido sem recurso á lei;
4 – Não haver qualquer controlo, económico ou político, sobre a informação;
5 – Os agentes políticos serem apenas planeadores, executores e fiscalizadores do poder cedido pelo povo em acto eleitoral;


Arautos

1 – “Conspiração ataca presidente” (Correio da Manhã)
2 – “PGR recusa abrir escutas de Sócrates apesar de especialistas admitirem essa possibilidade” (Publico)
3 – “Parlamento vai investigar controlo de grupos de media” (Diário de Noticias)
4 – “Alerta em Belém: Cavaco quer saber mais sobre o caso TVI”(Jornal i)
5 – “Moniz e Manuela exigem demissão imediata de Sócrates” (24 horas)


A verdade

1 – Sócrates terá dito, enquanto era escutado, alguns mimos se comparado com o que Cavaco pode ter dito em privado sobre Soares (e outras forças de bloqueio). Todos metem o nariz no buraco da fechadura mas ninguém fala, em estado de direito, do primado da lei. De factos tão simples como o conhecimento real que actores, fora do sistema judicial, têm de pormenores processuais que, ou lhes são levados em bandeja… ou ávida e sofregamente procurados. Todos parecem olvidar (ou não olvidam porque definitivamente terão o tão almejado controlo) que os ventos que semeiam poderão redundar em enormes tempestades;
2 – Sócrates, que foi criado pelos media e levado ao colo por estes em face da alternativa Santana Lopes, será por eles destruído. Aconteceu antes e voltará a suceder. Os media apenas admitem o sistema de tráfico – tu dizes e eu transmito e em troca quero isto ou aquilo. Não há, não houve nunca, almoços á borla. A relação é biunívoca mas quando alimentar permanentemente o monstro se torna impossível, aquele torna-se repasto deste. Apenas Pinto da Costa, ao que se sabe, domina o monstro…porque lhe conhece os vícios e podres. Será??;
3 – Portugal não reformou o corporativismo, possui um sistema partidário com unidades que apenas pretendem assegurar os benefícios das respectivas unidades orgânicas e legalizou, há tempos atrás, os lobbies. Mais, de acordo com notícias recentes, qualquer conversa privada tida em público é susceptível de ser utilizada, quem sabe se judicialmente contra o seu autor. Trata-se aqui da ressurreição e potencial institucionalização da Legião Portuguesa, os famosos bufos;
4 – Qualquer (em absoluto) governo português ver-se-á sempre confrontado não apenas por todas as campanhas sujas mas pelas dificuldades (não estou a iludir… são mesmo dificuldades), populismo, irresponsabilidade, irracionalidade, falta de sentido de estado e desinteresse pelos superiores valores do país que a(s) oposição(ões) assumem com o maior descaramento e que são encaradas pelo povo com a bonomia, o marialvismo e a superficialidade que nos caracteriza;
5 - Nunca votamos de forma consciente e assertiva porque o nosso voto é dado apenas em função de impedir que este ou aquele ocupem o poder. Ninguém vota de forma positiva porque somos manipulados de forma bovina, é a inveja que é o motor de desenvolvimento nacional e somos permanentemente aldrabados de forma soez. Mas, verdade seja dita, ás 20:00 horas, conhecido o vencedor, já ninguém votou nele. “Estranho povo este, que não se governa, nem se deixa governar…” (Gaius Julius Caesar);


O que está a acontecer

1 – Muito mais que um ajuste de contas e vingança de estórias como as escutas a Belém ou o Estatuto dos Açores. Sendo a vingança um prato que se serve frio é dada pública evidência do facto e da conhecida falta de ética na política, mas demonstra, acima de tudo, o cinismo da bem-aventurada solidariedade institucional. Vai ser dado o passo mais ousado no controlo da situação – transformação do semi-presidencialismo em presidencialismo, puro e duro;
2 – Preparação de clima e de “factos” que criem na opinião pública a necessidade urgente de demitir Sócrates. Ficará, deste modo, também vingada a afronta feita á “má moeda” por Jorge Sampaio e que foi recentemente medalhado pelo ditador (palavras de Belmiro de Azevedo);
3 – “Golpe de estado” dentro do PSD dado que se a demissão ocorrer antes das directas, Ferreira Leite (com muita probabilidade) ou, seguramente, a facção cavaquista poderá ser reeleita com facilidade, na crença (que será veiculada como emergência, sendo absolutamente imprescindível para o futuro da Nação) que apenas ela (ou Marcelo Rebelo de Sousa, p.e.) podem salvar o país;
4 – Em nome dos “superiores interesses do país”, de repente ocorreu um blackout colectivo nos media que obrigou a que se suavizasse ou quase omitisse estes sórdido assunto das escutas de Sócrates… Quem atentou contra a liberdade de imprensa?? Utilize-se os princípios do jornalismo e responda-se sinteticamente ás perguntas sacramentais – quando, onde, como, por quem e porquê.
O OGE não pode ser o responsável único pelo assumir desse repentino eufemismo que dá pelo nome de… responsabilidade! Não pode! “Este não é o momento adequado para a estocada final, mas o cadáver está pronto a ser encomendado. Aguardem o meu sinal”. Ficam as mesmas perguntas a que nenhum jornalista ousará responder. Claro!;
5 – A direita mais retrógrada nunca perdoou a si própria a falta de controlo da situação que permitiu o 25 de Abril e muito menos a perda do poder, embora o sistema que sucedeu ao 24 de Abril tenha sido, na verdade, muito mais benevolente e economicamente rentável que o Estado Novo. Há anos que estão em curso manobras revanchistas que permitam retroceder no tempo de modo a que seja uma… inevitabilidade nacional. Entretanto, procedeu-se ao arranque da campanha eleitoral para as presidenciais, de modo implacável e de forma que a derrota do candidato que Sócrates apoiar seja tão grande, tão unânime, que a demissão seja um caso de misericórdia. Sócrates será, então, imunizado, alvo de condecoração, elogiado nos seus deveres para com o estado português… e jogado no contentor do lixo mais próximo. Há outros desígnios que realmente contam, muito mais importante que o PSD ou o país.

Arbitros












A avaliar pela "exibição" de Vasco Santos no FC Porto/Leixões, é de esperar que o árbitro dê, dentro de momentos, uma ajudinha á treinadora do conjunto da S. Caetano á Lapa.

Os árbitros não conseguem nem disfarçar a vontade de vedetismo nem a tentação de se tranformarem em sujeitos da acção.

Se deixarem os contendores "jogarem" não será um Benfica / V. Setúbal, mas prevejo um jogo duro, com tentativa de jogo sujo... mas com vencedor previsível.

Aguardo o final e, mais que tudo (para poder rir ás gargalhadas...) a campanha de intoxicação que se seguirá por parte dos chamados "comentadores" - essas púdicas virgens que vendem notícias como se vendem t-shirts contrafeitas na Feira de Carcavelos.

Felizmente, embora vão ocorrer interferências no resultado... o verdadeiro árbitro apenas se pronunciará em 27 de Setembro.


Adenda:
O jogo começou e terminou com marcação de penalty contra J. Sócrates.

Foi notória a falta de jeito para o "futebol" por parte de MF Leite e, por isso, foi alvo de protecção por parte do árbitro, marcando "faltas a meio campo" quando o adversário se lançava no contra-ataque.
Sócrates não permitiu que o adversário colocasse em campo o seu jogo sujo, o elaborasse e desenvolvesse, com a vista grossa do árbitro.


Comentário:
Á parte o momento inicial em que os "comentadores" admitiram a vitória de Sócrates, a verdade é que com a naturalidade que o poder económico tenta condicionar o poder e, no limite, controlá-lo... a qualidade da democracia foi, como era previsível, imediatamente colocado em causa.
A título de exemplo...A TSF, que inicialmente colocou no ar a opinião dos comentadores, passou em todos os espaços noticiosos seguintes, a emitir apenas a opinião de MF Leite sobre a impossibilidade de acordo para formar o Bloco Central, com o propósito evidente de credibilizar a opinião da senhora e de desvalorizar o oponente por não passar de uma besta intransigente, omitindo todo o noticiário sobre o debate ou a divulgação dos comentários.


Sucedeu nesta estação emissora, como se passará noutras com armas diferentes com propósitos semelhantes.
Normal!

Precisa-se de matéria-prima para construir um País

























A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.
Agora dizemos que Sócrates não serve.
O que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que
foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
O problema está em nós. Nós como povo.
Nós como matéria-prima de um país.

Porque pertenço a um país onde a esperteza é a moeda sempre
valorizada, tanto ou mais do que o euro.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais
apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos
demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão
ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos
passeios onde se paga por um só jornal e se tira um só jornal,
deixando-se os demais onde estão.

Pertenço ao país onde as empresas privadas são fornecedoras
particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa,
como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo
o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para
eles mesmos.

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque
conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda
a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.


Pertenço a um país:
- Onde a falta de pontualidade é um hábito;
- Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
- Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo
nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
- Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
- Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem
que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória
política, histórica nem económica.
- Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar
projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe
média e beneficiar alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas
podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame.
- Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma
criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto
a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
- Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
- Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a
criticar os nossos governantes.
- Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates,
melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um
guarda de trânsito para não ser multado.
- Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como
português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que
confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.

Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta
muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.

Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTICE PORTUGUESA' congénita, essa
desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se
converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade
humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é
real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós,
ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...

Fico triste.

Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o
suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima
defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.

E não poderá fazer nada...

Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas
enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar
primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.

Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve
Sócrates e nem servirá o que vier.

Qual é a alternativa?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a
força e por meio do terror?

Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a
surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os
lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente
estancados....igualmente abusados!

É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone
começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento
como Nação, então tudo muda...

Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam
um messias.

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada
poderá fazer.

Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:

Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e,
francamente, tolerantes com o fracasso.

É a indústria da desculpa e da estupidez.

Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o
responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir)
que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de
desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI
QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.
AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.

E você, o que pensa?....
MEDITE!



Eduardo Prado Coelho

Plano tecnológico do PSD...


Sem comentários












Chão da Lagoa: Dirigível ia sobrevoar festa do PSD
Zepelim do PND abatido a tiro




Três tiros de caçadeira disparados por desconhecidos "entrincheirados numas árvores" deitaram ontem por terra a intenção do PND-Madeira de sobrevoar com um Zepelim a festa do Chão da Lagoa, organizada pelos sociais-democratas madeirenses, que reúne milhares de pessoas todos os anos.

Os autores dos disparos não estão identificados, mas já foi apresentada queixa contra desconhecidos, segundo o PND.

O dirigível, comprado em Belgrado pelo PND, no qual se podia ler "O PND voa mais alto" e "olho na ladroagem", estava estacionado no parque ecológico do Funchal, na zona oposta ao Chão da Lagoa.

"O clima já era hostil ontem à noite [sábado, dia 25]", relata ao CM José Manuel Coelho, deputado polémico do PND na Assembleia Legislativa Regional, aludindo ao facto de o dirigível estar estacionado no local na véspera da festa. A Polícia Judiciária foi chamada para averiguar o incidente.

"O dirigível está murcho, no chão e, entre chatear Alberto João Jardim e a eventualidade de ferir alguém, optámos por não continuar com a iniciativa", afirmou Gil Canha, dirigente do PND.

"Quando estávamos a calibrar o dirigível para ir directo ao Chão da Lagoa, foram disparados três tiros que atingiram e furaram o equipamento, assustando algumas pessoas que estavam a acampar no local", descreveu Gil Canha, considerando que o PND não poderia continuar a iniciativa em nome da segurança dos participantes da festa.

O Zepelim, autocomandado, estava devidamente autorizado pelo Instituto Nacional de Navegação Aérea, tem sete metros e três motores, cada um com um quilo e potência de cinco mil amperes.

"Era uma brincadeira inocente", concluiu José Manuel Coelho, com mágoa por não ter realizado o voo na festa social-democrata.


Viva o Rei!!


















Pensava eu que só a "má moeda" era sinónimo de trapalhadas.
Engano meu!

De cada vez que ouço intervenções da "boa moeda" aqui, aqui ou aqui, mais me convenço da razão de D. Duarte Pio de Bragança e da necessidade que todos temos de repensar, de facto, sem preconceitos a mudança de regime.

"Um Rei é independente dos partidos e dos interesses económicos."


O ridículo é tão grande que a probabilidade de virmos a ouvir algo como isto é muito elevada:
«Sondagens que terão sido feitas manifestam uma preferência por um regime monárquico, mas, repito, nesta matéria a opinião dos partidos é importante».

De acordo com a homilia interpretativa do teólogo e reverendo pároco da Igreja da Lapa a declaração deverá ser interpretada mais ou menos assim:
«Bom, é provável que tenha razão... Sondagens são sondagens e não é agora que vou comentar... Esta declaração deverá ser lida como uma pré-candidatura ao trono... Aconselho-o a não alimentar o tabu por muito tempo... O núcleo duro do pré-candidato deverá lembrar-se dos resultados funestos que tal estratégia obteve...»


SIADAP
























A leitura do post de "O Jumento", "E se o SIADAP fosse adoptado numa empresa privada?", levou-me a rabiscar algo parecido com um comentário.
A sua dimensão levou-me a publicá-lo aqui.



Qualquer que seja a entidade em questão – empresa privada ou serviço público – terá que ter um sistema de organização o mais simples, claro e funcional possível.
Deverá ter um sistema sério, claro, lógico, justo de avaliação que sirva não apenas de avaliação de cada trabalhador mas que seja, pela obtenção de objectivos, como que um sistema de auditoria interna.

O sistema de avaliação de alguma grandes multinacionais baseia-se não numa “terraplanagem” de objectivos (tipo na ASAE cada fiscal tem que efectuar não sei quantas fiscalizações, detenções, apreender não sei quantas toneladas de material deste ou daquele tipo, fechar não sei quantos restaurantes ou á Divisão de Trânsito da PSP e aos fiscais da EMEL ser exigido a apresentação de x multas mensais e processos de contra-ordenações ou aumentar anualmente em y por cento os mesmos itens) mas na verificação do trabalho desenvolvido por cada colaborador, nas suas capacidades, no que a empresa espera dele em particular na obtenção de objectivos.
O objectivo do colaborador x não tem que ser o mesmo do y.
Os objectivos não são estratosféricos mas de acordo com aquilo que efectivamente é exigível permitindo que o colaborador tenha consciência da real possibilidade de lá chegar e até ultrapassar essas expectativas.
É a possibilidade que é dada ao colaborador em trabalhar com formação e a colocação de fasquia em local atingível que gera a motivação.
Motivação acrescida pela certeza do rigor na avaliação, a certeza que alcançar a classificação máxima depende apenas de cada um, pela inexistência de cotas para os vários níveis de classificações. Entende-se que os Departamentos de Recrutamento fazem o seu trabalho e, do leque total de candidatos, com as devidas oscilações (que se pretendem mínimas), escolheram os melhores ou, se não são os melhores, a organização quer torná-los como tal e o sistema de avaliação fará a devida aferição.

Um tal sistema de avaliação poderá existir em todo o lado, até na FP.
Porém o SIADAP é tudo menos o que ficou enunciado.

Num mundo perfeito, com as devidas adaptações, deveria de facto existir um sistema de avaliação que premiasse o mérito e o desempenho.
Num mundo perfeito, a anterior classificação de serviço que o SIADAP veio substituir deveria funcionar porque era simples e, se rigoroso, teria as suas consequências na separação entre o trigo e o joio embora não enunciasse objectivos ou pudesse ser ferramenta de auditoria.
O que a realidade demonstra é que o anterior sistema faliu por falta de rigor dos avaliadores uma vez que todos os funcionários eram muito bons.
Ser bom era demérito e abaixo de bom, sem que a situação fosse bater nas comissões paritárias eram tão raras ou tão difíceis de encontrar como a vida o é no universo.
Para substituir este malfadado sistema inventou-se uma adaptação que está longe de ser justo e, por isso, se encontra nos antípodas de algo que deveria ser razoável.
Neste, como noutros casos, houve um falhanço total de comunicação, os objectivos foram muitas vezes absurdos e incompreensíveis. A negociação com o colaborador não passou da imaginação de quem adaptou o sistema e a fixação dos objectivos não foi outra coisa que não fosse a tal “terraplanagem” sem ter em conta a capacidade individual e a sua valorização.
O sistema burocrático de suporte, se levado ás últimas consequências, terá que ser (porque não há…) pesadíssimo, absurdo e, na maior parte dos casos impraticável e injusto.
Como é que um avaliador, por exemplo, pode ser justo com 200 colaboradores a avaliar, dispersos por várias unidades de trabalho, cada uma das quais com um ou vários níveis de chefias intermédias, que não avaliam mas aos quais compete transmitir informação??
Tendo em conta que todos os factores positivos e negativos que influenciam a avaliação final estão dependentes de prova factual, imagine-se o peso, o tempo e os gastos económicos que tal sistema comporta.

Os funcionários públicos tiveram que engolir a pastilha sem tugir nem mugir, nestes exactos termos!

Não tenho a mais pequena dúvida que a separação entre os bons e os maus, entre quem se dedica e quem se está nas tintas, tem que ser feito.
Parece-me óbvio que quem mais trabalha, mais se dedica, melhor qualidade e maior quantidade de trabalho apresenta deverá também, mais rapidamente, progredir na carreira e auferir retribuição em função desse desempenho.
Estes são princípios básicos que qualquer cidadão português, quer tenha sido funcionário público ou trabalhador de empresa privada conhece, respeita e defende.
É especialmente válido para todos os que, equiparados a cabo-verdianos ou ucranianos, optaram por, em algum momento da sua vida, ser emigrantes.

No estrangeiro, salvo raras excepções, os trabalhadores trabalham, são formados e respeitados. A idade (experiência) é uma mais valia e a juventude e a formação uma oportunidade de progresso e inovação.
Em Portugal vinga o princípio de que todos os trabalhadores são preguiçosos e sem formação e, por isso, merecedores de baixos salários que, por sua vez, são apresentados como vantagem competitiva do país.
Aos jovens é descredibilizada a sua formação e valorizada a falta de experiência. Aos experientes, ditos velhos, é realçada a sua idade em detrimento da experiência profissional.

Não admira, pois, que sejamos revoltados e ingovernáveis… Isso prova apenas a desorganização existente… e a injustiça da avaliação que nos é comummente feita.

O Luxemburgo não improvisa, não tem recursos naturais, tem cerca de 20 % de mão de obra portuguesa, não tem empresários portugueses… e é um país viável e igualmente muito mais justo.

Deliramos quando as estatísticas, as sondagens (agora tanto em moda…) ou simples inquéritos de rua comprovam que, na improvisação e no desenrascanço, somos os maiores!

Improvisámos em quase todas as crises históricas.
Improvisámos na expulsão dos judeus e na conversão forçada de todos os cristãos-novos…
Improvisámos na introdução da Inquisição… para que D Manuel tentasse aceder ao trono de Espanha….
Improvisou D Sebastião e mais as suas bravatas…~
Improvisámos em 1580…
Improvisámos nas lutas liberais… ao ponto de termos sido temporariamente governados por aquilo que hoje seria um Alto-Comissário da ONU (os ingleses…)
Improvisámos na I República…
Improvisaram os golpistas do 28 de Maio… que não assumiram responsabilidades e, por ignorância própria, foram a Coimbra buscar o ditador…
Improvisou Salazar…porque além do terror e da intriga política para equilibrar e consolidar o seu poder mais nada fez!!
Improvisou ainda o ditador por não ter compreendido que apenas a descolonização servia os interesses do país… A responsabilidade da guerra, de todos os mortos que ocorreram no período entre 1961 e 1974, bem como de todos aqueles, dos povos das antigas colónias portuguesas, que ocorreram posteriormente são crédito na sua conta pessoal pela sua cegueira, sua obstinação…
Improvisaram as Forças Armadas em 25 de Abril porque, não tivesse sido a coragem pessoal de Salgueiro Maia na Av Ribeira das Naus e o desrespeito pelo povo da ordem de recolher obrigatório… teríamos provavelmente saído do Salazar-Caetanismo e caído num consulado extremista de Kaulza de Arriaga ou na passagem simples e pacífica de poder de Caetano para Spínola com resolução dos problemas corporativos das Forças Armadas ou, finalmente, na guerra civil…ou, mais verdadeiramente, na guerra entre facções militares…
Improvisámos em 25 de Novembro, porque a parte rectangular da Península Ibérica já nada interessava ao exterior e, nessa medida… “são brancos, que se entendam”. A guerra, civil desta vez, esteve mais perto que nunca!
Não tenho a certeza que não tenhamos improvisado na integração cega e incondicional na União Europeia. Tenho sérias reservas se estrategicamente este é o caminho (a auto-estrada, o aeroporto, o TGV…) por onde passa o futuro e a afirmação do país…

O saudosismo por um lado pelo barreirismo extremista e folclórico de 74/75, que se “converteu” á democracia burguesa num sucedâneo de marca BE, por outro lado pelo amorfismo independente e salvador de todos os PRD’s que permita a condução do país a um paraíso ético-poético-político (que existe apenas no mundo virtual) ou, ainda, a deriva paternalista e autoritária, que pretende a interrupção da democracia para reformar…a democracia, levam-nos, de novo, a novos improvisos…

Somos muito bons (avaliação própria de desempenho) e muito improvisadores (criativos… na nossa interpretação do vocábulo, perante o avaliador).

O futuro é cada segundo que passa e não aguarda que nós nos organizemos e entendamos!

Numa verdadeira avaliação do SIADAP… Portugal teria nota claramente negativa.
Como não estamos em auto-gestão (acho…) é lícito entregar a nota negativa a alguns dos nossos mais dilectos responsáveis.

O povo é, como os frangos, os suínos e bovinos, engordado com toxinas!

Decálogo de Lenine























1 - Corrompa a juventude e dê-lhe liberdade sexual;
2 - Infiltre e depois controle todos os veículos de comunicação de massa;
3 - Divida a população em grupos antagônicos, incitando-os a discussões sobre assuntos sociais;
4 - Destrua a confiança do povo em seus líderes;
5 - Fale sempre sobre Democracia e em Estado de Direito, mas, tão logo haja oportunidade, assuma o Poder sem nenhum escrúpulo;
6 - Colabore para o esbanjamento do dinheiro público; coloque em descrédito a imagem do País, especialmente no exterior e provoque o pânico e o desassossego na população por meio da inflação;
7 - Promova greves, mesmo ilegais, nas indústrias vitais do País;
8 - Promova distúrbios e contribua para que as autoridades constituídas não as coíbam;
9 - Contribua para a derrocada dos valores morais, da honestidade e da crença nas promessas dos governantes. Nossos parlamentares infiltrados nos partidos democráticos devem acusar os não-comunistas, obrigando-os, sem pena de expô-los ao ridículo, a votar somente no que for de interesse da causa socialista;
10 - Procure catalogar todos aqueles que possuam armas de fogo, para que elas sejam confiscadas no momento oportuno, tornando impossível qualquer resistência à causa...



Vladímir Ilich Uliánov (1913)



Apliquem-se estes princípios a qualquer sector em particular (ao da limpeza em Lisboa, p.e.).
Recue-se uns anos ao consulado de Rui Godinho.
Pense-se no que então não foi feito (e podia ter sido)... no que desde então não pôde ser feito (porque não interessava fazer).. e no que não devia ter sido feito (e foi...)
Pense-se no desinvestimento e na penúria por que o sector passou desde então...
Pense-se que a "invenção" da ABC (Associação Baixa Chiado) é do tempo do edil do PCP á frente da limpeza.
Calcule-se que já datam dessa altura os primeiros passos no sentido de privatização.
Some-se a isto a luta desigual (e desleal) que os muitos e bons funcionários que a CML possui travam contra o labéu de que tudo o que é privado é melhor (não sendo esclarecido se é mais barato ou não, se os serviços apresentam melhor prontidão ou qual o grau de eficiência).
Acrescente-se ser este um trabalho duro e mal pago.
Tome-se em conta que as reformas antecipadas e a melhor remuneração no sector privado tem vindo a esvaziar o sector de profissionais.
Sabendo-se que a sua não substituição, além de imperativo legal, serve os propósitos de todos quantos pretendem entregar de bandeja o sector a privados... E quanto pior estiver mais fácil e mais barato (politicamente) se torna.

Julgo ser compreensível o descontentamento do pessoal de limpeza da capital pelo abandono de que tem sido vítimas. Muito, mas muito pior, que o simples facto de ganharem mal...

É óbvio para todos que o processo que está em marcha não terá retrocesso e que dentro de muito poucos anos serviços básicos de uma cidade serão entregues á gula de quem tem como único objectivo o lucro.. e não o serviço público.

Por muito menos que um pataco ver-se-ão, como MF Leite diz com alguma dose de xenofobia, grandes contributos para o combate ao desemprego nalguns países, "toneladas" de trabalhadores mais mal pagos que os actuais mas que darão uma ideia de eficácia e omnipresença que serão sempre fantasiosos... para quem sabe e tranquilizadores para... quem não conhece.

A decisão é legítima por parte da CML mas não há qualquer necessidade de se escudar em pretensas experiências... Não é isso que pretendem, não é isso que vai acontecer... e todos o sabem!

Fica apenas como lição o aproveitamento deste "Decálogo de Lenine" para todos os fins, por todos os quadrantes...
Há muito que o pragmatismo (eufemismo de muita coisa...) tomou conta do espectro político-partidário. Não interessa muito o que possa acontecer desde que todos tenham o seu proveito.

O PS conseguirá libertar-se de um sector muito visto e presente junto da população e que foi propositadamente ao longo dos anos desprotegido e coberto de dificuldades e calúnias.
O PCP - que nada fez antes a não ser ajudar o processo! - conseguirá, por muito tempo (mas sobretudo agora...) capitalizar o descontentamento de um sector infiltrado por si e votado ao abandono.
Dos outros não reza a história... Cavalgarão a onda sempre que lhes aprouver, sempre que o benefício seja maior que o custo.

Nuno Krus Abecasis, que fez deste sector um dos mais dinâmicos e organizados da CML e por quem mais carinho tinha, diga-se também, deverá ter dado já muitas cambalhotas no seu túmulo.

Para se perceber a hipocrisia reinante deixo aqui alguns tópicos respigados em alguns sítios que falam do assunto:

Em O Jumento


Caro Jumento

eu concordo f àcilmente, que uma greve convocada sem objectivos claros de reivindacão laboral é uma vergonha.E tamb ém concordo que o PCP anda deslumbrado com o apoio que as últimas greves têm tido por parte das respectivas classes.Mas isso é uma coisa( que se deve denunciar), outra coisa é tentar saber o que se passa realmente. Além disso, eu que comecei a visitar este blog há relativamente pouco tempo, noto uma certa agressividade e também leviandade nos seus comentários ao PCP.
José Leitão 12.10.08 - 6:18 pm


Caro Jumento

Isto como em tudo na vida o PCP/STAL tem dois pesos e duas medidas san ão vejamos há diferenças onde o PCP é poder e onde o PCP é oposição , onde o PCP está no poder o STAL dá cobertura como na C.M.PALMELA em que esta já privatizou alguns circuitos e não vimos o STAL fazer nada em prol dos trabalhdores e quando confrontado com esta situação os dirigentes do STAL refugiam-se de que esta é uma situação pontual mas já lá vão 3 anos o mesmo acontece com a manutenção dos jardins que já estão privatizados em cerca de 90% assim como outros serviços´, aqui em PALMELA funciona a logica partidaria é a vida dois pesos e duas medidas
foliveiracontente 12.09.08 - 11:44 pm


Em Der Terrorist



Em resumo... por ser necessário aos propósitos a atingir... A luta continua!


Por ser representativo da forma de actuação... deixo-vos com uma foto de alguns "monges budistas" no Tibete após retomarem o seu "hábito" normal de soldados.


Como se não o soubessemos!







Jerónimo Sousa que se cuide!...
























«Eu não acredito em reformas quando se está em democracia, quando não se está em democracia, é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se; e até não sei, se a certa altura, não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então, venha a democracia»



Manuela Ferreira Leite
Lisboa, 18/11/2008




Séria candidata a Secretária-Geral do PCP.

Será que os "setôres" conseguem, por isto, juntar 140.000 para protestar contra esta barbaridade?



"Este país é um colosso! Está tudo grosso!"
(Ivone Silva e Camilo de Oliveira)


E se Obama fosse africano?






















Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.

Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.

Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.

Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.

3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

Inconclusivas conclusões

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.

Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.

Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.

No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.

Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.



Por Mia Couto


Gentilmente enviado por email pelo amigo Aires Bustoff. Obrigado.

De que raio estamos á espera???
























Não é habitual debruçar-me por estas bandas com assuntos de actualidade… mas torna-se irresistível.
A poluição é tanta.
A desinformação é de tal ordem.
A insensatez está a um nível inultrapassável.

Por acaso alguém será capaz de parar para pensar no futuro das gerações mais jovens e, inevitavelmente, no destino a dar ao país???
Parece-me que não!

O governo, ciente da sua “certeza”, não abdica de nada.
A oposição, porque só existe na condição de ser obstáculo e de criar dificuldades e embaraços – qualquer que ela seja ou tenha sido! - eleva cada vez mais os sound-bytes indispensáveis á criação de um clima emocional do qual possa tirar proveito.

Mas que alternativas a esta miserável situação??
Há que prosseguir cegamente???
Há que parar para pensar???

Que o clima eleitoral que se vive justifica a berraria toda – já o sabemos!
Que nestas circunstâncias a emoção prevalece sobre a razão – é evidente!
Que todo este impasse na Educação (e noutros sectores, também…) – que se vive desde há 34 anos! – é dramático para o país – até um imbecil o sabe.

Lamentável é que não se tenha parado para pensar… O tempo do PREC passou há muito e alguma tranquilidade foi devolvida entretanto.

Vou colocar tudo em causa!

O sistema educativo está obsoleto porque não corresponde ás necessidades do país e hipoteca o seu futuro.
É sabido que qualquer moldavo, escandinavo, esloveno que, honestamente, dê no nosso país o seu suor para a riqueza e o desenvolvimento do nosso país, e tenha conseguido trazer a sua família, fica perplexo com a desorganização, insegurança, falta de exigência e de trabalho nas escolas portuguesas.
Ninguém é capaz de negar isto!
Nem o Dr. Mário Nogueira…nem a Ministra da Educação, ou será que são???

Se o 25 de Abril era necessário para democratizar o acesso á educação e ao funcionamento das escolas a verdade é que obliterou por completo a exigência, negou a competitividade e caucionou o desenvolvimento da mediocridade.
Nem 34 anos chegaram ainda para se ver o inevitável.
E também não há o menor esboço de coragem política para pôr cobro a este estado de coisas.

Se antes prevalecia o elitismo, agora passamos a conviver com multidões de licenciados sem emprego, alunos que abandonam a escola e níveis assustadores de iliteracia.

Ao poder discricionário, e muitas vezes violento, dos professores sucedeu a anarquia governada pelas RGA’s e a esta sucedeu uma mixórdia que pretende estabelecer o equilíbrio (?!?!?) entre professores, pais e alunos.
Ao terror exercido pelos professores sucedeu o enxovalho e as ameaças a estes.

A situação é tão grave que os pais foram transformados numa espécie de “Comissão de Melhoramentos” da escola que tem, inclusive, como fim angariar na sociedade que a envolve meios de subsistência á própria escola.
É evidente que “não há almoços á borla”… e os pais que integram as Comissões de Pais, além do que já foi dito, mais não fazem que garantir a segurança e a transição de ano dos seus rebentos.
Ainda não conheci uma criança dessas que não tenha transitado…
O que vem mostrar a desorganização do sistema e a confusão existente.

Salvo melhor opinião, os professores devem dedicar-se a actividades lectivas e de gestão da própria escola; os alunos devem estudar e serem-lhes concedidas todas as oportunidades e condições de aprendizagem; os pais devem assegurar a educação (princípios de vida, de sã convivência, de aprendizagem da diferença e de democracia, de respeito dos seus direitos e dos direitos alheios) dos seus filhos; finalmente, ao Ministério cabe a obrigação inalienável de arquitectar um sistema educativo funcional, lógico, que valorize todos os intervenientes, que os integre e os forme para a sociedade, que assegure a todos os que tem capacidade e vontade de seguir os estudos as melhores condições de excelência, não descurando a obrigatoriedade de formar em estabelecimentos, apetrechados para o efeito, de todos aqueles que pretendam enveredar por vias profissionais e técnicas.

Não é isto, de todo, que assistimos… infelizmente!

Foi decretado que todos, sem excepção, têm que ser doutores, embora o canudo de pouco lhes sirva ou, no mínimo têm que andar a penar inutilmente pelos corredores escolares sem proveito nem glória…saindo da escola com um certificado que de nada serve.

Se antigamente um burro carregado de livros era um doutor… hoje nem o carregamento de livros, em alguns casos, estabelece qualquer diferença entre uns e outros.
A situação é tão lamentável que quem queira singrar, estando habilitado com grau académico, tem que obter pós-graduação em qualquer universidade britânica, francesa ou americana. Ou seja, a excelência, a disciplina e a exigência que deveriam ser componentes obrigatórias do sistema são adquiridas… no estrangeiro.

Acresce, como sempre, que como não nos é dado valor no nosso país ou, quem tem ideias e vontade de progredir e investigar é, regra geral, tido por lunático e estúpido ambicioso, acabamos por exportar as nossas melhores capacidades do mesmo modo que exportámos (e continuamos a fazê-lo…) mão de obra que honra não só a produtividade, a capacidade inventiva e a adaptabilidade do trabalhador português que só não é reconhecido por essa súcia de sumidades a que alguns chamam, pomposamente, empresários portugueses.
Daí que a “ideia” (infeliz e preconceituosa) de Manuela Ferreira Leite relativamente á ajuda no combate ao desemprego em Cabo Verde e na Ucrânia que o nosso país proporciona, seja uma aberração proveniente de alguém com vestígios de alguma doença degenerativa…
Angola, África do Sul, Espanha, Reino Unido… e outros são grandes auxiliares da luta contra o desemprego em… Portugal!

O dramático é que não disse… que exportamos a nossa classe média, bons cérebros, iniciativa e importamos mão de obra barata e ilegal, na maior parte dos casos.
Na verdade ninguém esperava esse rasgo…

Voltando atrás… á educação e ao sistema de ensino deve ser repensado tudo.


-Pré-primário
-Primário
-Secundário (Liceal ou Técnico)
-Superior

-Gestão da escolas pelos professores
-Responsabilização do ministério por todos os aspectos de apoio regulamentar, logístico, lectivo e organizativo
-Acompanhamento das actividades por parte dos pais
-Garantir o cumprimento obrigatório de todos os programas

-Cultura de exigência
-Prémios á excelência
-Exames nacionais exigentes em cada fim de ciclo
-Retoma dos incentivos ao estudo que eram as “Dispensas de Exame” a partir de determinado nível de aproveitamento de excelência

-Criação de Escolas Técnicas para as várias opções vocacionais, devidamente apetrechadas tecnológica e humanamente
-Voltar a criar condições á dignificação da actividade lectiva
-Assegurar segurança e dignidade ao espaço escolar
-Não recear as medidas adequadas disciplinares ou outras que tenham que ser tomadas
-Adequar a escola ao ambiente envolvente e á composição étnica e cultural
-Promover a integração e o desenvolvimento

-Admitir que a única forma justa (e eficiente) de avaliar os professores é através dos resultados obtidos pelos alunos, em absoluta equidade, com provas nacionais e anuais.
-Promover incentivos á assiduidade dos professores criando forma integrada de avaliação, conjuntamente com os resultados lectivos


Quem discorda???
Quem tem medo???


Nós conseguimos fazer um país melhor??? Claro que conseguimos…
Como??? Só a educação e a formação o permitem.

De que raio estamos á espera???

Em 12 dias...

A esperança


























A sorte de a estupidez (...) não ser mortal








A perda




















O grito de revolta...

















O silêncio (que já vimos noutras ocasiões)




















A "falta de comparência"























Quando todos estão contra... não significa que estejamos no caminho certo!