sexta-feira, agosto 20, 2010
Cacusso

construo sólidos castelos d’areia
que se destroem
no contacto
com a ímpia suavidade da onda.
… aspiração frustrada.
amor na concha de vento
no êxtase poético
na ondulante curva
da nossa união. na areia.
… amor na interrogação da onda.
minha lágrima:
néctar salgado
pérola de esperança
no mar adocicado.
… para quando o reencontro?
Conceição Cristóvão
domingo, novembro 15, 2009
Cacusso

à
cidade de Luanda.
… num rouco e lânguido muxoxo
ao entardecer
a cidade se espreguiça:
ressonâncias das telúricas
núpcias mar/fogo. oh! vida.
levantam voo asas
de alva espuma.
deposita suaves beijos o mar
nas rochas. e sento-me. absorto
o horizonte, em chamas vespertinas
sorri às ondas
em seu erótico
saracotear
de kilumba muxiluanda.
nas esquinas enrugadas da onda
poiso meu rústico braço.
com ele se evola todo o universo
em tão ígneo verso…
oh! urbana ansiedade: choros risos
e sulfídricas sombras.
com frémito, raios de sol
salgados de sal
bebo. a vida mente.
Conceição Cristóvão
segunda-feira, julho 23, 2007
Cacusso
"Placenta" de Kiluanji Kia Henda, da sua galeria
as horas caminham em espiral
lúgubres com(o)vidas
em calafrios urdidos
vultos à espreita sonegam.
iminentes.
o mundo grita seu cancro
em mil silêncios. cortantes.
de vidro e agonia.
Conceição Cristóvão