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Meditemos






















Paulina Chiziane





“Sei que devo modificar o ambiente pela força de meu espírito por que às preces aos deuses homens ou aos deuses mulheres, quer sejam feitas em voz alta ou silenciosa, as únicas respostas que se obtêm são silêncio absoluto.”



Paulina Chiziane

Kenguelekezeee!...

"- Kenguelekezeee!... Braços negros erguem-se no ar, mergulhando os dedos enfileirados no prateado leitoso que embacia o céu, partindo do coração da Lua.
- Kenguelekeze!... Eis aqui o herdeiro da coroa! O menino negro - negro não, de prata sim, porque a Lua cheia pintava o rosto angélico, cobrindo-o com o seu manto de prata - cumpria o ritual da lua nova que se realizava na lua cheia por tratar- se do filho herdeiro.
- Kenguelekeze! Eis aqui uma vida nova! Majestosa Lua: recebe esta criatura, esta gota de água que veio ao mundo para ser feliz. Dá-lhe a bênção. Poupa-a das diarreias, doenças nervosas, ataques, quando nasceres, quando encheres e quando morreres, kenguelekezeee!...
O menino nu tremia de frio, suspenso nos braços erguidos das madrinhas. Fechou os olhos, esfregou-os, esperneou, e lançou um jacto de urina molhando a cabeça de uma delas, soltando gritos de protesto.
Com o menino erguido no ar, as madrinhas dançavam à volta da fogueira sagrada. A seguir administraram fumos e drogas purificantes para afugentar feitic,os e maus-olhados. Prepararam-lhe vacinas e amuletos, colares de pele de leão para ter a coragem e a audácia do rei da selva."



Paulina Chiziane, no livro "Balada de amor ao vento"

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Paulina Chiziane nasceu a 4 de Junho 1955 em Manjacaze, província de Gaza, tendo crescido nos subúrbios de Maputo, onde estudou.
Iniciou a sua actividade literária em 1984, com contos publicados na imprensa moçambicana."Balada de Amor ao Vento" foi o seu primeiro livro, colecção Karingana No 12 da AEMO