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Mãos atadas


















Não devo
Não posso
Calar a voz do coração
Esconder a solidão

Não devo
Não posso
Voltar o tempo
Vigiar o pensamento
Aprisionar a dor
Esquecer um amor
Matar a saudade
Destilar pequenas crueldades
Liquidificar as lembrança
Viver sem esperança

Não devo
Não posso
Beber os desalentos
Naufragar os sofrimentos
Matar os pensamentos
Amarrar os sonhos
Correr do medo
Desvendar velhos segredos
Beijar a cruz do destino e
morrer antes da hora!



Zena Maciel

Contrastes



















Na dor contida
as mãos atadas
Na vida ferida
a fé abalada
Na corda bamba
o medo presente
Na cor da esperança
a fuga latente
No sorriso do rosto
discreto desgosto
Na tristeza da face
eternos contrastes



Zena Maciel

Utopia























Quisera virar a vida pelo avesso
Criar um mundo só meu
Onde eu pudesse rasgar as máscaras
Quebrar as amarras do medo
Realizar sonhos adormecidos
Resgatar folhas do passado e
arquivá-las na alma
Encontrar as horas perdidas
Fechar os olhos para a realidade
Beijar a boca da alegria
Esvaziar a caixa de saudades
Afogar as tristezas reprimidas
Curar todas as feridas do coração
Tatuar nas retinas as melhores
lembranças
Apagar o tédio
Expulsar a solidão
Romper a monotonia
pálida do cotidiano
Seguir a velocidade do vento
Entrar em uma utopia
Dominar a ciência do tempo
Dar asas aos pensamentos e
brincar de ser feliz !!



Zena Maciel

Quem sou eu?





Hoje sou um corpo sem alma
Que vagueia perdidamente pelas esquinas
dos sonhos impossíveis
Sigo à deriva nas asas pesadas
de um triste condor
No céu dos meus dias abstratos descansam
nuvens cor de chumbo
que esfacelam a dor
No espelho do tempo esqueci de
enaltecer as utopias e
segui uma viagem ao meio do nada
No peito carrego um coração seco e
uma vida abstraída de emoções
Tudo é nada
Abri as portas do infinito do meu ser e
encontrei o vazio
Amanhã não sei quem serei
Ou o que serei!
Não importa!
Tudo é mistério
Quem sabe a terra do nunca habitarei
Lá a felicidade invisível abraçarei e
nos braços das vãs ilusões morrerei!


Zena Maciel

Ser Escravo





A África é o meu país
Nasci escravo
Meu lar foi um porão de um navio negreiro
Muito tarde conheci a luz do sol
Meu mundo foi a senzala
Meus dias foram tão negros
quanto a minha pele
De piche meu coração foi impregnado
Sempre vivi à sombra do meu senhor
Como escravo jamais pude sonhar
Dá vida só conheci um triste canto:
"Pau, pão e pano"
Do meu feitor perdi o medo
Porque a morte já não temia
Viver ou morrer tanto fazia
Da senzala corri e um quilombo abracei
Nos batuques dos tambores a felicidade
beijei
Nas rodas de capoeiras as dores da alma soltei
Zumbi eu procurei...procurei....procurei
Nas esquinas do tempo eu o encontrei
Aos seus pés me curvei e chorei
A minha Carta de Alforria eu lhe implorei
Mais como resposta eu escutei:
Escravo nasceste e escravo morrerás.


Zena Maciel
Sal da Vida

Sem Medo de Viver





Na grandeza do infinito soltei minha dor !
Tracei meus caminhos nas estrelas
para decorar o céu da minha alma
Entreguei meus dias aos acasos da vida
Perdi de vista meu horizonte
Na concha do coração tranquei meu destino
Na colcha de retalhos do tempo costurei
as fantasias de azul
Estendi minhas mãos para o futuro
e desejei colher flores
Encontrei a nua crueldade dos espinhos
Mesmo assim segui em frente e sai recolhendo
todas as pedras do caminho
Quem sabe um dia construir
um castelo de sonhos !
Desbravei todas as fronteiras do amanhã
Coloquei o infinito nas minhas mãos
e perdi o medo de viver.


Zena Maciel

Utopia

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Quisera virar a vida pelo avesso
Criar um mundo só meu
Onde eu pudesse rasgar as máscaras
Quebrar as amarras do medo
Realizar sonhos adormecidos
Resgatar folhas do passado e
arquivá-las na alma
Encontrar as horas perdidas
Fechar os olhos para a realidade
Beijar a boca da alegria
Esvaziar a caixa de saudades
Afogar as tristezas reprimidas
Curar todas as feridas do coração
Tatuar nas retinas as melhores
lembranças
Apagar o tédio
Expulsar a solidão
Romper a monotonia
pálida do cotidiano
Seguir a velocidade do vento
Entrar em uma utopia
Dominar a ciência do tempo
Dar asas aos pensamentos e
brincar de ser feliz!!!!!!!!


Zena Maciel

Um canto de liberdade

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Olhando as mudanças do pôr do sol
meu ser fica imerso em devaneios
Aconchego-me nos doces braços dos sonhos
e deixo-me embalar
A realidade está há milhões de anos luz
de minhas fantasias
Não importa!
Na velocidade do pensamento
dou asas ao coração e simulo vôos de liberdade
Sinto-me dona do tempo
Domino cada minuto ao meu bel prazer
Quero encontrar a terra prometida
porque lá eu escondi meu paraíso
Não vim ao mundo por acaso
Não estou aqui para ocupar apenas um espaço
Quero descortinar todas as cores da vida
Caminhar na insensatez das
belas estradas coloridas
Renascer em dias azuis e noites estreladas
Pôr o infinito na palma da minha mão
e beber todo o néctar desta doce ilusão.
Poder embalar-me neste
canto de liberdade.


Zena Maciel

Momento de poesia

EXILIO


Quero-me desfazer de tudo
Passar a vida a limpo
Lustrar o coração

Dar brilho aos dias brancos
Colher flores
Perfumar a alma

Jogar fora os espinhos
Beber água de chuva
Dançar na calçada de sonhos

Cantar cânticos gregorianos
Desafiar o poder dos deuses

Voar como as gaivotas
Viajar por exóticas galáxias
Quebrar toda a fragilidade do ser

Descansar nas nuvens
Fazer caminhada com os anjos

Brincar de amarelinha com as fadas
Desvendar os segredos de sua magia
Dormir na eternidade

Esquecer quem sou
Não pensar em quem fui
Nem me preocupar com o que serei

Me perder deste mundo
Quem sabe renascer em outro universo

E me exilar de mim


Zena Maciel