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A minha casa
















A minha casa
...É fácil de localizar
É fácil de encontrar,
Basta ires sempre em frente
Para além da linha do horizonte
É fácil concerteza

Primeiro encontras lixo
Lixo e pessoas em convivência
E em harmonia,
Lixo na parte de baixo
E na parte de cima
Lixo e pessoas em convivência íntima

Mais adiante
E com o mau cheiro crescente
Encontras uma lagoa
E nela, crianças a banharem
Crianças a brincarem
Na maior, numa boa

Mais a frente
Entras em becos estreitos
Becos pequenos e apertaditos
É fácil, é só teres isto em mente
Becos e suas enxurradas
Becos e suas águas estagnadas

Sempre em frente
Para além da linha do horizonte
Lá onde a água corrente
Lá onde a água potável
Passa muito distante
E da cor do invisível!

Sempre em frente
Para além da linha do horizonte
Lá onde a luz eléctrica
Connosco brinca
Qual nuvem passageira
Que ora vai, ora vem zombateira!

Sempre em frente
Para além da linha do horizonte
Cheiro de kaporroto no ar
Cheiro de kimbombo a vibrar
Nossas bebidas do dia-a-dia
Nossas bebidas nossa companhia

E no quintal da minha casa
Há jovens a falar alto bêbedos
Jovens cansados, frustrados e arrebentados
São os meus kambas
Kambas das bebedeiras e das malambas
É fácil de localizar concerteza,

Sempre em frente
Para além da linha do horizonte!



Décio Bettencourt Mateus
in "A Fúria do Mar"

O Candongueiro



















Foto de Phwo, em ás vezes (des)organizo-me em palavras...






xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx (Para Glória,
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxUma desconhecida
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxQue viajou comigo
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxEm um dia qualquer)


Paragem do candongueiro:

Sol escaldante
A fustigar gente
Gente aborrecida
De pé, cansada de esperar
Gente entristecida
Com raiva no olhar!

Ao entrar no candongueiro:

Correrias
Gente aos empurrões
Gente aos safanões
Mãos leves puxam carteiras
Mãos malandras nas mbundas das senhoras
É assim todos os dias

Dentro do candongueiro...

Gritarias
Barulheiras
Gente aos desentendimentos
E a protestar
Gente com vincos nos rostos
E com raiva no falar!

Barulho
Carro velho
Sujo e desconfortante,
Musica alta e ruidosa a incomodar
E a perturbar gente
Gente com raiva no escutar!

Carro abarrotado
De gente
Gente descontente
A reclamar
E mais gente a entrar
Carro de gente empanturrado

Gente apertada
A suar
Gente mal cheirosa encostada
A transpirar
Gente misturada com mercadorias
É assim todos os dias

... E durante a viagem:

Só eu, no meu canto
Não protesto
E até gosto
Do desconforto da viagem,
Um encanto
Viajar ao teu lado jovem
(Glória, sussurraste no meu ouvido
Em cima do muito ruído)

Só eu, aprecio as curvas apertadas
Que o motorista faz
Pois muito me apraz
Sentir tuas pernas encostadas
Às minhas
Olhando de soslaio tuas maminhas

Só eu sinto teu calor
Tua respiração ofegante
E teu agradável odor
Só eu viajo contente
Meu corpo colado ao teu
Teu olhar cravado no meu!

Que a viagem dure eternamente
E que entre mais gente!



Décio Bettencourt Mateus

A Minha Casa






















A minha casa
É fácil de localizar
É fácil de encontrar
Basta ires sempre em frente
Para além da linha do horizonte
É fácil concerteza

Primeiro encontras lixo

Lixo e pessoas em convivência
E em harmonia,
Lixo na parte de baixo
E na parte de cima
Lixo e pessoas em convivência íntima

Mais adiante
E com o mau cheiro crescente
Encontras uma lagoa
E nela, crianças a banharem
Crianças a brincarem
Na maior, numa boa

Mais a frente
Entras em becos estreitos
Becos pequenos e apertaditos
É fácil, é só teres isto em mente
Becos e suas enxurradas
Becos e suas águas estagnadas

Sempre em frente
Para além da linha do horizonte
Lá onde a água corrente
Lá onde a água potável
Passa muito distante
E da cor do invisível!

Sempre em frente
Para além da linha do horizonte
Lá onde a luz eléctrica
Connosco brinca
Qual nuvem passageira
Que ora vai, ora vem zombateira!

Sempre em frente
Para além da linha do horizonte
Cheiro de kaporroto no ar
Cheiro de kimbombo a vibrar
Nossas bebidas do dia-a-dia
Nossas bebidas nossa companhia

E no quintal da minha casa
Há jovens a falar alto, bêbados
Jovens cansados, frustrados e arrebentados
São os meus kambas
Kambas das bebedeiras e das minhas malambas
É fácil de localizar concerteza,
Sempre em frente
Para além do horizonte!



Décio Bettencourt Mateus