A dúvida


Wangari Maathai, Nobel da Paz 2004 Posted by Hello

"Wangari Maathai, lauréate kényane 2004 du Nobel de la paix, a réaffirmé samedi que le virus VIH était un agent biologique délibérément créé, une position controversée qui lui avait valu les réserves de Washington après l'annonce de son prix."Certains disent que le sida est venu des singes et j'en doute car nous vivons avec les singes depuis des temps immémoriaux. D'autres disent que c'est une malédiction de Dieu, mais je dis que ce n'est pas possible", a-t-elle déclaré lors d'une conférence de presse à Nairobi."

Transcrição efectuada de 13770 - Au hazard du web

Nada que há muito, muito tempo não me tivesse assaltado o espírito!

Polémico e alarmante, face á real possibilidade de ter ocorrido ou tão inverosímil e fantasiosa como a posição de Tabu Mbeki sobre a propagação do vírus da SIDA??

O que Pêro Vaz de Caminha não escreveu...


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O Descobrimento

Chegando a Porto Seguro, Pedro Álvares Cabral foi ter com um índio:
- Ora, pois... nativo desta terra tão bela... como te chamas?
- Índio chamar Bah! - respondeu ele, rispidamente.
- Bah? - perguntou o português, surpreso. - tudo bem, tudo bem! - Preciso de um favor seu, senhor Bah!
- Bigodudo falar, Bah escutar...
- A vela do meu barco rasgou! Sabe como é, venta muito por aqui...Preciso que você vá nadando até aquele outro navio e avise os meus companheiros que descobrimos uma nova terra!
- O que índio ganhar com isso?
- Como homenagem à vossa pessoa e para que todos se lembrem que Bah foi até o outro lado da praia para oficializar esta descoberta, esta terra se chamará Bahfoi!
- Ah, não, Bah não querer ir... Bah ter muuuuuuuita preguiça... Melhor o senhor chamar a terra de Bahia!
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Correspondência...


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"Querida esposa... sei que compreendes que agora tens 54 anos, e que eu tenho certas necessidades que já não podes satisfazer. Sou feliz contigo como minha esposa e, sinceramente, espero que não te sintas magoada ou ofendida ao saber que quando estiveres lendo este fax estarei no Big Dick Motel com minha secretária, que tem 18 anos. Chegarei em casa antes da meia-noite."

Quando o marido chega em casa, vindo do motel, encontra a seguinte carta:


"Querido esposo: obrigada pelo aviso. Aproveito a oportunidade para lembrar-te que tu também tens 54 anos. Ao mesmo tempo, te comunico que quando estiveres lendo esta carta, estarei no Motel Happy Dust com meu professor de tênis, que também tem 18 anos. Como és um matemático, poderás compreender facilmente que estamos nas mesmas circunstâncias, mas com uma pequena diferença: 18 entra mais vezes em 54, do que 54 em 18 ... Portanto, não me espere, porque vou chegar só amanhã. Um beijo da tua esposa que verdadeiramente te compreende".
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O génio da lâmpada




Um homem caminhava pela praia de Cascais e tropeçou numa velha lâmpada.
Pegando nela, esfregou-a e... um génio saltou lá de dentro e disse:

-O.K.!Você libertou-me da lâmpada, blá, blá, blá!
Esqueça aquela história dos três desejos!
Você tem direito a um desejo apenas e ponto final."

O homem sentou-se e pensou por um instante. Depois disse:

-Eu sempre quis ir aos Açores, mas tenho um medo enorme de voar.E no mar costumo ficar enjoado. Poderia construir uma ponte até aos Açores,para que eu pudesse ir de carro?

O génio riu muito e disse:

-Isto é impossível.Pense na logística do assunto. Como é que as colunas de sustentação poderiam chegar ao fundo do Oceano Atlântico? Pense em quanto betão armado. Em quanto aço. Em quanta mão-de-obra... Não, de maneira nenhuma! A ponte não pode ser! Pense noutro desejo...

O homem compreendeu e tentou pensar num desejo realmente bom.
Finalmente disse:

-Sabe... Eu fui casado quatro vezes e quatro vezes me divorciei. As minhas esposas sempre disseram que eu não me importava com elas e que sou um insensível. Então o meu desejo é que eu possa entender as mulheres. Saber como elas se sentem por dentro e o que elas estão a pensar quando elas não falam com a gente... Saber porque é estão a chorar... Saber o que elas realmente querem quando não dizem nada... Saber como fazê-las realmente felizes!

Ao que o génio respondeu:

-Queres a merda da ponte com duas ou com quatro faixas?
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Solidão


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Ela chegou como quem nada quer
Insistiu em ficar...
Foi ficando...
Ficou...
Eu, agora, para suas garras não ligo
Às vezes arranha, em outras assanha
Ela já não sabe o que fazer comigo
Quis caminhar ao meu lado...
Passo a passo...
Compasso...
Foi comigo a cantos onde no cantar
Dos desencantos sussurrei acalantos.
Deixamos pegadas em tépidas areias
Estirei-a sobre brancas dunas...
Como noiva de antes...
Ondeante...
Deitei-me sobre ela, de bruços...
Lambeu-me o sexo viril
Estendemos a noite na maré cheia
Furtamos luzentes astros de sagitário
E replantamos no frescor de abril
Rasguei minha camisa, bebi da brisa
Adormeci embriagado de poemas
Ela...
Solidão...
Arrependida do destrato...
Fez-se amante e foi minha mulher
Abriu meu peito e se aconchegou
Pediu-me fizesse dela gato e sapato
Seduzido, cobri sua nudez...
Com diamantes...
Ela chegou como quem nada quer
Insistiu em ficar...
Foi ficando...
Ficou...
Antes ficado não tivesse...
Há coisas que não se esquece...
Quando cruzam caminhos...
Quando ela se for...
Vou sentir a dor...
Da solidão...
Sózinha...


Desconheço o(a) autor(a)
(por mail)

Receita


que temos de gramar... Posted by Hello

Anedota do dia...

Os noivos reúnem-se com o padre.
O padre pergunta:
-O que pensam de sexo antes do casamento?
Responde o noivo:
-Desde que não atrase a cerimónia, por mim tudo bem....
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Naturalidade


Aldeia no Norte de Angola, em Onde a Lua Anda Posted by Hello



Europeu, me dizem.
Eivam-me de literatura e doutrina
europeias
e europeu me chamam.

Não sei se o que escrevo tem a raiz de algum
pensamento europeu.
É provaável... Não. É certo,
mas africano sou.
Pulsa-me o coração ao ritmo dolente
desta luz e deste quebranto.
Trago no sangue uma amplidão
de coordenadas geográficas e mar Índico.
Rosas não me dizem nada,
caso-me mais à agrura das micaias
e ao silêncio longo e roxo das tardes
com gritos de aves estranhas.

Chamais-me europeu? Pronto, calo-me.
Mas dentro de mim há savanas de aridez
e planuras sem fim
com longos rios langues e sinuosos,
uma fita de fumo vertical,
um negro e uma viola estalando."


Rui Knopfli escreveu no seu livro "O país dos outros", 1959

No princípio havia uma enorme gota de leite


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"No pricípio havia uma enorme gota de leite.
Doondari veio e criou a terra
Da pedra criou o ferro
E do ferro criou o fogo
E do fogo criou a água
E da água criou o ar.
Doondari veio pela segunda vez
Tomou os cinco elementos
E com eles modelou o homem.
Mas o homem era orgulhoso.
Então Doondari criou a cegueira, e a cegueira
venceu o homem".


Cosmologia dos povos sub-sarianos de cultura fulbé

El mejor lugar del mundo


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El mejor lugar del mundo está
por todos lados,
rodeando el contorno de las cosas
las instituibles,
las simples,
las pequeñas y placenteras cosas
que pasan sin dejar de fotografiarlas
enteramente que vivo
en el hilo fino
de las cosas
y guardo plateas
de cada vivo
después que las manos
rozaron la muerte
no antes...


Ricardo D. Mastrizzo

Estrada


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Luanda Dondo vão,
cento e tal quilômetros
mangas e cajus
marcos brancos
meninos nus

Branco algodão
crescendo
corpos negros
na cacimba

O Lucala corre
confiante
indiferente à ponte que ignora

Verdes matas
Sangram vermelhas acácias
imbondeiros festejam
o minuto da flor anual

Na estrada
o rebanho alinha
pelo verde
verde capim

Adivinhados
caqui lacraus
de capacete giz
trazem a morte

Meninos
se embalam
em mães velhas
de varizes:

Rios azuis
da longa estrada

E é fevereiro
sardões as sol
Cassoalala

Eia Mucoso
tão cheio agora

Adivinhados
permanecem
lacraus caqui
capacetes giz

Não param as colheitas

Que razão seriam
fevereiro
acácias sangrando vermelho
verdes sisais
cantando o parto
da única flor?

Não param as colheitas!



Luandino Vieira

(No reino de Caliban II - antologia
panorâmica de poesia africana de ex-
pressão portuguesa)

Descaramento


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Tudo é relativo...

- Como está a tua mulher?
- Comparando-a com quem?
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Meditar...

Aprenda com os erros dos outros!
Lembre-se, amigo, de que não terá tempo para os fazer a todos sózinho!

Prémio Nobel da Paz 2004


Profª. Wangari Muta Maathai Posted by Hello

A professora Wangari Maathai, do Quénia, que repetidamente foi atacada e presa pela sua luta para salvar a selva do seu país contra o parcelamento em nome do "desenvolvimento".
De facto, para Maathai, a distinção entre temas ambientais e direitos humanos acabou durante a luta empreendida.
Numa declaração ao Sierra Club disse que "quando se começa a trabalhar seriamente em temas ambientais, a luta passa a ser a dos direitos humanos, os direitos das mulheres, os direitos ambientalistas, os direitos das crianças, isto é, os direitos de todo mundo".
"Uma vez que se começa a realizar essas associações, já não se pode continuar simplesmente plantando árvores", acrescenta.

Ecologista, é vice-ministra do Ambiente e a primeira mulher africana a ser laureada com o Nobel da Paz.

Estas crianças!!

O miúdo para a mãe:

-Não gosto da nova criada! Só me apetecia mordê-la no pescoço, como faz o pai!
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Penetra???


Atenção á legenda... do insuspeito WashingtonPost Posted by Hello

Antes Burroso que ... «an unidentified man»!!

Imperdível


É este o caminho! Posted by Hello

A ler, obrigatóriamente, em Amor e Ócio, a posição de PSL, por ele próprio.

«É inutil chorar»; «É preciso não aceitar»


Batuque, de André-Hallet Posted by Hello


A grave ameaça que pende sobre todos nós, a ameaça á liberdade de pensamento, de expressão e de crítica, recordaram-me a necessidade de acordarmos da letargia fazendo troar os tambores num «Batuque da Liberdade» e o poema de António Cardoso «É inutil chorar»:


É inutil mesmo chorar
«Se choramos aceitamos, é preciso não aceitar»

por todos os que tombam pela verdade
ou que julgam tombar.
O importante neles é já se sentir a verdade
de lutar por ela.
Por isso é inútil chorar.

Ao menos se as lágrimas
dessem pão,
já não haveria fome.
Ao menos se o desespero vazio
das nossas vidas
desse campos de trigo...

Mas o que importa é não chorar.
«Se choramos aceitamos, é preciso não aceitar»

Mesmo quando já não se sinta calor
é bom pensar que há fogueiras
e que a dor ilumina
Que cada um de nós
lance a lenha que tiver
mas que não chore
embora tenha frio.

«Se choramos aceitamos, é preciso não aceitar»

Quase um poema de amor

Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.
Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.


Miguel Torga

Vergonha - parte II


Pax, de Jorge de Oliveira e Norberto Nunes Posted by Hello

O reitor da Universidade Católica, Manuel Braga da Cruz, exige maior regulação dos bares e discotecas. De acordo com o reitor, está em causa o sucesso escolar.

Veremos até onde irá o obscurantismo!!
Será que o Santo Ofício está de volta??

Vergonha, parte I


PAX, de Jorge de Oliveira e Norberto Nunes Posted by Hello


"Bares prejudicam estudos"
Reitor da Universidade Católica preocupado com diversão nocturna


A saga continuará...
Qual é a base científica para tal barbaridade???

A indigência e a pobreza de espírito

• POBREZA
Psiquiatra acusa hospitais de negligência com os sem-abrigo
O psiquiatra do Hospital Júlio de Matos que dá apoio no Centro de Acolhimento Temporário de Xabregas acusa as urgências dos hospitais de negligenciarem os sem-abrigo, tratando-os como marginais e «deixando-os constantemente para o fim».

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Alguém se espanta com a notícia??
Duvido!!
Eu, sinceramente, não me espanto!
A verdade é que a fazer fé na cínica ideia (porque não passa disso) de Santana Lopes,
estes nossos compatriotas deveriam ter tratamento VIP uma vez que teriam que usufruir do mesmo tipo e qualidade de cuidados e tratamentos médicos que os endinheirados amigos de S. Exª., que pagariam mais para que estes nada pagassem.
Este é o Portugal real em que vivemos.
No dia em que fôr diferente do que é, será pior!!!
Seremos todos nós, os mesmos de sempre, a pagar mais para sermos cada vez mais mal atendidos... porque nessa altura TODOS seremos indigentes e é este o tratamento que nos está reservado, já que S. Exas. irão pagar mas a outros locais onde não convivam com a populaça.
Esperam-nos dias muito maus!!

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Porque o mundo me empurrou,
caí na lama, e então
tomei-lhe a cor, mas não sou
a lama que muitos são

António Aleixo

Merda!!

• GOVERNO
Gomes da Silva acusa Marcelo de «ódio» e «mentiras»


• GOVERNO
Gomes da Silva nega intenção de silenciar Marcelo Rebelo de Sousa



PAX, de Jorge de Oliveira e Norberto Nunes Posted by Hello

Preparação do almoço


Bairro Neves Bendinha, Luanda, Julho 1996 Posted by Hello

Colega competentíssimo, família espantosa e simpática.
Almoço para recordar... com sabor a Angola, fora dos circuitos turísticos.

MOAMBA DE GINGUBA

Ingredientes:
1 galinha (rija)
ginguba moída, o quanto baste
1 cebola
sal
tomate
alho, louro
1 limão ou 1 copo de vinho branco

Preparo:
Corte a galinha aos pedaços, não muito pequenos. Tempere com alho, sal, sumo do limão (ou vinho branco), com antecedência numa panela.
Leve ao lume e deixe cozer durante 1/2 hora. De seguida, refogue em outra panela o tomate, a cebola, o louro e um pouco de água (sem gordura). Deite o refogado à galinha, junte a ginguba moída e mexa com uma colher de pau para desfazer a ginguba.
Deixe cozer em lume brando até engrossar o molho.
Sirva com funge (fuba de milho ou bombó) ou com batata doce.

Obs: não deixe secar o molho; vá adicionando água porque a galinha demora a cozer.

Bom apetite!

Meu Amor da Rua Onze


Negra, Luís Miguel Valdés Posted by Hello


Tantas juras nos trocamos,
Tantas promessas fizemos,
Tantos beijos roubamos,
Tantos abraços nos demos.

Meu amor da Rua Onze,
Meu amor da Rua Onze,
Já não quero
Mais mentir.

Meu amor da Rua Onze,
Meu amor da Rua Onze,
Já não quero
Mais fingir.

Era tão grande e tão belo
Nosso romance de amor
Que ainda sinto o calor
Das juras que nos trocamos.

Era tão bela, tão doce
Nossa maneira de amar
Que ainda pairam no ar
As promessas que fizemos.

Nossa maneira de amar
era tão doida, tão louca
Qu'inda me queimam a boca
Os beijos que nos roubamos.

Tanta loucura e doidice
Tinha o nosso amor desfeito
Que ainda sinto no peito
Os abraços que nos demos.

E agora
Tudo acabou.
Terminou
Nosso romance.

Quando te vejo passar
Com o teu andar
Senhoril,
Sinto nascer

E crescer
Uma saudade infinita
Do teu corpo gentil
De escultura
Cor de bronze,
Meu amor da Rua Onze.


Aires de Almeida Santos, Angola (Benguela)

Quadras da minha solidão


Monet, Outono em Argenteuil Posted by Hello


Fica longe o sol que vi,
aquecer meu corpo outrora...
Como é breve o sol daqui!
E como é longa esta hora...

Donde estou vejo partir
quem parte certo e feliz.
Só eu fico. E sonho ir,
rumo ao sol do meu país...

Por isso as asas dormentes,
suspiram por outro céu.
Mas ai delas! tão doentes,
não podem voar mais eu...

que comigo, preso a mim,
tudo quanto sei de cor...
Chamem-lhe nomes sem fim,
por todos responde a dor.

Mas dor de quê? dor de quem,
se nada tenho a sofrer?...
Saudade?...Amor?...Sei lá bem!
É qualquer coisa a morrer...

E assim, no pulso dos dias,
sinto chegar outro Outono...
passam as horas esguias,
levando o meu abandono...


Alda Lara

Makèzú


Kitandeiras e kinguilas numa esquina de Luanda Posted by Hello


- "Kuakiè!!!... Makèzú, Makèzú..."

...................................................

O pregão da avó Ximinha
É mesmo como os seus panos,
Já não tem a cor berrante
Que tinha nos outros anos.

Avó Xima está velhinha,
Mas de manhã, manhãzinha,
Pede licença ao reumâtico
E num passo nada prático
Rasga estradinhas na areia...

Lá vai para um cajueiro
Que se levanta altaneiro
No cruzeiro dos caminhos
Das gentes que vão p'a Baixa.

Nem criados, nem pedreiros
Nem alegres lavadeiras
Dessa nova geração
Das "venidas de alcatrão"
Ouvem o fraco pregão
Da velhinha quitandeira.

- "Kuakiè... Makèzú... Makèzú..."
- "Antão, véia, hoje nada?"
- "Nada, mano Filisberto...
Hoje os tempo tá mudado..."

- "Mas tá passá gente perto...
Como é aqui tás fazendo isso?"

- "Não sabe?! Todo esse povo
Pegó um costume novo
Qui diz qué civrização:
Come só pão com chouriço
Ou toma café com pão...

E diz ainda pru cima
(Hum... mbundo kène muxima...)
Qui o nosso bom makèzú
É pra veios como tu".

- "Eles não sabe o que diz...
Pru qué qui vivi filiz
E tem cem ano eu e tu?"

- "É pruquê nossas raiz
Tem força do makèzú!..."


Viriato da Cruz
(Poemas, 1961)








Rui Mingas

Metamorfose


Giorno di Vento, de Walter Grassi Posted by Hello


Súbito pássaro
dentro dos muros
caido,

pálido barco
na onda serena
chegado.

Noite sem braços!
Cálido sangue
corrido.

E imensamente
o navegante
mudado.

Seus olhos densos
apenas sabem
ter sido.

Seu labio leva
um outro nome
mandado.

súbito pássaro
por altas nuvens
bebido.

Pálido barco
nas flores quietas
quebrado.

Nunca, jamais
e para sempre
perdido

o eco do corpo
no próprio vento
pregado.


Cecília Meireles

Quadro


Santa Catarina, Cabo Verde, in LusoAfrica Posted by Hello


Lá vem nho Cacai da ourela do mar
Acenando a sua desilusão
De todos os continentes!
Ele traz o peito afogado em maresias
E os olhos cansados da distancia das horas...

Lá vem nho Cacai
Com a boca amarga de sal
A boiar o seu corpo morto
Na calmaria da tarde!

Nho Cacai vem alimentar os seus filhos
Com histórias de sereias...
Com histórias das farturas das Américas...

Os seus filhos acreditam nas Américas
E sabem dormir com fome...



ONESIMO SILVEIRA (Hora grande, 1962)