O pássaro



















Quando ele apanhou o pássaro
cortou-lhe as asas.
O pássaro voou mais alto.

Quando voltou a apanhar o pássaro
cortou-lhe as patas.
O pássaro deslizou como uma barca.

Furioso, cortou-lhe o bico.
O pássaro cantou com o seu coração,
como canta uma harpa.

Então cortou-lhe o pescoço.
E de cada gota de sangue
Saiu um pássaro mais brilhante.

Nada continua a ser mais caro,
ao Poeta, que a liberdade.




Maurice Carême
Tradução de António Ramos Rosa
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1 Response
  1. Um belíssimo poema, desconcertante mas ainda assim ao alcance do poeta. Excelente.
    Obrigado por me teres colocado nos teus "Produtos de Excelência". Não sei se o mereço...
    Bom Natal, abraço.