Peru




Cuzco, Arequipa, Macchu Pichu, Nazca
A música e as ftos e uma viagem por fazer.

Africana



















dizes que me querias sentir africana,
dizes e pensas que não o sou,
só porque não uso capulana,
porque não falo changana,
porque não uso missiri nem missangas,
deixa-me rir...
mas quem é que te disse?!
Só porque ando de "Levis, Gucci ou Diesel",
não o sou... será?
Será que o meu sentir passa pela indumentária?
Ou que o serei
pelo sangue que me corre nas veias,
negro, árabe, indiano,
essa mistura exótica,
que me faz filha de um continente em tantos
onde todos se misturam,
e que me trazem essa profundidade,
mais forte que a indumentária ou a fala,
e sabes porquê?
Porque visto, falo, respiro, sinto e cheiro a África,
afinal o que tu saberás? O que tu sabes?
Deixa-me rir...
deixa-me rir...



Sónia Sultuane

Singular
















Como somos pequenos e sozinhos.
Ao acordar não tenho ninguem para quem olhar ,
falar meu sonho ou abraçar.
Mas não me cabe usar metáforas para expressar a solidão.
Quem lê esses pensamentos pensa que sou infeliz,
nem tanto,
sou apenas singular!



Larissa Machado

Angola em imagens

Não é um fado normal






Olhas p’ra mim com esse ar reservado
A estoirar pelas costuras
Nem sei se estou em Lisboa
Será que é Tóquio ou Berlim?
Tu não me olhes assim!
Porque o teu olhar tem ópio
Tem quebras nos equinócios
Pitadas de gergelim

Mas se isto é fado
Ponho o gergelim de lado
Vou buscar o alecrim
E tu sempre a olhar p’ra mim;
Como se alecrim aos molhos
Atraíssem os meus olhos
Não tenho nada com isso
Alguém que quebre este enguiço
Que eu não respondo por mim

E já estou, quase a trocar o mal pelo bem e o bem pelo mal
Se isto é fado, não é um fado normal
A trocar, o mal pelo bem e o bem pelo mal
Não é um fado normal

Vou por lugares nunca dantes visitados
E há que ter alguns cuidados
Porque bússola não há
E baralham-se os sentidos
Se andamos ao Deus-dará
Sem sentinelas nos olhos
Vou confiar no ouvido
E nada vai estar perdido

Mas se isto é fado
Vou entristecer o quadro
P’ra tom de cinza acordado
Que eu não quero exagerar;
No meio do nevoeiro
Teimo em ver o teu olhar
Que sei não ser derradeiro
Alguma coisa se solta
Que talvez não tenha volta



Amélia Muge

Sou Jumento!

















Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.



Bertold Brecht




Num país em que se tornou politicamente incorrecto esboçar o mais leve benefício da dúvida relativamente ao que o PS, o governo ou Sócrates fizeram, fazem ou pretendem fazer, onde é altamente suspeito ter pensamento favorável da acção do primeiro ministro, passou a constituir crime emitir opinião positiva dele, sendo temerário manter qualquer conversação pública ou privada em que o tema seja a governação socialista se vista positivamente.

O preço a pagar pela temeridade é o enxovalho público, a bufaria, a delação.

Esta semana fomos confrontados, que não surpreendidos, pelo acto indigno de um pseudo-escriba relativamente a um blogger.

Sabíamos que a prostituição intelectual que é veiculada diariamente pelos media é altamente lesiva da inteligência sabendo-se que o propósito é o de condicionar, fornecendo doses maciças de enlatados tóxicos e prontos a serem absorvidos, dado que nem sequer pretendem que tenhamos o trabalho de digerir.
É perigoso demais.

Ignorávamos ainda que neste país onde todos podem pensar livremente, desde que o façam adequadamente e no sentido pretendido, se chegaria á ignóbil acção que se abateu sobre o Jumento.

Neste momento em que pretendem com estas manobras intimidar, condicionar a participação cívica e dessa forma retirar, objectivamente, direitos constitucionais, TODOS SOMOS Jumento.

Não é por acaso que o Jumento tem a projecção e a credibilidade que tem.
A sua grandeza tornou-o um alvo fácil e óbvio, naturalmente.

E se alguém pensou que desta forma se livraria dos coices… esqueça.
O Jumento possui algo que profundamente me agrada – verticalidade.

Força, companheiro, continue. Como aqui, aqui ou aqui. Sempre acutilante e impiedoso com as tentativas de cercear a participação ou de deturpar e contra-informar.

Abraço de solidariedade.

Sou Jumento!!

Dádiva














Foto de "AngolaBela"




Sou mais forte que o silêncio dos muxitos
mas sou igual ao silêncio dos muxitos
nas noites de luar e sem trovões.

Tenho o segredo dos capinzais
soltando ais
ao fogo das queimadas de setembro
tenho a carícia das folhas novas
cantando novas
que antecedem as chuvadas
tenho a sede das plantas e dos rios
quando frios
crestam o ramos das mulembas.

...e quando chega o canto das perdizes
e nas anharas revive a terra em cor
sinto em cada flor
nos seus matizes
que és tudo o que a vida me ofereceu.



Costa Andrade