Se a minha terra é de côr


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A minha terra tem cor...

Eu não o conheço outra terra
onde haja tanta beleza
nas síncopes coloridas
dum fim de tarde...

Inda está p´ra ser fadado
um tão nevado luar
que derrame tanto leite
em noites de Lua cheia...

No meu corpo bronzeado,
na minha terra tão linda,
há orgias embriagantes
de cor.

— Se a minha terra é de cor!...

Na chagar sangrenta
da rubra queimada
sem fim
queimando dentro de mim,
e no pesado negrume
de certas noites sem lua.
e com a lume apagado
no rutilante luzeiro
onde foi crucificada a minha Raça.

— A minha terra tem cor!...

Nos frutos tão bons,
nas águas imensas,
nos campos lavrados,
nos céus anilados,
nos corpos tão negros
dos pretos,
das pretas,
nas estrelinhas trementes,
— lágrimas de Deus
derramadas
pelos negros inocentes —
já doces tonalidades
mistérios,
suavidades,
cambiantes
fascinantes
de cor.

— Se a minha terra é de cor!...


Mauricio Almeida Gomes
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1 Response
  1. Sónia Says:

    Boa tarde

    Sou a Conservadora do Museu Municipal de Portalegre e este possui um quadro de Maurício Almeida representando uma vista da cidade.

    Não tendo quase nenhuma informação acerca deste pintor, solicitava, caso lhe seja possível, toda a informação que nos puder disponibilizar: se pintou Portalegre, a época, se aqui expôs, dados bibliográficos, etc.

    Agradecendo desde já a disponibilidade, aqui lhe deixo o endereço de e-mail e o telefone:
    mj.pires@cm-portalegre.pt
    245 307 535