É duro de encarar o sol que brilha



















É duro de encarar o sol que brilha
e nada pode, a cólera do touro
contra a manada dos areais do rio.
Quem recebeu a cauda
a cauda arrastará.
Não basta juntar a lenha
para recolher os molhos:
é preciso que a maldade os não desfaça.

Sujeito-me a vestir as velhas peles
e olho à volta
atento ao que se passa.
Eu sei que há luz e sombra
Nuvens e chuva...
Mas chegará a minha voz aos vossos pés
como aos da onça o grito da capota?

Guarda a cigarra o seu canto
perante a voz dos tambores.



Ruy Duarte de Carvalho
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