Eu cantava as lágrimas
























Para ti, rapariga sem nome,
cujos dedos atravessaram meu
muro com suas estrelas

fazia de teu rosto a semente,
o sol da carícia,
as palavras do dia cinzento.

de tua língua fazia a luz,
as folhas, as árvores
dos lugares que nos restam.

e do rio da pele
eu cantava a pele do coração.

cantava as lágrimas sólidas
nos olhos da noite onde
fingias dizer as noites onde
dizias não ser a raiz da estrada.

cantava as lágrimas antigas
que caíam no cesto dos sonhos
do dia que escondia o tempo
do dia que adivinhava os lugares.

e do rio da pele
eu tocava a pele do coração.


João Maimona
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2 Responses
  1. Tuca Kors Says:

    Acompanho seu blog com muito interesse e prazer, já que desconheço praticamente todos os poetas maravilhosos que aqui estão!
    Parabéns por ter um blog tão original!
    Um abraço da Tuca


  2. ParadoXos Says:

    de facto, um espaço onde as paavras cobrem a poesia!

    a nao perder - sem dúvida!!

    abraços