Poema ela, a noite e eu

















O Mundo naquela noite
era apenas um seio branco
macio como sumaúma
a cintilar na prisão escura das minhas mãos.

o seio branco era o Mundo
e nada mais havia perto ou longe
nem um agente disfarçado
que fosse sequer uma insinuação de Vida
a não ser o desejo crescendo
crescendo como um vulcão dentro dos olhos semi-desmaiados
voluptuosamente.

E
só o seio branco
maravilhosamente branco de «lanho»
era o Mundo sem injúrias
vibrante e nu cântico de carne.
Só o seio branco e a treva
naquela noite empaludada de frémitos
era o Mundo.



José Craveirinha
In “Poemas Eróticos”
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