Ianques


DEPOIS DE HIROXIMA
DEPOIS DE VIETNAME
DEPOIS DE


Piores
Muito piores
Que Átila o tal
Que por onde passava
O capim diziam que secava

Átila o bárbaro
Como adjectivado nos foi
Quando meninos coloniais
Nos ensinaram de Portugal
A História Universal

Não houvera ainda Hiroxima
Não houvera Vietnames
Não houvera ainda

Foi depois oh foi depois
Muito depois que sangrou Hiroxima
Que sangraram Vietnames
E de Átila
O mundo se recordou

Mas de Átila porquê

Átila não
Que muito piores que ele
Eles o foram

Muito piores
Que Átila o tal
Que por onde passava
O capim diziam que secava

Oh sim
Muito muito piores os ianques
Que por onde passam
Chewingamizando-se endolarados

Cresce o capim
Onde havia trigo
Semeiam-se escravos
Onde nasciam homens
Colhem-se cinzas
Onde cresciam crianças

Oh sim
Bárbaros são eles
Os ianques

Átilas elevados
Á potência imperial


Rui Nogar


Na véspera dos 60 anos do lançamento da primeira bomba atómica sobre Hiroxima.
Recordei este poema também pelo post da fantástica IO e dos comentários que suscitou.

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