Aprender a ler… e a conhecer o mundo





Não é hábito deter-me sobre questões de actualidade neste espaço mas a questão é suficientemente importante para lhe dedicar umas poucas linhas de perplexidade…
O respeito pelo fenómeno desportivo e pela verdade do que se passa dentro dos vários recintos, qualquer que seja a modalidade aí praticada, leva-me a tecer alguns comentários.

Não posso deixar de recordar o frenesim com que, há muitas décadas atrás, aguardava a chegada a casa do jornaleiro que ia entregar ás segundas, quintas e domingos “A Bola”, ás terças e sábados “o Record” e ás quartas “O Mundo Desportivo” aquele que, francamente, menos gostava.
Quase aprendi a ler com estes jornais… mas se não aprendi de todo a ler nestes jornais ajudaram muito e acima de tudo ajudaram a mostrar-me um mundo muito diferente do cinzento canto lusitano. Foi por aqui que comecei a perceber a existência, nas entrelinhas, da multiplicidade de opções por esse mundo que obstinadamente nos escondiam. Acima de tudo “A Bola” era, na época, leitura obrigatória.

Mais, ao futebol era dada tanta importância que até a “gesta heróica” do Coreia do Norte – Portugal do Mundial de 66 se tornou lição de português. Lia aquilo e parecia estar a ler “Os Lusíadas”.

Muito do que recordarei nos próximos posts e das conclusões que retiro derivam do espírito critico com que me habituei a olhar para tudo na vida, sabendo que quanto mais me aproximar dos objectos… menos vejo.
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