Terceira gota



















Oh meu país de areias brancas,
meu país de mar
meu país de povo
eu quero ser espuma
menino de sonho alado
na roda das casuarinas

meu país de nuvens brancas no azul
meu país de sol
meu país de povo
eu quero ser de pedra
firme no gesto aberto
da conquista de horizontes

meu país tão novo
areias novas na praia
nuvem clara no azul
meu país de povo
algodoais que sangravam
povo antigo e sempre novo

menino a vogar que sou
vida que à vida se dá
só não consigo entender
porquê que só as areias
porquê que só as nuvens
porquê que os algodoais
sendo brancos são tão nossos?

Porquê, oh meu país,
que um qualquer lugar comum
recusa ao meu irmão
filho da minha mãe
que seja do meu país
a sua brancura pequena?



Costa Andrade
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