Canção para a Minga



















Esta mulher
Retém o mar em seu olhar
Quando quer.

Esta mulher desconhece
Que eu adoro
Os cozinhados que ela me oferece.

Ela simplesmente desaparece
E sozinha

Na cozinha
Trabalha e s‘atrapalha na batalha
De m‘oferecer comida boa:

- Quiabos quentes com gimbôa
ginguinga em artística trança
um trago de walende
e cacussos do Kwanza!

À noite
Lhe ponho conversa
Lúdica
Mas ela reage na inversa
E pudica
Rejeita nudez somente de nós os dois
E se refugia nas dobras dos lençóis.

Acordo com o canto do galo
Vou saindo pró salo
Jejum d‘amor não feito
E raiva
De a deixar assim no leito.
Isto não é vida
E vai acabar em briga…

Mas, os meus poemas, Mingas?
Os meus temas d‘amor e desespero?
Caramba fala deles
Me critica
Me xinga se é coisa reles.

Ah…
Esta mulher
Retém o mar no olhar
Quando quer.



António Azzevas
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