Changara
























Engoliram luas as crianças de Changara
Os olhos delas são pássaros tristes sem voo
que no desespero da fome acumulada
comem estrelas como se fossem grãos de milho.
Quando as sementes secaram nos campos
e o sangue secou nas veias dos rios
e a seiva secou nas veias das plantas
e o sol secou os celeiros da aldeia,
serpentes famintas silvam em volta
do peito cindido. Uma toupeira chora
ao frémito dos imbondeiros. Grave,
arde sobre a erva amarga a dor:
Das luas engolidas pelas crianças
quantas tardará a ecoar nos jornais?




Julius Kazembe
in "Vozes poéticas da lusofonia", Sintra, 1999
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1 Response
  1. delta Says:

    Está diferente esta Kitanda...:-)

    Não venho protestar nem barafustar...venho apenas deixar uma lembrança
    Basta clicar :-)
    Ritmos Africanos

    Tudo de bom