Comissão de Melhoramentos dos Povos a Ocidente de Espanha

Quem conhece a região interior centro do país conhece, com toda a certeza, algumas agremiações fundadas pelas populações, desde a década de 40 do século passado e, provavelmente até anteriores.

Essas agremiações - Comissões de melhoramentos - lutaram pelo progresso das suas terras que viviam isoladas e, algumas, factualmente com economias, produção, educação e estruturas que vinham ainda de épocas medievais.

Pertenci a uma, desde muito novo, onde a nível directivo cheguei a ocupar lugares de destaque.

Estas Comissões de Melhoramentos só começaram a perder o seu fulgor em inícios da década de 80 com a implementação da Lei das Finanças Locais e o de dar "a César o que é de César".

O seu funcionamento estava (está) regulamentado legalmente mas o seu funcionamento interno, por representar aldeias e lugares minúsculos espalhados pelas serranias da região centro obedecia (e obedece, naquelas que ainda mantêm actividade) na maior parte dos casos, aos ditames das vaidades pessoais e, pelo facto de todos se conhecerem, aos falsos unanimismos e aclamações.

A colectividade poderia até poder gozar de doações do poder central para administração directa em melhoramentos (chafarizes, relógios de igrejas, caminhos...) ou, naquelas mais bem colocadas junto do poder ou que melhor soubessem "chorar", podiam até administrar volumes elevados de verbas na construção de estradas (mesmo que de terra batida), sem passar cavaco aos poderes autárquicos instituídos... quer antes (muito tempo) quer depois (menos) do 25 de Abril.

Isto vem a propósito da forma como este governo está a encarar o país e a governação; o que é esse país e o que o governo gostaria que fosse...

Ressuscitaram as «Conversas em família»... sinistramente voltam a falar connosco com o paternalismo e o cinismo de quem vive na 3ª. casa á esquerda da Rua Direita da aldeia e é o presidente ou o tesoureiro da comissão de melhoramentos, falam-nos ao coração sabendo nós da existência oculta mas erecta do seu membro reprodutor.

Todos ficamos a saber que nos amam ardentemente e só querem o nosso bem e, por isso, devemos abdicar das nossas ideias e adoptar as daqueles que, iluminados pela sabedoria, tanto bem nos querem.

Deseja-se ardentemente que TODOS estejam de acordo (ou se calem, como Manuela Ferreira Leite chegou a dizer...), que batam palmas mesmo sem vontade porque todos o fazem e o facto de ficar quieto dá demasiado nas vistas... Para quem não está de acordo, em nome dos benefícios para a «aldeia», apela-se á unidade, criam-se cenários idílicos do futuro e responsabilizam-se todos os discordantes pelo seu adiamento, incentiva-se toda a gente a esquecer opiniões divergentes concentrando todos os esforços em vagos «pactos de regime».

Amigos, isto não é um país, é o Reino do Faz-de-Conta ou o Absurdistão, como queiram... e, se até aqui eramos violados e fecundados de modo forte e feio, mas ás claras, agora passamos a sê-lo mas com direito a preliminares e utilização de vaselina.

Claríssima melhoria para um povo que está há quase 2.000 anos habituado a ser.... fecundado!!

O que irá acontecer também o sabemos, habituados á forma carinhosa de nos fecundarem, saberemos responder em 2006, prontamente com mais vaselina ao plebiscito a que seremos sujeitos.

Coitados dos Presidentes, Prefeitos e Mayores dos municípios de Tóquio, Xangai, Bombaim, São Paulo ou Nova Iorque!!!.... Os problemas que devem ter ao governarem populações mais heterogéneas e que são o dobro, o triplo ou mais que a população portuguesa!!

Isto dá bem ideia da qualidade técnica e intelectual da maior parte das sumidades que dizem governar-se, perdão, governar-nos!!
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